sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

 SOLIDÃO




Solidão

Momentos de solidão
Na vida quem os não tem,
A dor dessa punição
A nossa alma contém.

Um ser assim limitado
Pelo pungir da ausência
Fica só e magoado,
Ferido pela carência.

De noite o brilho da lua
No fundo da alma ecoa
Corpo inerte, estátua nua,
Escuridão que magoa.

Há nos traços da lembrança
Uma imagem que persiste,
Um sentir que não se cansa,
Uma dor que não resiste.

Do sentimento ferido
Essa dor agora levo-a,
Do caminho percorrido
Fica apenas uma névoa.

Juvenal Nunes





sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

 O CLASSICISMO




Se Meu Desejo Só é Sempre Ver-vos

Se meu desejo só é sempre ver-vos,
Que causará, senhora, que em vos vendo
Assi me encolho logo, e arrependo,
Que folgaria então poder esquecer-vos?

Se minha glória só é sempre ter-vos
No pensamento meu, porque em querendo
Cuidar em vós, se vai entristecendo?
Nem ousa meu esprito em si deter-vos?

Se por vós só a vida estimo, e quero,
Como por vós a morte só desejo?
Quem achará em tais contrários meio?

Não sei entender o que em mim mesmo vejo.
Mas que tudo é amor, entendo, e creio,
E no que entendo, e creio, nisso espero.

        António Ferreira







          António Ferreira nasceu em Lisboa no ano de 1528, tendo falecido
   na mesma cidade, em 29 de novembro de 1569.
          O seu estro colocou-o no patamar mais elevado dos poetas
   do classicismo renascentista de língua portuguesa, o que lhe
   valeu o epíteto de Horácio Português.
          Por ter sido discípulo de Sá de Miranda aparece aqui representado
   por um soneto.
          A sua principal obra, contudo, é a tragédia Castro escrita em verso
   polimétrico e branco.


sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

 ANO NOVO 2022

        Faltam poucas horas para a viragem da última folha do último dia do calendário.
        Faltam poucas horas para a entrada do novo ano 2022.
        Todos desejamos um novo ano cheio de prosperidades e todos queremos concretizar os projetos que todos e cada um se propõem realizar.
        É com esse espírito que desejo a todos um ano novo



que corresponda aos objetivos de paz, concórdia e felicidade,  que todos pretendem alcançar.
         A vida é um desafio que temos que enfrentar, porque a caminhada continua.





Ano Novo

Ficção de que começa alguma coisa!
Nada começa tudo continua.
Na fluida e incerta essência misteriosa
Da vida, flui em sombra a água nua.
Curvas do rio escondem só o movimento.
O mesmo rio flui só onde se vê.
Começar só começa em pensamento.

Fernando Pessoa






                           

                                    


                               Juvenal Nunes

sábado, 25 de dezembro de 2021

 1º ENCONTRO TEMÁTICO

UM POEMA DE NATAL



        Realizada a Consoada, comemora-se, hoje, o Natal.
        Terminado o Encontro Temático Um Poema de Natal é tempo de fazer balanço.
        Quero expressar, aqui, a minha gratidão a todos os que valorizaram a
iniciativa com as suas prestimosas participações.
        Agradeço, também, a todos os leitores e comentadores que visitaram o espaço,
valorizando-o com a sua visita e positiva interação.
        Para todos os participantes que quiserem usar no seu blog aqui fica um testemunho
de participação.




        Muito obrigado a todos.
        Continuação de Boas Festas

                                Juvenal Nunes

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

 POETAS DE PARABÉNS

OLAVO BILAC




               Um Beijo

Foste o beijo melhor da minha vida,
ou talvez o pior...Glória e tormento,
contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!

Morreste, e o meu desejo não te olvida:
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
e do teu gosto amargo me alimento,
e rolo-te na boca malferida.

Beijo extremo, meu prémio e meu castigo,
batismo e extrema-unção, naquele instante
por que, feliz, eu não morri contigo?

Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
beijo divino! e anseio delirante,
na perpétua saudade de um minuto…

                               Olavo Bilac

                                                     
                                                   





        Olavo Bilac nasceu no Rio de Janeiro, em 18 de dezembro de 1865 e faleceu na mesma 
cidade, em 28 de dezembro de 1918.
        Eleito príncipe dos poetas brasileiros, em 1907, notabilizou-se, também, como
jornalista, cronista e contista. Foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras.
        Autor de uma obra vasta, deu expressão e liderou o Parnasianismo no Brasil.


sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

 1º ENCONTRO TEMÁTICO

UM POEMA DE NATAL






Poema de Natal

Na lapa feita curral
Nasceu Jesus, o Messias,
Nele teve o seu Natal
Conforme as profecias.

Visitaram-no pastores
Com prestimosas ofertas,
Os Magos adoradores
Vieram de almas despertas.

No céu brilha uma luz
Da mais cintilante estrela,
Que esparge e reluz
Com a vibração mais bela
Tal e qual o fez Jesus
Tornando clara a doutrina,
Que aos homens de bem seduz
Pela mensagem divina.

Juvenal Nunes


quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

 XII INTERAÇÃO FRATERNA DE NATAL


CONVERSANDO COM O MENINO DEUS


Conversando com o Menino Deus

A estrela que alumia,
Sobre o teto do curral,
É um farol que nos guia,
Que nos une no Natal.

A contemplar-Te no berço
De Rei feito humildade,
Com confiança converso,
Peço pela Humanidade.

Teu exemplo é melodia
Que conforta corações,
Livra-nos da pandemia,
Ouve as nossas orações.

Juvenal Nunes