SETEMBRO
PALAVRAS ALADAS
As palavras são a matéria-prima da arte poética.
O voo da imaginação transforma-as em palavras aladas.
terça-feira, 1 de setembro de 2026
terça-feira, 25 de agosto de 2026
O SURREALISMO
MÁRIO CESARINY
Em Todas as Ruas te Encontro
Em todas as ruas te encontroem todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
Tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
Mário Cesariny nasceu em Lisboa em 9 de agosto de 1923 e faleceu na mesma cidade em
26 de novembro de 2006.
Para além de artista plástica é um alto representante do surrealismo português no domínio
da arte poética, que lidera ao lado de outras figuras relevantes como António Pedro,
José Augusto França e Alexandre O`Neill, por exemplo.
domingo, 16 de agosto de 2026
POETAS DE PARABÉNS
ANTÓNIO MARIA LISBOA
com um ombro franjado de túmulos numa mão muito
aberta
Eu num barco a remos a atravessar a janela
da pirâmide com um copo esguio e azul coberto de
escamas
Eu na praia e um vento de agulhas
com um Cavalo-Triângulo enterrado na areia
Eu na noite com um objeto estranho na algibeira
– trago-te Brilhante-Estrela-Sem-Destino coberta de
musgo
António
Maria Lisboa
António Maria Lisboa nasceu em Lisboa a 1 de agosto de 1928 e faleceu na mesma cidade em 11 de novembro de 1953.
Faleceu bastante novo mas produziu trabalho suficiente para o integrar na corrente poética
surrealista.
Foi contemporâneo de Mário Cesariny.
sábado, 8 de agosto de 2026
POEMAS POR TEMAS
MAR
Mar Português
Em 13 de junho de 1888, nasceu em Lisboa o poeta Fernando Pessoa que faleceu na mesma em 30 de novembro de 1935. Manifestou diversas personalidades literárias expressas nos diferentes heterónimos. É figura central do Modernismo português, que se gerou a partir da publicação da revista Orpheu. Foi também um homem multifacetado tendo sido tradutor, publicitário, astrólogo, filósofo, dramaturgo, ensaísta e crítico literário. A verdadeira dimensão da sua obra só foi conhecida postumamente.
segunda-feira, 27 de julho de 2026
ASPIRAÇÃO
Aspiração
Viver sem liberdade é um degredo,
Perdido num recônndito sem voz,
Vaguear sem desvelar o segredo
Na teia emaranhada de mil nós.
Levando em conta todo o enredo
Como em estratégia de dominós,
Para levar ao desfazer do medo
Na destrinça do fio do retrós.
Libertar-nos da carga desse fardo,
Deixando só a cela no seu vazio,
É canção triunfal daquele bardo,
Que por todos os revezes sofridos
Alcançasse de novo, sem desvio,
A força dos seus atos com sentidos.
Juvenal Nunes
segunda-feira, 20 de julho de 2026
O SURREALISMO
O Surrealismo português surge nos anos 40 e é a continuidade lógica e radical do Modernismo.
ALEXANDRE O´NEILL
Gaivota
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse.
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa.
esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração
no meu peito bateria.
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se um português marinheiro.
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de nova brilho
no meu olhar se enlaçasse.
Que perfeito coração
no meu peito bateria.
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu.
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro.
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.
Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.
Alexandre
O'Neill
Alexandre O´Neill nasceu em Lisboa em 19 de dezembro de 1924 e faleceu na mesma cidade em 21 de agosto de 1986.
Integrou o movimento surrealista português e assumiu posições contra o governo de então tendo sido preso pela PIDE.
Postumamente, a sua obra foi reconhecida com a atribuição do título de Grande-Oficial da Antiga, Nobilíssima e Esclarecida Ordem Militar de Sant´Iago da Espada, do Mérito Científico, Literário e Artístico.
sábado, 11 de julho de 2026
POETAS DE PARABÉNS
JOÃO LÚCIO
Um amor de dois perfumes
Macio como o seu olhar,
Que se não evaporava
Só para ouvi-la cantar,
A branca visão serena,
Tão leve como a neblina,
Tinha a voz húmida e pura
Como a da luz matutina.
Se ao lírio Deus desse o canto
E desse voz à estrela,
Nunca, a estrela ou o lírio,
Cantariam como ela.
Encantada, que encantava
Fora das humanas normas,
Era uma luz cinzelada,
Ou um aroma com formas.
A seus pés, o manso lago
Desfalecia em desejos,
Com a água arrepiada
De carícias e de beijos.
Um trovador, que os seus olhos
Conseguiram enlear,
Um trovador que ela amava,
Certo dia a quis beijar;
Da visão se evaporaram
As formas tão olorosas,
Deixando toldado o Ar
Com um perfume de rosas.
— Não me beijes que te encantas —
Longínqua voz murmurou
Alá não quer que me beijem;
Inda ninguém me beijou… —
Junto ao lago adormecida,
Achou-a o trovador,
Numa noite em que as estrelas
Andavam tontas de amor.
O lago enrolava as ondas,
Para ver se a alcançava,
E, ao cimo dessas ondas,
Beijos de prata mandava.
O trovador, de joelhos,
Tremendo de comoção,
No peito ouvia ruflar
As asas do coração.
Ia, afinal, dar-lhe um beijo,
Tê-la, afinal, entre os braços;
Com ciúme e raiva, os astros
Rugiam pelos espaços.
Poisou o beijo infinito
Na boca fresca e mimosa,
Como uma asa de luz
Que poisa sobre uma rosa.
Realizou-se o que, Alá,
Já havia anunciado:
Beijou-a, evaporou-se,
Ficou também encantado…
Dois perfumes que voaram
Nessa noite alva e serena…
Por não tornar mais a vê-la,
Finou-se o lago de pena.
Erram, talvez, pelo Céu,
Entre os astros e as procelas,
Espalhando com os beijos
Novos enxames de estrelas;
Ou quem sabe, se na terra,
Prendeu Alá, esse amor,
E se vivem hoje os dois
No cálix dalguma flor!
João Lúcio
faleceu na mesma localidade em 26 de outubro de 1918. Foi um excelente advogado e
Dizem que quem quiser conhecer o Algarve basta ler o seu livro O Meu Algarve, obra de referência do poeta.
O seu legado coloca-o à altura dos grandes nomes da Renascença Portuguesa.
sábado, 4 de julho de 2026
POEMAS POR TEMAS
CORPO
Olhar e Sentir
Olhar e sentir
por dentro do corpo a massa de que é feito o avesso dele.
Ossos músculos nervos veias
tudo o que está no corpo e mundo é
a pintura contém e depõe na tela e
se acaso aí o pintor deixou reservas
nesse sem nada o avesso do mundo se
recolhe e mostra a face.
Júlio Pomar
Tem uma obra multifacetada na pintura, desenho, cerâmica e gravura. Também se evidenciou
Foi galardoado nas diferentes áreas em que trabalhou.
terça-feira, 30 de junho de 2026
BALANÇO FINAL
5ª HOMENAGEM AOS SANTOS POPULARES
UMA QUADRA PARA UM SANTO
sexta-feira, 26 de junho de 2026
quarta-feira, 24 de junho de 2026
SANTOS FESTEIROS
5ª HOMENAGEM AOS SANTOS POPULARES
UMA QUADRA PARA UM SANTO
Santos Festeiros
Santo António abre a festa
Vivida com emoção,
Não há festa como esta
Para grande reinação.
Nas voltas do bailarico,
Na festa do S. João,
Cheira a cravo e a manjerico,
É grande a animação.
S. Pedro fecha os festejos
Celebrados com honor,
Os namorados aos beijos
Provam todo o seu amor.
Juvenal Nunes
quarta-feira, 10 de junho de 2026
5ª HOMENAGEM AOS SANTOS POPULARES
UMA QUADRA PARA UM SANTO
A exemplo dos anos anteriores convido todos os amigos leitores e escritores a participarem nesta iniciativa.
sábado, 6 de junho de 2026
POEMAS POR TEMAS
AFEIÇÃO
Fiel ao costume antigo,
Trago ao meu jovem amigo
Versos próprios deste dia.
E que de os ver tão singelos,
Tão simples como eu, não ria:
Qualquer os fará mais belos,
Ninguém tão d´alma os faria.
Que sobre a flor de seus anos
Soprem tarde os desenganos;
Que em torno os bafeje amor,
Amor da esposa querida,
Prolongando a doce vida
Fruto que sucede à flor.
Recebe este voto, amigo,
Que eu, fiel ao uso antigo,
Quis trazer-te neste dia
Em poucos versos singelos.
Qualquer os fará mais belos,
Ninguém tão d´alma os faria.
Almeida Garrett
sábado, 30 de maio de 2026
O MODERNISMO
JUDITH TEIXEIRA
Mais Beijos
Devagar...
outro beijo... ou ainda...
O teu olhar, misterioso e lento,
veio desgrenhar
a cálida tempestade
que me desvaira o pensamento!
Mais beijos!...
Deixa que eu, endoidecida,
incendeie a tua boca
e domine a tua vida!
Sim, amor..
deixa que se alongue mais
este momento breve!...
— que o meu desejo subindo
solte a rubra asa
e nos leve!
Judith Teixeira
A temática da obra de Judith Teixeira fez dela uma escritora maldita e proscrita,
na sua época.
Em 1923 envolveram-na na polémica "Literatura de Sodoma" e o seu livro
Nunca é por demais recordá-la considerando a qualidade da sua obra poética.
sábado, 23 de maio de 2026
POETAS DE PARABÉNS
ABADE DE JAZENTE
Amor é um arder que se não sente;
É ferida que dói, e não tem cura;
É febre, que no peito faz secura;
É mal, que as forças tira de repente.
É fogo, que consome ocultamente;
É dor, que mortifica a Criatura;
É ânsia, a mais cruel e a mais impura;
É frágoa, que devora o fogo ardente.
É um triste penar entre lamentos;
É um não acabar sempre penando;
É um andar metido em mil tormentos.
É suspiros lançar de quando em quando;
É quem me causa eternos sentimentos.
É quem me mata e vida me está dando.
Abade de Jazente
Tornou-se conhecido na qualidade de poeta, embora tenha exercido como abade na igreja paroquial de Santa-Maria-de-Jazente, perto de Amarante.
Apesar de clérigo viveu os amores clandestinos com Inês da Cunha, imortalizada como Nise, na sua obra.
Revelou ser um grande sonetista.
quarta-feira, 6 de maio de 2026
POEMAS POR TEMAS
CAMPO
Desce em Folhedos Tenros a Colina
Em glaucos, frouxos tons adormecidos,
Que saram, frescos, meus olhos ardidos,
Noa quais a chama do furor declina…
Oh vem, de branco, do imo da folhagem!
Os ramos, leve, tua mão aparte.
Oh vem! Meus olhos querem desposar-te,
Refletir virgem a serena imagem.
De silva doida uma haste esquiva.
Quão delicada te osculou num dedo
Com um aljôfar cor de rosa viva!...
Ligeira a saia… Doce brisa impele-a…
Oh vem! De branco! Do imo do arvoredo!
Alma de silfo, carne de camélia…
Camilo
Pessanha
Camilo Pessanha representa o expoente máximo do simbolismo em língua portuguesa.
Alcançou a imortalidade com o livro Clepsidra.
A 8 de março de 1919 viu o seu talento ser reconhecido com a atribuição do grau de Comendador da Ordem Militar de Sant`Iago da Espada.
terça-feira, 28 de abril de 2026
O MODERNISMO
FLORBELA ESPANCA
Fanatismo
Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!..."
Florbela Espanca
terça-feira, 21 de abril de 2026
POETAS DE PARABÉNS
SEBASTIÃO DA GAMA
Pelo sonho é que vamos
Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.
Chegamos? Não chegamos?
– Partimos. Vamos. Somos.
Sebastião da Gama
Sebastião Artur Cardoso da Gama de seu nome completo nasceu em Vila Nogueira de Azeitão, em 10 de abril de 1924 e faleceu em Lisboa, em 7 de fevereiro de 1952.
Deixou marca na arte da poesia. Colaborou nas revistas Mundo Literário e Távola Redonda.
Preocupou-se com a defesa da serra da Arrábida e da sua ação resultou a criação da Liga para a Proteção da Natureza (LPN). Foi agraciado, a título póstumo, com o grau de Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. Nas mesmas circunstâncias e pelo seu trabalho de docente foi-lhe atribuído o grau de Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública.
sábado, 11 de abril de 2026
O Cortejo das Tochas Floridas
Mote
Festa da Tocha
Florida
Neste domingo sagrado
Prova o milagre da
vida
Em Cristo
ressuscitado.
( José Manuel Pereira Gonçalves )
Tochas Floridas
Nas ruas engalanadas
Reina a fé e a alegria,
Há janelas enfeitadas
Com bom gosto e fantasia
Delas pendem colgaduras,
Que as tornam bem mais belas,
São autênticas molduras
Todas aquelas janelas,
É tradição duma vida
Festa
da Tocha Florida.
Com fervor e devoção
A Procissão da Aleluia
Cumpre a sua tradição
Na festa, ao longo do dia,
E o chão é um tapete
De pétalas de mil cores,
Cada tocha um ramalhete
Feito das mais belas flores,
Num percurso encaminhado
Neste domingo sagrado
E em cada geração
Subsiste o desejo
De manter a tradição,
De manter vivo o cortejo,
Por isso vão em romagem
Com muita fé, devoção,
Prestando assim homenagem
Ao senhor da criação,
Cada festa conseguida
Prova
o milagre da vida.
A vida que desabrocha,
Enfeitando os andores,
Faz parecer cada tocha
Imenso jardim de flores,
Que espalham por todo o ar
Sinais de renovação,
Que se podem aspirar
Pela sua emanação,
Pulsa a vida em todo o lado
Em Cristo ressuscitado
Juvenal Nunes
















.png)






