quarta-feira, 6 de maio de 2026

 POEMAS POR TEMAS

CAMPO




Tema: Campo

Desce em Folhedos Tenros a Colina

Desce em folhedos tenros a colina:
Em glaucos, frouxos tons adormecidos,
Que saram, frescos, meus olhos ardidos,
Noa quais a chama do furor declina…
Oh vem, de branco, do imo da folhagem!
Os ramos, leve, tua mão aparte.
Oh vem! Meus olhos querem desposar-te,
Refletir virgem a serena imagem.
De silva doida uma haste esquiva.
Quão delicada te osculou num dedo
Com um aljôfar cor de rosa viva!...
Ligeira a saia… Doce brisa impele-a…
Oh vem! De branco! Do imo do arvoredo!
Alma de silfo, carne de camélia…

Camilo Pessanha







        De seu nome completo Camilo de Almeida Pessanha, nasceu em Coimbra aos 7 de setembro 
de 1867 e veio a falecer em Macau, a 1 de março de 1926.
        Camilo Pessanha representa o expoente máximo do simbolismo em língua portuguesa.
        Alcançou a imortalidade com o livro Clepsidra.
        A 8 de março de 1919 viu o seu talento ser reconhecido com a atribuição do grau de Comendador da Ordem Militar de Sant`Iago da Espada.

terça-feira, 28 de abril de 2026

 O MODERNISMO

FLORBELA ESPANCA






Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!..."

Florbela Espanca







 Alentejana de Vila Viçosa, Florbela de Alma da Conceição Espanca, de seu nome
completo, nasceu a 8 de dezembro de 1894 e despediu-se do mundo dos vivos, em Matosinhos, 
em 8 de dezembro de 1930.
        Florbela Espanca é uma poeta portuguesa consagrada pela superior qualidade dos seus sonetos.
       O seu talento espraiou-se também, na prosa, como contista.

terça-feira, 21 de abril de 2026

 POETAS DE PARABÉNS

SEBASTIÃO DA GAMA






Pelo sonho é que vamos

Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.

Chegamos? Não chegamos?
– Partimos. Vamos. Somos.
 

Sebastião da Gama









          Sebastião Artur Cardoso da Gama de seu nome completo nasceu em Vila Nogueira de Azeitão, em 10 de abril de 1924 e faleceu em Lisboa, em 7 de fevereiro de 1952.
Deixou marca na arte da poesia. Colaborou nas revistas Mundo Literário e Távola Redonda.
         Preocupou-se com a defesa da serra da Arrábida e da sua ação resultou a criação da Liga para a Proteção da Natureza (LPN).                                                                                                                                 Foi agraciado, a título póstumo, com o grau de Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. Nas mesmas circunstâncias e pelo seu trabalho de docente foi-lhe atribuído o grau de Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública.


sábado, 11 de abril de 2026

 O Cortejo das Tochas Floridas





O Cortejo das Tochas Floridas

Mote

Festa da Tocha Florida

Neste domingo sagrado

Prova o milagre da vida

Em Cristo ressuscitado.

( José Manuel Pereira Gonçalves )


Tochas Floridas

Nas ruas engalanadas

Reina a fé e a alegria,

Há janelas enfeitadas

Com bom gosto e fantasia

Delas pendem colgaduras,

Que as tornam bem mais belas,

São autênticas molduras

Todas aquelas janelas,

É tradição duma vida

Festa da Tocha Florida.


Com fervor e devoção

A Procissão da Aleluia

Cumpre a sua tradição

Na festa, ao longo do dia,

E o chão é um tapete

De pétalas de mil cores,

Cada tocha um ramalhete

Feito das mais belas flores,

Num percurso encaminhado

Neste domingo sagrado


E em cada geração

Subsiste o desejo

De manter a tradição,

De manter vivo o cortejo,

Por isso vão em romagem

Com muita fé, devoção,

Prestando assim homenagem

Ao senhor da criação,

Cada festa conseguida

Prova o milagre da vida.


A vida que desabrocha,

Enfeitando os andores,

Faz parecer cada tocha

Imenso jardim de flores,

Que espalham por todo o ar

Sinais de renovação,

Que se podem aspirar

Pela sua emanação,

Pulsa a vida em todo o lado

Em Cristo ressuscitado


Juvenal Nunes






terça-feira, 7 de abril de 2026

 De regresso ao Palavras Aladas e ao convívio de todos os amigos visitantes, leitores e comentadores, aproveito para partilhar algumas imagens do tempo em que estive ausente.



Monumento às Tochas Floridas em S. Brás de Alportel, enfeitado com flores naturais.



Monumento que perpetua os romeiros do cortejo das Tochas Floridas.



Monumento que homenageia o poeta Bernardo Passos, natural de S. Brás de Alportel.



Representação, com pétalas de flores, de uma igreja de S. Brás de Alportel.


Motivos florais religiosos para a Procissão de Aleluia.



Uma mensagem, mais do que nunca justificada, nos tempos que correm.



Um abraço para todos

Juvenal Nunes

sexta-feira, 3 de abril de 2026

 Informação

Informo todos os amigos visitantes, leitores e comentadores que o Palavras Aladas vai estar em pausa por alguns dias.

Voltarei a dar notícias assim que estiver de volta.

Muito obrigado pela atenção.

Juvenal Nunes



segunda-feira, 30 de março de 2026

 POESIA TRADUZIDA

MIGUEL UNAMUNO






PORTUGAL

Do atlântico mar na praia areosa
uma matrona descalça e desgrenhada
senta-se ao pé de uma serra coroada
por triste pinheiral. Nos joelhos pousa

os cotovelos e nas mãos a ansiosa
face, e olhos de leoa desconfiada
crava no poente; o mar dá a toada
trágica, de altos feitos sonorosa.

Fala de vastas terras e de azares
enquanto ela, seus pés nessas espumas
banhando, sonha no fatal império

que se sumiu nos tenebrosos mares,
e olha como entre agoureiras brumas
se ergue D. Sebastião, rei do mistério.

Miguel Unamuno





Miguel Unamuno nasceu em Bilbau em 29 de setembro de 1864 e faleceu em 31 de dezembro de 1936, em Salamanca. 
Talento multifcetado foi também poeta de nomeada. É o principal representante espanhol do existencialismo cristão.
Foi amigo pessoal de Teixeira de Pascoaes com quem trocava correspondência, estando também unidos pelo projeto comum de iberismo espiritual.