quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

 POETAS DE PARABÉNS

AL BERTO





As mãos pressentem a leveza rubra do lume

As mãos pressentem a leveza rubra do lume
repetem gestos semelhantes a corolas de flores
voos de pássaro ferido no marulho da alba
ou ficam assim azuis
queimadas pela secular idade desta luz
encalhada como um barco nos confins do olhar

ergues de novo as cansadas e sábias mãos
tocas o vazio de muitos dias sem desejo
e o amargor húmido das noites e tanta ignorância
tanto ouro sonhado sobre a pele tanta treva
quase nada

Al Berto






    
     Natural de Coimbra, onde nasceu em 11 de janeiro de 1948, faleceu em Lisboa em
13 de junho de 1997.
     Refratário do serviço militar, foi viver para a Bélgica, onde tirou um curso de pintura.
     Apesar disso, decidiu dedicar-se à escrita. Regressou a Portugal, após o 25 de abril de 1974.
     Artista multifacetado, além de poeta foi pintor e animador cultual.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

 Publicação dedicada a Rosélia Bezerra

POEMAS POR TEMAS


Silêncio, nostalgia

Silêncio, nostalgia...
Hora morta, desfolhada,
sem dor, sem alegria,
pelo tempo abandonada. 

Luz de Outono, fria, fria...
Hora inútil e sombria
de abandono.
Não sei se é tédio, sono,
silêncio ou nostalgia. 

Interminável dia
de indizíveis cansaços,
de funda melancolia.
Sem rumo para os meus passos,
para que servem meus braços,
nesta hora fria, fria?

     Fernanda de Castro


Tema: A Nostalgia

     Rosélia Bezerra administrava vários blogs.
    No princípio deste ano, eclipsou-se do mundo da blogosfera.




    Fernanda de Castro é uma poetisa portuguesa, natural de Lisboa, onde também faleceu.
    Mulher de talento multifacetado, também se dedicou à escrita de romances e
teatro.
    Viu o seu trabalho ser-lhe reconhecido, ainda em vida, tendo sido feita Oficial da Antiga,
Nobilíssima e Esclarecida Ordem Militar de Sant`Iago da Espada, do Mérito Científico,
Literário e Artístico.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

                                                                                                                                                                       

                                                                                                                                                                                             Esperançar no Novo Ano



Esperançar

Esta vida é uma labuta,
Que a todos desespera,
Que com lavor se disputa,
Que se vive numa espera.

Mesmo que se não mereça,
Nos meandros desta vida,
Não se evita que aconteça
O azar duma partida.

Há na cor azul do céu                                                                                                                                  O matiz da confiança,
Para o que não descreu
Acreditar na mudança
Que acontece a cada ano.
Vivendo nessa lembrança
Sei que na esperança o verde
Não nos leva ao engano,
Pois quem a crença não perde
Vive sempre na esperança.

        Juvenal Nunes



domingo, 3 de janeiro de 2021

 OS REIS MAGOS


Os Reis Magos

Partiram do Oriente,
Olhos postos no espaço,
Seguindo um rasto de luz,
Tendo sempre bem presente
Viajando  a par e passo,
Na procura de Jesus.

Nessa noite escura e fria
Vão Gaspar e Baltasar
E o rei mago Belchior,
Uma estrela alumia
Servindo de luz e guia
Por um caminho melhor.

Montados nos seus camelos,
Trajando mantéus e sedas 
Artefatos os mais belos,
Por caminhos e veredas
Procuram sempre com fé 
A Jesus de Nazaré.

Chegaram na Epifania,
Ajoelharam no estábulo
Ao Menino que sorria,
Cada qual com o seu pábulo,
Nessa noite de magia
Fizeram conciliábulo.

Na agitação da chegada,
Inquieta-se o Menino
E faz uma leve birra.
Mas após a sua entrada
Belchior não perde o tino 
E dá-lhe um vaso de mirra.

Sob o céu anil imenso,
Duma estrela que reluz,
Aproxima-se Gaspar:
Leva um pote de incenso,
Que presenteia Jesus
Para o purificar.

A seguir a esse instante
Surge logo Baltasar
Com vénia perante o Rei:
Traz um cofre deslumbrante,
De forma retangular,
Repleto de ouro de lei.

Cumpriu-se a profecia,
Que da estrela o sinal 
De no caminho dar luz,
Foi sempre o melhor guia 
Que levaria ao curral
Onde nascera Jesus.

          Juvenal Nunes


sábado, 26 de dezembro de 2020

 POETAS DE PARABÉNS

ALEXANDRE O´NEILL



Gato


Que fazes por aqui, ó gato?

Que ambiguidade vens explorar?

Senhor de ti, avanças, cauto,

meio agastado e sempre a disfarçar

o que afinal não tens e eu te empresto,

ó gato, pesadelo lento e lesto,

fofo no pêlo, frio no olhar!

 

De que obscura força és a morada?

Qual crime de que foste testemunha?

Que deus te deu a repentina unha

que rubrica esta mão, aquela cara?

Gato, cúmplice de um medo

ainda sem palavras, sem enredos,

quem somos nós, teus donos ou teus servos?

 

Alexandre O` Neill





     Alexandre O`Neill nasceu em Lisboa, em 19 de dezembro de 1924 e faleceu, na
mesma cidade, em 21 de agosto de 1986. 
     Fez parte integrante do movimento surrealista português. Marcou posição contra a
política do Estado Novo, mas nunca pertenceu a nenhum partido político.
     Autor de vasta obra tem em Uma Coisa em Forma de Assim o expoente máximo
do seu estro.
 

domingo, 20 de dezembro de 2020

 XI INTERAÇÃO FRATERNA DE NATAL



Alegria na Simplicidade do Natal



Simplesmente Natal


No seu humilde natal,
Na frialdade da palha,
Jesus recusa o esplendor,
Nasce num pobre curral
E a humanidade agasalha
Num belo ato de amor.

Nessa hora de alegria,
Cheia de simplicidade,
Sua luz é melodia
Bem de toda a humanidade.

        Juvenal Nunes

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

 POEMA DE NATAL



ESTRELA DE NATAL
 

Numa gruta, em Belém,

Viu a luz o Deus-Menino,

Nascido da Virgem Mãe

Para cumprir seu destino.

Logo aos vagidos primeiros

Maria muda os cueiros

Humanizando o divino.

 

Arrimado ao seu bordão,

Em atitude zelante,

S. José cumpre a missão

Sempre calmo e vigilante.

Olha a vaca paciente

E o burro que o ambiente

Aquecem com a respiração.

 

Nessa aurora de Natal,

Entoando melodias

Na ordenha matinal,

Pastores das cercanias

Dão das ovelhas o leite,

Que por bem é logo aceite

Guardado nas almofias.

 

Moleiros vindos do rio

Trazem sacos de farinha

Lidando num corrupio

Logo pela manhãzinha,

Para terem pronto o pão

Da primeira refeição,

 Lá no forno da cozinha.

 

Acorrem num alvoroço,

Acodem à Boa Nova,

A Jesus menino e moço.                             

Dos camelos, na corcova,

Chegam mais tarde os Reis Magos

Guiados pelos oragos,                                                       

Que na lapa fazem prova.

 

A estrela que foi guia

Para dar, de noite, a luz,

Ainda hoje irradia

Da pessoa de Jesus.

 

                           Juvenal Nunes