quarta-feira, 5 de outubro de 2022

 NA CLAREIRA DO BOSQUE





        João Bragança Santos volta ao domínio da prosa e publica Na Clareira do Bosque.
        O trabalho pode inserir-se no campo da literatura infanto-juvenil.
        Trata-se de um fabulário de cuja leitura é possível extrair uma conclusão educativa.


        Os interessados na aquisição deste livro poderão fazê-lo, por encomenda postal,
    através deste blog.

        
        Também disponível, em suporte de papel, em Edições Flamingo, e, em formato
    digital, no E- Book.


sexta-feira, 30 de setembro de 2022

 POETAS DE PARABÉNS

JOSÉ LUÍS PEIXOTO





Não é um Gato

Não é um gato, é uma gata.
Compreendo que seja mais fácil
reduzir todos os gatos a gatos,
mas peço-lhe que, por fineza,
abra uma exceção. É uma gata,
não amamentou gatinhos,
ou porque não teve escolha,
ou, mais provavelmente,
porque não quis. É uma gata,
aluada em certas noites,
a lamber-se sem vergonha,
a desfrutar do seu próprio cio.
Compreendo que seja mais fácil,
sei que não fez por mal, nunca
ninguém faz por mal, já reparou?
Mas peço-lhe que preste atenção
e, no futuro, não volte a cometer
esse erro tão comum. É uma gata,
não é um gato, é uma gata.

José Luís Peixoto









        José Luís Peixoto é um autor português multifacetado, com obra largamente premiada 
quer na poesia quer na prosa.
        Nasceu em 4 de setembro de 1974, em Galveias.
        Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas começou por  exercer a carreira docente 
até se dedicar profissionalmente à escrita, a partir de 2001.

terça-feira, 20 de setembro de 2022

 CENTELHA





Centelha

A sombra do arvoredo
É dossel do nosso amor,
Que partilha esse segredo
Vivido com todo o ardor.

Tal como as aves nos ninhos,
No alfombre de verdura
Há juras de amor, carinhos,
Livres laços de ternura.

O amor assim vivido
Tem uma luz que espelha 
O que na alma mais brilha;
Por ser livre e consentido
Brilha mais essa centelha,
Que por tanto amor fervilha.

Juvenal Nunes



sábado, 10 de setembro de 2022

 A ARCÁDIA LUSITANA

OS ÁRCADES

CRUZ E SILVA







Vem, oh Noite Sombria

Vem, oh noite sombria, e revolvendo
O longo açoite, que à carreira acende
As fuscas Éguas, sobre a terra estende
De sombras carregado o manto horrendo:

Vem: e as brancas papoilas espremendo,
Em letárgico sono os mortais prende;
Que a minha bela Aglaia hoje me atende,
A meu amor mil glórias prometendo.

Se às minhas vozes dás benigno ouvido,
Encobrindo com teu escuro manto
Os suaves delírios de amor cego;

Imolar-te prometo agradecido
Um negro galo, que em contínuo canto
Se atreve a perturbar o teu sossego.

Cruz e Silva






        António Dinis da Cruz e Silva, de seu nome completo, viu a luz do dia em 4 de julho de 1731, em Lisboa e faleceu no Rio de Janeiro, em 5 de outubro de 1799.
        Notabilizou-se como poeta, sendo um dos fundadores da Arcádia Lusitana, também chamada Academia Olissiponense.
        Desempenhou vários cargos na magistratura, razão pela qual esteve emigrado no Brasil.
        Dentre as obras publicadas destaca-se O Hissope, a sua obra-prima.

sábado, 3 de setembro de 2022

 POEMAS POR TEMAS

ANTÓNIO ALEIXO



Tema: Mulher



A Gentil Camponesa

MOTE

Tu és pura e imaculada,
Cheia de graça e beleza;
Tu és a flor minha amada,
És a gentil camponesa.

GLOSAS

És tu que não tens maldade,
És tu que tudo mereces,
És, sim, porque desconheces
As podridões da cidade.
Vives aí nessa herdade,
Onde tu foste criada,
Aí vives desviada
Deste viver de ilusão:
És como a rosa em botão,
Tu és pura e imaculada.

És tu que ao romper da aurora
Ouves o cantor alado…
Vestes-te, tratas do gado
Que há-de ir tirar água à nora;
Depois, pelos campos fora,
É grande a tua pureza,
Cantando com singeleza,
O que ainda mais te realça,
Exposta ao sol e descalça,
Cheia de graça e beleza.

Teus lábios nunca pintaste,
És linda sem tal veneno;
Toda tu cheiras a feno
Do campo onde trabalhaste;
És verdadeiro contraste
Com a tal flor delicada
Que só por muito pintada
Nos poderá parecer bela;
Mas tu brilhas mais do que ela,
Tu és a flor minha amada.

Pois se te tenho na mão,
Inda assim acho tão pouco,
Que sinto um desejo louco:
Guardar-te no coração!…
As coisas mais belas são
Como as cria a Natureza,
E tu tens toda a grandeza
Dessa beleza que almejo,
Tens tudo quanto desejo,
És a gentil camponesa.

António Aleixo







 
       António Aleixo é um poeta popular português, nascido em Vila Real de Santo António, 
em 18 de fevereiro de 1899. Faleceu em Loulé, em 16 de novembro de 1949.
        Percorreu os caminhos da emigração, era humilde e nunca se libertou de um nível de vida
 próximo da pobreza.
       A sua obra apresenta um sentido filosófico da vida, em que está presente a ironia e a crítica
 social.
       O seu talento literário foi reconhecido em vida e o seu nome faz parte da história da literatura
 de língua portuguesa.

sábado, 27 de agosto de 2022

 POETAS DE PARABÉNS 

GONÇALO M. TAVARES




A Parte Invisível do Visível

A parte invisível do visível.
De resto conhecer mais o quê?
O Manifesto do Invisível.
Os lobos são a cabeça do anjo que não se vê.
Sangue no Focinho e Cobardia.

Gonçalo M. Tavares






         Nascido em agosto de 1970, Gonçalo M. Tavares execre a função de docente universitário 
e é já um escritor consagrado.
        Tem-se notabilizado na prosa e na poesia.
        O livro Jerusalém foi considerado um dos romances mais importantes de todos os tempos.

quarta-feira, 17 de agosto de 2022

 SINAIS



Sinais

Não sabes o que me fazes
Quando me dás atenção,
Esse teu pesca-rapazes
É jogo de sedução.

Sinais e jogos de amor,
No amor não são demais,
Cada qual com o seu valor
Do amor são bons sinais.

A despertar os sentidos,
Há nos sinais do teu rosto
Sinais de rumos seguidos,
Num toque feito com gosto.

E nos rumos consentidos,
Em teu corpo, Vénus nua,
Há ternura, mel e mosto,
Que desfruto à luz da lua
Sob o céu azul de agosto.

Juvenal Nunes



quarta-feira, 10 de agosto de 2022

 HOMENAGEM A ANA LUÍSA AMARAL




        Numa altura em que se preparava uma homenagem, em vida, a Ana Luísa Amaral, a morte
ceifou-a do mundo dos vivos no passado dia 5 de agosto de 2022.
        O Palavras Aladas também já tinha reconhecido o seu merecimento na arte poética, aquando
da passagem do seu aniversário de nascimento, em abril último.
        Apesar da funesta ocorrência do seu passamento mantém-se a homenagem prevista à sua obra e
talento de poeta, pois é ela a figura de destaque da Feira do Livro do Porto 20022.
        Mais informação no link abaixo:




Minha Senhora de Quê

Dona de quê
Se na passagem onde se projetam
Pequenas asas deslumbrantes folhas
Nem eu me projetei

Se os versos apressados
Me nascem sempre urgentes:
Trabalhos de permeio refeições
Doendo a consciência inusitada

Dona de mim nem sou
Se sintaxes trocadas
O mais das vezes nem minha intenção
Se sentidos diversos ocultados
Nem do oculto nascem
(poética de Hades quem me dera!)

Dona de nada senhora nem
De mim: imitações de medo
Os meus infernos

Ana Luísa Amaral


O ser humano tem consciência da sua finitude.
A sua vivência decorre sem ser senhor da própria vida. 







quarta-feira, 3 de agosto de 2022


                                                                A ARCÁDIA LUSITANA


        A dinâmica evolutiva da poesia portuguesa levou a que, a seguir ao Barroco, surgisse um movimento poético conhecido por Arcadismo português.
        Estima-se que a Arcádia Lusitana se tenha iniciado por volta de 1756 e terminado, oficialmente, em 1825.
        Visava combater os excessos do espírito barroco e orientar a produção poética para uma estética neoclássica.
        Um dos seus principais fundadores e cultores foi Correia Garção.




Soneto

Três vezes vi, Marília, de alva lua,
Cheio de luz o rosto prateado,
Sem que dourasse o campo matizado,
A linda aurora da presença tua.

Então subindo à serra calva e nua,
De um íngreme rochedo pendurado,
Os olhos alongando pelo prado,
Chamava, mas em vão, a morte crua.

Ali comigo vinham ter pastores,
Que meus suspiros férvidos ouviam,
Cortados do alarido dos clamores.

Tanto que a causa do meu mal sabiam,
Julgando sem remédio minhas dores,
Por não poder-me consolar, fugiam.

Correia Garção








        Correia Garção nasceu em Lisboa, em 29 de abril de 1724 e faleceu na mesma cidade, em
10 de novembro de 1772.
        É um dos responsáveis pela eclosão do movimento da Arcádia Lusitana. 

quarta-feira, 27 de julho de 2022

 POEMAS POR TEMAS




Tema: O Mar


Passei o dia ouvindo o que o mar dizia

Eu ontem passei o dia
Ouvindo o que o mar dizia.

Choramos, rimos, cantamos.

Falou-me do seu destino,
Do seu fado…

Depois, para se alegrar,
Ergueu-se, e bailando, e rindo,
Pôs-se a cantar
Um canto molhado e lindo.

O seu hálito perfuma,
E o seu perfume faz mal!

Deserto de águas sem fim.

Ó sepultura da minha raça
Quando me guardas a mim?…

Ele afastou-se calado;
Eu afastei-me mais triste,
Mais doente, mais cansado…

Ao longe o Sol na agonia
De roxo as águas tingia.

«Voz do mar, misteriosa;
Voz do amor e da verdade!
– Ó voz moribunda e doce
Da minha grande Saudade!
Voz amarga de quem fica,
Trémula voz de quem parte…»

. . . . . . . . . . . . . . . .

E os poetas a cantar
São ecos da voz do mar!


António Boto








        António Botto nasceu em 17 de agosto de 1897, na Concavada e faleceu no Rio de Janeiro, em 16 de março de 1959.
        Notabilizou-se com poeta, contista e dramaturgo.
        Esteve emigrado em Angola, na Itália e no Brasil, onde faleceu.
        A sua obra mereceu a atenção de Fernando Pessoa.
        A lírica portuguesa reconheceu nas Canções a sua obra mais popular.

domingo, 17 de julho de 2022

 NAVEGAR PORTUGUÊS


Navegar Português

Oh! mar do amor português...
Longes tempos, tantas mágoas,
Onde vogaram galés
Contra ventos e marés
Abrindo sulcos nas águas
Que a força dos navegantes,
Na travessia do mar,
Por riquezas, bens fecundos,
Permitiu-nos alcançar
Outras terras, novos mundos.

Seja hoje pela paz
Que se sigam essas rotas,
Pois ao mundo todo apraz
Evitar guerras, derrotas.

Juvenal Nunes

                                                                      


domingo, 10 de julho de 2022

 POESIA BARROCA

BENTO TEIXEIRA





Prosopopeia

1 Cantem Poetas o Poder Romano,
submetendo Nações ao jugo duro;
o Mantuano pinte o Rei Troiano,
descendo à confusão do Reino escuro;
que eu canto um Albuquerque soberano,
da Fé, da cara Pátria firme muro,
cujo valor e ser, que o Céu lhe inspira,
pode estancar a Lácia e Grega lira.

Bento Teixeira

                                                      





        Supõe-se que Bento Teixeira terá nascido no Porto em 1561 e falecido em
Lisboa ou Pernambuco em 1600.
        Escreveu o poema épico Prosopopeia, de que aqui se transcreve a 1ª estrofe.
        Esta obra reflete grande influência de Os Lusíadas de Luís de Camões e mar-
cou o início do Barroco no Brasil.

domingo, 3 de julho de 2022

 POETAS DE PARABÉNS

ÂNGELO DE LIMA






Eu Ontem Vi-te...

Eu ontem vi-te...
Andava a luz
do teu olhar,
que me seduz,
a divagar
em torno de mim.
E então pedi-te,
não que me olhasses,
mas que afastasses,
um poucochinho,
do meu caminho,
um tal fulgor.
De medo, amor,
que me cegasse,
me deslumbrasse
fulgor assim.

Ângelo de Lima


                                                     





        Ângelo de Lima nasceu no Porto, em 30 de julho de 1872 e faleceu em Lisboa, em 14 de agosto de 1921.
        Além de poeta foi também pintor tendo colaborado na revista Orpheu.
        Na sua vida atravessou conturbados períodos de alienação mental, cujos paroxismos
levaram a que terminasse os seus dias internado no Hospital de Rilhafoles, atual Hospital Miguel Bombarda.
        Despertou a atenção dos Modernistas Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, que concederam à sua obra poética o justo valor.

sexta-feira, 1 de julho de 2022

 HOMENAGEM AOS SANTOS POPULARES

UMA QUADRA PARA UM SANTO



             Está encerrada, neste ano, esta iniciativa.
        Quero deixar um agradecimento a todos, com uma vénia especial aos amigos participantes do Brasil pela prontidão com que responderam ao desafio, dentro dos princípios definidos. Os restantes escreveram a sua participação nos comentários, o que não era suposto.
        Em todo o caso, e em jeito de homenagem, deixo aqui um distintivo de participação, para quem o quiser aplicar no seu blog.
        Muito obrigado a todos.


        Juvenal Nunes

sexta-feira, 24 de junho de 2022

 HOMENAGEM AOS SANTOS POPULARES






Quadras Soltas

Gosto de dançar na rua
Na noite de S. João,
Meu par de dança flutua
Com muito mais emoção.

Tirei da cabeça o gorro
Por respeito ao S. João,
Levei com o alho-porro
Como todo o folião.

A mulher apaixonada,
A dançar nas orvalhadas,
Anda na noite molhada
Ao ritmo das marteladas.

Juvenal Nunes



segunda-feira, 20 de junho de 2022

 HOMENAGEM AOS SANTOS POPULARES





        Trago de novo para primeiro plano a iniciativa da Homenagem aos Santos Populares. 
         Estamos a meio do final desta interação e, apesar da grande popularidade de que auferem 
estes santos, em Portugal, ainda só houve a participação de autores amigos do Brasil.
        Por tal motivo, volto a incentivar todos a uma participação em pleno.

                                                                              
                                                                         


Juvenal Nunes

domingo, 12 de junho de 2022

 POESIA BARROCA





A Morte de F.

Esse jasmim que arminhos desacata,
Essa aurora que nácares aviva,
Essa fonte que aljôfares deriva,
Essa rosa que púrpuras desata;

Troca em cinza voraz lustrosa prata,
Brota em pranto cruel púrpura viva,
Profana em turvo pez prata nativa,
Muda em luto infeliz tersa escarlata.

Jasmim na alvura foi, na luz Aurora,
Fonte na graça, rosa no atributo,
Essa heroica deidade que em luz repousa.

Porém fora melhor que assim não fora,
Pois a ser cinza, pranto, barro e luto,
Nasceu jasmim, aurora, fonte, rosa.

Francisco de Vasconcelos

                                   





       

        Francisco de Vasconcelos é um poeta português nascido na Madeira em 1665, na cidade
do Funchal, tendo falecido em 1723, na mesma cidade.
        1697, foi nomeado ouvidor da Capitania do Funchal.
        É um dos mais importantes poetas barrocos portugueses, de cuja obra se desatacam os títulos
Feudo do Parnaso (1729) e Hecatombe Métrico (1729).


sexta-feira, 10 de junho de 2022

 HOMENAGEM AOS SANTOS POPULARES




        O mês de junho é o mês dos santos populares.
        Por tal motivo, quero convidar todos os amigos, leitores e autores que visitam o Palavras Aladas
para participarem nesta iniciativa.
        Basta uma quadra para que a colaboração fique concretizada. Tão simples quanto isso.

        Quem quiser participar deverá:

       -- postar o texto no seu blog, antecedido do distintivo pictográfico apresentado.

       Saudações poéticas.

                                                           

    Juvenal Nunes


                                                  Participantes:                                

  1ª - Chica: Brincando

  2ª - Toninho: Aos Santos Populares

     3ª  -  Rosélia Bezerra:  Mês Junino

     4ª  -  Maria Lúcia:  Homenagem aos Santos Populares


     6ª -  Mário Margaride: Quadra Popular

      7ª - Amélia: Os Santos Populares

      8ª - Maria: Barraca de Sardinhas

      9ª - Majo Dutra: S. João Alegre

      10ª - Juvenal Nunes: Quadras Soltas

       11ª - Janita: Em Jeito de Desgarrada 






domingo, 5 de junho de 2022

 POEMAS POR TEMAS



   Tema: Desejo

Fanatismo

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver.
Não és sequer razão do meu viver
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No mist'rioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!...

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."

Florbela Espanca


 







        Florbela Espanca dispensa qualquer tipo de apresentação. Poetisa
sobejamente conhecida, exímia sonetista, todos os seus trabalhos se impõem
pela sua elevada qualidade, que não deixa ninguém indiferente.

domingo, 29 de maio de 2022

 POETAS DE PARABÉNS

ANA DANIEL





Quero

Quero o cinzeiro antigo
E a caixa de Pandora
E a cor de fumo do vestido que vesti
No dia em que fui contigo espreitar a hora…

Quero dar passos atrás, sorrindo de querer
Coisas sem sentido
Nos restos do tempo, nas sombras da hora…
Quero
Que os ramos sacudam na minha janela
Toadas de tudo, toadas de nada
Flor amarela da minha alvorada.

Quero pingos de amor
Migalhas confetti e chuvas de cor
Sem tempo contado…
Quero o despertar contigo a meu lado
Quero chuva, quero vento, quero sol
Trancada em fita de laço
Tão longe do mundo – só no teu abraço!

Ana Daniel







        Ana Daniel é o pseudónimo literário de Maria de Lourdes
Oliveira Canellas da Assunção Sousa.
        Nasceu em Lisboa, em 19 de maio de 1028 e faleceu em
Sintra, em 30 de novembro de 2011.
        Venceu alguns prémios pelos seus trabalhos juvenis e foi
galardoada com o Prémio do Concurso de Manuscritos de Poesia Nacional,
de 1969.
        O seu último trabalho impresso em livro foi Nos Olhos das Madrugadas.

quinta-feira, 19 de maio de 2022

 FLAMA


Flama

Depois que o sol se põe
No breu da noite ilumina
Com todo o seu esplendor
A bela e doce Lucina.

Na minha alcova em penumbra
Brilha como a luz da lua
A nudez que me deslumbra
Do teu corpo que insinua
Em pontos de luz e sombra
A acendalha do desejo
Que toda minha alma assombra
E cujo calor almejo.

A bela e doce Lucina
Até se sentir corar
E como casta menina
O luar quer apagar

No amor há uma luz
Que não deixa de brilhar
De noite ou à média luz
Está sempre a cintilar.

Juvenal Nunes



quinta-feira, 12 de maio de 2022

 POESIA BARROCA





Que Amor Sigo?

Que amor sigo? Que busco? Que desejo?
Que enleio é este vão da fantasia?
Que tive? Que perdi? Quem me queria?
Quem me faz guerra? Contra quem pelejo?

Foi por encantamento o meu desejo,
e por sombra passou minha alegria;
mostrou-me Amor, dormindo, o que não via,
e eu ceguei do que vi, pois já não vejo.

Fez à sua medida o pensamento
aquela estranha e nova fermosura
e aquele parecer quase divino.

Ou imaginação, sombra ou figura,
é certo e verdadeiro meu tormento:
Eu morro do que vi, do que imagino.

Francisco Rodrigues Lobo







        Francisco Rodrigues Lobo nasceu em Leiria no ano de 1580 e faleceu
em Lisboa, em 4 de novembro de 1622.
        É considerado por muitos o iniciador do Barroco na Literatura Portuguesa,
com a obra Corte na Aldeia.


quinta-feira, 5 de maio de 2022

 POEMAS POR TEMAS






Tema: Fantasia


Fantasia

Há uma mulher em toda a minha vida,
Que não se chega bem a precisar.
Uma mulher que eu trago em mim perdida,
Sem a poder beijar.

Há uma mulher na minha vida inquieta.
Uma mulher? Há duas, muitas mais,
Que não são vagos sonhos de poeta,
Nem formas irreais.

Mulheres que existem, corpos, realidade,
Têm passado por mim, humanamente,
Deixando, quando partem, a saudade
Que deixa toda a gente.

Mas coisa singular, essa que eu não beijei,
É quem me ilude, é quem me prende e quer.
Com ela sonho e sofro... Só não sei
Quem é essa mulher.

Alfredo Brochado







        Alfredo Brochado nasceu em Amarante, em 1897 e faleceu em Lisboa, em 1949.
        Manifestou sempre um gosto incontornável pela criação poética, que cultivou de par com a sua atividade profissional.
        Era introvertido e emocionalmente frágil o que o conduziria ao suicídio.
        Foi contemporâneo de Pascoaes, que lhe reconheceu valor e prefaciou o livro Bosque Sagrado.