sábado, 11 de julho de 2026

 POETAS DE PARABÉNS

JOÃO LÚCIO





Um amor de dois perfumes


Cantando junto dum lago,
Macio como o seu olhar,
Que se não evaporava
Só para ouvi-la cantar,
A branca visão serena,
Tão leve como a neblina,
Tinha a voz húmida e pura
Como a da luz matutina.
Se ao lírio Deus desse o canto
E desse voz à estrela,
Nunca, a estrela ou o lírio,

Cantariam como ela.
Encantada, que encantava
Fora das humanas normas,
Era uma luz cinzelada,
Ou um aroma com formas.
A seus pés, o manso lago
Desfalecia em desejos,
Com a água arrepiada
De carícias e de beijos.
Um trovador, que os seus olhos
Conseguiram enlear,
Um trovador que ela amava,
Certo dia a quis beijar;
Da visão se evaporaram
As formas tão olorosas,
Deixando toldado o Ar

Com um perfume de rosas.
— Não me beijes que te encantas —
Longínqua voz murmurou
Alá não quer que me beijem;
Inda ninguém me beijou… —
Junto ao lago adormecida,
Achou-a o trovador,
Numa noite em que as estrelas
Andavam tontas de amor.
O lago enrolava as ondas,
Para ver se a alcançava,
E, ao cimo dessas ondas,
Beijos de prata mandava.
O trovador, de joelhos,
Tremendo de comoção,
No peito ouvia ruflar

As asas do coração.
Ia, afinal, dar-lhe um beijo,
Tê-la, afinal, entre os braços;
Com ciúme e raiva, os astros
Rugiam pelos espaços.
Poisou o beijo infinito
Na boca fresca e mimosa,
Como uma asa de luz
Que poisa sobre uma rosa.
Realizou-se o que, Alá,
Já havia anunciado:
Beijou-a, evaporou-se,
Ficou também encantado…
Dois perfumes que voaram
Nessa noite alva e serena…
Por não tornar mais a vê-la,

Finou-se o lago de pena.
Erram, talvez, pelo Céu,
Entre os astros e as procelas,
Espalhando com os beijos
Novos enxames de estrelas;
Ou quem sabe, se na terra,
Prendeu Alá, esse amor,
E se vivem hoje os dois
No cálix dalguma flor!

João Lúcio







        João Lúcio Pousão Pereira, de seu nome completo, nasceu em Olhão a 4 de julho de 1880 e
faleceu na mesma localidade em 26 de outubro de 1918. Foi um excelente advogado e 
um muito bom poeta.
        Dizem que quem quiser conhecer o Algarve basta ler o seu livro O Meu Algarve, obra de referência do poeta.
       O seu legado coloca-o à altura dos grandes nomes da Renascença Portuguesa.

sábado, 4 de julho de 2026

 POEMAS POR TEMAS

CORPO


Tema: Corpo


Olhar e Sentir

Olhar e sentir
por dentro do corpo a massa de que é feito o avesso dele.
Ossos músculos nervos veias
tudo o que está no corpo e mundo é
a pintura contém e depõe na tela e
se acaso aí o pintor deixou reservas
nesse sem nada o avesso do mundo se
recolhe e mostra a face.

Júlio Pomar





        Julio Pomar nasceu em Lisboa em 10 de janeiro de 1926 e faleceu na mesma cidade em 
22 de maio de 2018.
        Tem uma obra multifacetada na pintura, desenho, cerâmica e gravura. Também se evidenciou 
como poeta.
        Foi galardoado nas diferentes áreas em que trabalhou.

terça-feira, 30 de junho de 2026

 BALANÇO FINAL

5ª HOMENAGEM AOS SANTOS POPULARES

UMA QUADRA PARA UM SANTO





Termina hoje o prazo para a participação na iniciativa proposta.
Quero deixar a todos os amigos escritores o meu agradecimento pela boa vontade na colaboração prestada, cujos trabalhos a abrilhantaram e contribuíram para o seu sucesso.
Muito obrigado a todos.
O selo de participação poderá ser guardado no blog de cada um como recordação da sua participação.

Saudações poéticas 
Juvenal Nunes





sexta-feira, 26 de junho de 2026

                                                                                                                                                                       


Participação na iniciativa do Blog de Nuria


Navegar é preciso

À espera da maré
 Para poder navegar,
Desde a proa até à ré
Tanto mar para sulcar.

Também no mar desta vida
Se espera a ocasião
De viagem prometida
Feita com animação.

Importa buscar o rumo,
Que nos conduza a bom porto,
Vogando sempre com prumo,
Com segurança e conforto.

Juvenal Nunes





quarta-feira, 24 de junho de 2026

 SANTOS FESTEIROS

5ª HOMENAGEM AOS SANTOS POPULARES

UMA QUADRA PARA UM SANTO





Santos Festeiros

Santo António abre a festa
Vivida com emoção,
Não há festa como esta
Para grande reinação.

Nas voltas do bailarico,
Na festa do S. João,
Cheira a cravo e a manjerico,
É grande a animação.

S. Pedro fecha os festejos
Celebrados com honor,
Os namorados aos beijos
Provam todo o seu amor.

Juvenal Nunes





quarta-feira, 10 de junho de 2026

 5ª HOMENAGEM AOS SANTOS POPULARES

UMA QUADRA PARA UM SANTO





        O mês de junho consagra e celebra os Santos Populares.
        A exemplo dos anos anteriores convido todos os amigos leitores e escritores a participarem nesta iniciativa.

        Quem quiser participar deverá:

       -- postar o texto no seu blog, antecedido do distintivo pictográfico apresentado.

       Saudações poéticas.
 
       Juvenal Nunes


        Participantes:

                               Rosélia Bezerra - Mês Junino

                                Chica - Chegando São João

                               Veronica Lee - St. Anthony and the Fish Congregation

                                Edite - Vamos lá Minha Gente

                                Maria Luiza - Se Milagres Desejais

                                Emília Simões - Santo António de Lisboa

                                 Cergie - Saint Antoine de Padoue

                                Maria Rodrigues - Santos Populares

                                São - Alegre Dia de Santo António de Lisboa e de Pádua

                                Juvenal Nunes - Santos Festeiros




                       

sábado, 6 de junho de 2026

 POEMAS POR TEMAS

AFEIÇÃO




Tema: Afeição


A um Amigo

Fiel ao costume antigo,
Trago ao meu jovem amigo
Versos próprios deste dia.
E que de os ver tão singelos,
Tão simples como eu, não ria:
Qualquer os fará mais belos,
Ninguém tão d´alma os faria.

Que sobre a flor de seus anos
Soprem tarde os desenganos;
Que em torno os bafeje amor,
Amor da esposa querida,
Prolongando a doce vida
Fruto que sucede à flor.

Recebe este voto, amigo,
Que eu, fiel ao uso antigo,
Quis trazer-te neste dia
Em poucos versos singelos.
Qualquer os fará mais belos,
Ninguém tão d´alma os faria.

Almeida Garrett





        Almeida Garrett nasceu no Porto, em 4 de fevereiro de 1799 e
faleceu em Lisboa, em 9 de dezembro de 1854 .
        Combateu na guerra civil portuguesa de 1828-1834, pelos liberais.
        Foi orador e exerceu cargos políticos. Foi romancista histórico,
dramaturgo e poeta. É uma figura cimeira da Literatura Portuguesa com grande expressividade 
no Romantismo.