União
PALAVRAS ALADAS
As palavras são a matéria-prima da arte poética.
O voo da imaginação transforma-as em palavras aladas.
quarta-feira, 13 de maio de 2026
quarta-feira, 6 de maio de 2026
POEMAS POR TEMAS
CAMPO
Desce em Folhedos Tenros a Colina
Em glaucos, frouxos tons adormecidos,
Que saram, frescos, meus olhos ardidos,
Noa quais a chama do furor declina…
Oh vem, de branco, do imo da folhagem!
Os ramos, leve, tua mão aparte.
Oh vem! Meus olhos querem desposar-te,
Refletir virgem a serena imagem.
De silva doida uma haste esquiva.
Quão delicada te osculou num dedo
Com um aljôfar cor de rosa viva!...
Ligeira a saia… Doce brisa impele-a…
Oh vem! De branco! Do imo do arvoredo!
Alma de silfo, carne de camélia…
Camilo
Pessanha
Camilo Pessanha representa o expoente máximo do simbolismo em língua portuguesa.
Alcançou a imortalidade com o livro Clepsidra.
A 8 de março de 1919 viu o seu talento ser reconhecido com a atribuição do grau de Comendador da Ordem Militar de Sant`Iago da Espada.
terça-feira, 28 de abril de 2026
O MODERNISMO
FLORBELA ESPANCA
Fanatismo
Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!..."
Florbela Espanca
terça-feira, 21 de abril de 2026
POETAS DE PARABÉNS
SEBASTIÃO DA GAMA
Pelo sonho é que vamos
Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.
Chegamos? Não chegamos?
– Partimos. Vamos. Somos.
Sebastião da Gama
Sebastião Artur Cardoso da Gama de seu nome completo nasceu em Vila Nogueira de Azeitão, em 10 de abril de 1924 e faleceu em Lisboa, em 7 de fevereiro de 1952.
Deixou marca na arte da poesia. Colaborou nas revistas Mundo Literário e Távola Redonda.
Preocupou-se com a defesa da serra da Arrábida e da sua ação resultou a criação da Liga para a Proteção da Natureza (LPN). Foi agraciado, a título póstumo, com o grau de Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. Nas mesmas circunstâncias e pelo seu trabalho de docente foi-lhe atribuído o grau de Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública.
sábado, 11 de abril de 2026
O Cortejo das Tochas Floridas
Mote
Festa da Tocha
Florida
Neste domingo sagrado
Prova o milagre da
vida
Em Cristo
ressuscitado.
( José Manuel Pereira Gonçalves )
Tochas Floridas
Nas ruas engalanadas
Reina a fé e a alegria,
Há janelas enfeitadas
Com bom gosto e fantasia
Delas pendem colgaduras,
Que as tornam bem mais belas,
São autênticas molduras
Todas aquelas janelas,
É tradição duma vida
Festa
da Tocha Florida.
Com fervor e devoção
A Procissão da Aleluia
Cumpre a sua tradição
Na festa, ao longo do dia,
E o chão é um tapete
De pétalas de mil cores,
Cada tocha um ramalhete
Feito das mais belas flores,
Num percurso encaminhado
Neste domingo sagrado
E em cada geração
Subsiste o desejo
De manter a tradição,
De manter vivo o cortejo,
Por isso vão em romagem
Com muita fé, devoção,
Prestando assim homenagem
Ao senhor da criação,
Cada festa conseguida
Prova
o milagre da vida.
A vida que desabrocha,
Enfeitando os andores,
Faz parecer cada tocha
Imenso jardim de flores,
Que espalham por todo o ar
Sinais de renovação,
Que se podem aspirar
Pela sua emanação,
Pulsa a vida em todo o lado
Em Cristo ressuscitado
Juvenal Nunes
terça-feira, 7 de abril de 2026
De regresso ao Palavras Aladas e ao convívio de todos os amigos visitantes, leitores e comentadores, aproveito para partilhar algumas imagens do tempo em que estive ausente.







