sexta-feira, 18 de setembro de 2026

 POETAS DE PARABÉNS

LUÍS MIGUEL NAVA






Paisagem Citadina

A pele por fulgurantes
instantes muitas vezes abre-se até onde
seria impensável que exercesse
com tão grande rigor o seu domínio.

Não temos então dela senão rápidas
visões, onde os reclames
do coração se cruzam, solitários
e agrestes, refletidos

por trás nos ossos empedrados.
Em certas posições vêem-se as cordas
do nosso espírito esticadas num terraço.

A roupa dói-nos porque, embora
nos cubra a pele, é dentro
do espírito que estão os tecidos amarrados.

Luís Miguel Nava





        Luís Miguel Nava foi um poeta português que nasceu em Viseu, em 29 de setembro de 1957, 
tendo morrido em Bruxelas, assassinado, em 9 de maio de 1995.
        Foi agraciado, em vida, com o Prémio Revelação da Associação Portuguesa de Escritores.

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

 POEMAS POR TEMAS

CAMPO



Tema: Campo


Olha, Marília, as Flautas dos Pastores

Olha, Marília, as flautas dos pastores
Que bem que soam, com estão cadentes!
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes
Os Zéfiros brincar por entre as flores?

Vê como ali beijando-se os Amores
Incitam nossos ósculos ardentes!
Ei-las de planta em planta as inocentes,
As vagas borboletas de mil cores.

Naquele arbusto o rouxinol suspira,
Ora nas folhas a abelhinha para,
Ora nos ares sussurrando gira.

Que alegre campo! Que manhã tão clara!
Mas ah! Tudo o que vês, se eu não te vira,
Mais tristeza que a noite me causara.

Bocage







        De seu nome completo Manuel Maria Barbosa L´Hedois du Bocage nasceu em Setúbal,
em 15 de setembro de 1765 e faleceu em Lisboa, em 21 de dezembro de 1805.
        Poeta irreverente levou  uma vida de boémia, que lhe causou alguns dissabores, tendo chegado a estar preso.
        Foi um grande sonetista.


terça-feira, 1 de setembro de 2026

 SETEMBRO





Setembro

O mês de setembro encerra
A estação do verão,
Há menos calor na terra,,
Vive-se outra condição.

Setembro traz a frescura
Com que esse mês nos brinda
Da fruta cuja doçura
Nos conforta mais ainda.

As folhas mudam de cor
É o outono que desperta,
Na paisagem em redor
O bosque as folhas liberta.

Por este tempo relembro
Minha alma assim desfolhada
Por ter vivido em setembro
Relação apaixonada.


Juvenal Nunes






terça-feira, 25 de agosto de 2026

 O SURREALISMO

MÁRIO CESARINY




Em Todas as Ruas te Encontro

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
Tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que j
á não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco




 




        Mário Cesariny nasceu em Lisboa em 9 de agosto de 1923 e faleceu na mesma cidade em
26 de novembro de 2006.
        Para além de artista plástica é um alto representante do surrealismo português no domínio
da arte poética, que lidera ao lado de outras figuras relevantes como António Pedro,
José Augusto França e Alexandre O`Neill, por exemplo.


domingo, 16 de agosto de 2026

 POETAS DE PARABÉNS

ANTÓNIO MARIA LISBOA





Poema do Começo

Eu num camelo a atravessar o deserto
com um ombro franjado de túmulos numa mão muito
aberta

Eu num barco a remos a atravessar a janela
da pirâmide com um copo esguio e azul coberto de
escamas

Eu na praia e um vento de agulhas
com um Cavalo-Triângulo enterrado na areia

Eu na noite com um objeto estranho na algibeira
– trago-te Brilhante-Estrela-Sem-Destino coberta de
musgo

António Maria Lisboa






        António Maria Lisboa nasceu em Lisboa a 1 de agosto de 1928 e faleceu na mesma cidade em 11 de novembro de 1953.
        Faleceu bastante novo mas produziu trabalho suficiente para o integrar na corrente poética
surrealista.
        Foi contemporâneo de Mário Cesariny.


sábado, 8 de agosto de 2026

 POEMAS POR TEMAS

MAR





Tema: Mar


Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa






        Em 13 de junho de 1888, nasceu em Lisboa o poeta Fernando Pessoa que faleceu na mesma em 30 de novembro de 1935. Manifestou diversas personalidades literárias expressas nos diferentes heterónimos. É figura central do Modernismo português, que se gerou a partir da publicação da revista Orpheu.                                                                                                                                                                   Foi também um homem multifacetado tendo sido tradutor, publicitário, astrólogo, filósofo, dramaturgo, ensaísta e crítico literário. A verdadeira dimensão da sua obra só foi conhecida postumamente.


segunda-feira, 27 de julho de 2026

 ASPIRAÇÃO    





Aspiração

Viver sem liberdade é um degredo,
Perdido num recônndito sem voz,
Vaguear sem desvelar o segredo
Na teia emaranhada de mil nós.

Levando em conta todo o enredo
Como em estratégia de dominós,
Para levar ao desfazer do medo
Na destrinça do fio do retrós.

Libertar-nos da carga desse fardo,
Deixando só a cela no seu vazio,
É canção triunfal daquele bardo,

Que por todos os revezes sofridos
Alcançasse de novo, sem desvio,
A força dos seus atos com sentidos.

Juvenal Nunes





segunda-feira, 20 de julho de 2026

 O SURREALISMO

O Surrealismo português surge nos anos 40 e é a continuidade lógica e radical do Modernismo.

ALEXANDRE O´NEILL






Gaivota

Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse.
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa.
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria.
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro.
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de nova brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria.
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu.
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro.
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.

Alexandre O'Neill





        Alexandre O´Neill nasceu em Lisboa em 19 de dezembro de 1924 e faleceu na mesma          cidade em 21 de agosto de 1986.
        Integrou o movimento surrealista português e assumiu posições contra o governo de então       tendo sido preso pela PIDE.
        Postumamente, a sua obra foi reconhecida com a atribuição do título de Grande-Oficial da    Antiga, Nobilíssima e Esclarecida Ordem Militar de Sant´Iago da Espada, do Mérito Científico, Literário e Artístico.


sábado, 11 de julho de 2026

 POETAS DE PARABÉNS

JOÃO LÚCIO





Um amor de dois perfumes


Cantando junto dum lago,
Macio como o seu olhar,
Que se não evaporava
Só para ouvi-la cantar,
A branca visão serena,
Tão leve como a neblina,
Tinha a voz húmida e pura
Como a da luz matutina.
Se ao lírio Deus desse o canto
E desse voz à estrela,
Nunca, a estrela ou o lírio,

Cantariam como ela.
Encantada, que encantava
Fora das humanas normas,
Era uma luz cinzelada,
Ou um aroma com formas.
A seus pés, o manso lago
Desfalecia em desejos,
Com a água arrepiada
De carícias e de beijos.
Um trovador, que os seus olhos
Conseguiram enlear,
Um trovador que ela amava,
Certo dia a quis beijar;
Da visão se evaporaram
As formas tão olorosas,
Deixando toldado o Ar

Com um perfume de rosas.
— Não me beijes que te encantas —
Longínqua voz murmurou
Alá não quer que me beijem;
Inda ninguém me beijou… —
Junto ao lago adormecida,
Achou-a o trovador,
Numa noite em que as estrelas
Andavam tontas de amor.
O lago enrolava as ondas,
Para ver se a alcançava,
E, ao cimo dessas ondas,
Beijos de prata mandava.
O trovador, de joelhos,
Tremendo de comoção,
No peito ouvia ruflar

As asas do coração.
Ia, afinal, dar-lhe um beijo,
Tê-la, afinal, entre os braços;
Com ciúme e raiva, os astros
Rugiam pelos espaços.
Poisou o beijo infinito
Na boca fresca e mimosa,
Como uma asa de luz
Que poisa sobre uma rosa.
Realizou-se o que, Alá,
Já havia anunciado:
Beijou-a, evaporou-se,
Ficou também encantado…
Dois perfumes que voaram
Nessa noite alva e serena…
Por não tornar mais a vê-la,

Finou-se o lago de pena.
Erram, talvez, pelo Céu,
Entre os astros e as procelas,
Espalhando com os beijos
Novos enxames de estrelas;
Ou quem sabe, se na terra,
Prendeu Alá, esse amor,
E se vivem hoje os dois
No cálix dalguma flor!

João Lúcio







        João Lúcio Pousão Pereira, de seu nome completo, nasceu em Olhão a 4 de julho de 1880 e
faleceu na mesma localidade em 26 de outubro de 1918. Foi um excelente advogado e 
um muito bom poeta.
        Dizem que quem quiser conhecer o Algarve basta ler o seu livro O Meu Algarve, obra de referência do poeta.
       O seu legado coloca-o à altura dos grandes nomes da Renascença Portuguesa.

sábado, 4 de julho de 2026

 POEMAS POR TEMAS

CORPO


Tema: Corpo


Olhar e Sentir

Olhar e sentir
por dentro do corpo a massa de que é feito o avesso dele.
Ossos músculos nervos veias
tudo o que está no corpo e mundo é
a pintura contém e depõe na tela e
se acaso aí o pintor deixou reservas
nesse sem nada o avesso do mundo se
recolhe e mostra a face.

Júlio Pomar





        Julio Pomar nasceu em Lisboa em 10 de janeiro de 1926 e faleceu na mesma cidade em 
22 de maio de 2018.
        Tem uma obra multifacetada na pintura, desenho, cerâmica e gravura. Também se evidenciou 
como poeta.
        Foi galardoado nas diferentes áreas em que trabalhou.

terça-feira, 30 de junho de 2026

 BALANÇO FINAL

5ª HOMENAGEM AOS SANTOS POPULARES

UMA QUADRA PARA UM SANTO





Termina hoje o prazo para a participação na iniciativa proposta.
Quero deixar a todos os amigos escritores o meu agradecimento pela boa vontade na colaboração prestada, cujos trabalhos a abrilhantaram e contribuíram para o seu sucesso.
Muito obrigado a todos.
O selo de participação poderá ser guardado no blog de cada um como recordação da sua participação.

Saudações poéticas 
Juvenal Nunes





sexta-feira, 26 de junho de 2026

                                                                                                                                                                       


Participação na iniciativa do Blog de Nuria


Navegar é preciso

À espera da maré
 Para poder navegar,
Desde a proa até à ré
Tanto mar para sulcar.

Também no mar desta vida
Se espera a ocasião
De viagem prometida
Feita com animação.

Importa buscar o rumo,
Que nos conduza a bom porto,
Vogando sempre com prumo,
Com segurança e conforto.

Juvenal Nunes





quarta-feira, 24 de junho de 2026

 SANTOS FESTEIROS

5ª HOMENAGEM AOS SANTOS POPULARES

UMA QUADRA PARA UM SANTO





Santos Festeiros

Santo António abre a festa
Vivida com emoção,
Não há festa como esta
Para grande reinação.

Nas voltas do bailarico,
Na festa do S. João,
Cheira a cravo e a manjerico,
É grande a animação.

S. Pedro fecha os festejos
Celebrados com honor,
Os namorados aos beijos
Provam todo o seu amor.

Juvenal Nunes





quarta-feira, 10 de junho de 2026

 5ª HOMENAGEM AOS SANTOS POPULARES

UMA QUADRA PARA UM SANTO





        O mês de junho consagra e celebra os Santos Populares.
        A exemplo dos anos anteriores convido todos os amigos leitores e escritores a participarem nesta iniciativa.

        Quem quiser participar deverá:

       -- postar o texto no seu blog, antecedido do distintivo pictográfico apresentado.

       Saudações poéticas.
 
       Juvenal Nunes


        Participantes:

                               Rosélia Bezerra - Mês Junino

                                Chica - Chegando São João

                               Veronica Lee - St. Anthony and the Fish Congregation

                                Edite - Vamos lá Minha Gente

                                Maria Luiza - Se Milagres Desejais

                                Emília Simões - Santo António de Lisboa

                                 Cergie - Saint Antoine de Padoue

                                Maria Rodrigues - Santos Populares

                                São - Alegre Dia de Santo António de Lisboa e de Pádua

                                Juvenal Nunes - Santos Festeiros




                       

sábado, 6 de junho de 2026

 POEMAS POR TEMAS

AFEIÇÃO




Tema: Afeição


A um Amigo

Fiel ao costume antigo,
Trago ao meu jovem amigo
Versos próprios deste dia.
E que de os ver tão singelos,
Tão simples como eu, não ria:
Qualquer os fará mais belos,
Ninguém tão d´alma os faria.

Que sobre a flor de seus anos
Soprem tarde os desenganos;
Que em torno os bafeje amor,
Amor da esposa querida,
Prolongando a doce vida
Fruto que sucede à flor.

Recebe este voto, amigo,
Que eu, fiel ao uso antigo,
Quis trazer-te neste dia
Em poucos versos singelos.
Qualquer os fará mais belos,
Ninguém tão d´alma os faria.

Almeida Garrett





        Almeida Garrett nasceu no Porto, em 4 de fevereiro de 1799 e
faleceu em Lisboa, em 9 de dezembro de 1854 .
        Combateu na guerra civil portuguesa de 1828-1834, pelos liberais.
        Foi orador e exerceu cargos políticos. Foi romancista histórico,
dramaturgo e poeta. É uma figura cimeira da Literatura Portuguesa com grande expressividade 
no Romantismo.

sábado, 30 de maio de 2026

 O MODERNISMO

JUDITH TEIXEIRA






Mais Beijos

Devagar...
outro beijo... ou ainda...
O teu olhar, misterioso e lento,
veio desgrenhar
a cálida tempestade
que me desvaira o pensamento!

Mais beijos!...
Deixa que eu, endoidecida,
incendeie a tua boca
e domine a tua vida!

Sim, amor..
deixa que se alongue mais
este momento breve!...
— que o meu desejo subindo
solte a rubra asa
e nos leve!

Judith Teixeira







        Judith Teixeira nasceu em Viseu, em 25 de janeiro de 1880 e faleceu em Lisboa,
em 17 de maio de 1959.
        A temática da obra de Judith Teixeira fez dela uma escritora maldita e proscrita,
na sua época.
        Em 1923 envolveram-na na polémica "Literatura de Sodoma" e o seu livro
 Decadência foi apreendido.
        Nunca é por demais recordá-la considerando a qualidade da sua obra poética.

sábado, 23 de maio de 2026

 POETAS DE PARABÉNS

ABADE DE JAZENTE








Amor é um Arder

Amor é um arder que se não sente;
É ferida que dói, e não tem cura;
É febre, que no peito faz secura;
É mal, que as forças tira de repente.

É fogo, que consome ocultamente;
É dor, que mortifica a Criatura;
É ânsia, a mais cruel e a mais impura;
É frágoa, que devora o fogo ardente.

É um triste penar entre lamentos;
É um não acabar sempre penando;
É um andar metido em mil tormentos.

É suspiros lançar de quando em quando;
É quem me causa eternos sentimentos.
É quem me mata e vida me está dando.

Abade de Jazente






        De seu nome completo Paulino António Cabral de Vasconcelos viu a luz do dia em Anarante aos 20 de novembro de 1719 e faleceu a 20 de novembro de 1789.
        Tornou-se conhecido na qualidade de poeta, embora tenha exercido como abade na igreja paroquial de Santa-Maria-de-Jazente, perto de Amarante.
        Apesar de clérigo viveu os amores clandestinos com Inês da Cunha, imortalizada como Nise, na sua obra.
        Revelou ser um grande sonetista. 

quarta-feira, 13 de maio de 2026

 União





União

Na caminhada da vida,
Num campo rubro de flores,
Somos dois numa só voz;
Sendo a meta atingida
Conferimos os valores
Indo ao encontro de nós.

Juvenal Nunes





quarta-feira, 6 de maio de 2026

 POEMAS POR TEMAS

CAMPO




Tema: Campo

Desce em Folhedos Tenros a Colina

Desce em folhedos tenros a colina:
Em glaucos, frouxos tons adormecidos,
Que saram, frescos, meus olhos ardidos,
Noa quais a chama do furor declina…
Oh vem, de branco, do imo da folhagem!
Os ramos, leve, tua mão aparte.
Oh vem! Meus olhos querem desposar-te,
Refletir virgem a serena imagem.
De silva doida uma haste esquiva.
Quão delicada te osculou num dedo
Com um aljôfar cor de rosa viva!...
Ligeira a saia… Doce brisa impele-a…
Oh vem! De branco! Do imo do arvoredo!
Alma de silfo, carne de camélia…

Camilo Pessanha







        De seu nome completo Camilo de Almeida Pessanha, nasceu em Coimbra aos 7 de setembro 
de 1867 e veio a falecer em Macau, a 1 de março de 1926.
        Camilo Pessanha representa o expoente máximo do simbolismo em língua portuguesa.
        Alcançou a imortalidade com o livro Clepsidra.
        A 8 de março de 1919 viu o seu talento ser reconhecido com a atribuição do grau de Comendador da Ordem Militar de Sant`Iago da Espada.

terça-feira, 28 de abril de 2026

 O MODERNISMO

FLORBELA ESPANCA






Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!..."

Florbela Espanca







 Alentejana de Vila Viçosa, Florbela de Alma da Conceição Espanca, de seu nome
completo, nasceu a 8 de dezembro de 1894 e despediu-se do mundo dos vivos, em Matosinhos, 
em 8 de dezembro de 1930.
        Florbela Espanca é uma poeta portuguesa consagrada pela superior qualidade dos seus sonetos.
       O seu talento espraiou-se também, na prosa, como contista.

terça-feira, 21 de abril de 2026

 POETAS DE PARABÉNS

SEBASTIÃO DA GAMA






Pelo sonho é que vamos

Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.

Chegamos? Não chegamos?
– Partimos. Vamos. Somos.
 

Sebastião da Gama









          Sebastião Artur Cardoso da Gama de seu nome completo nasceu em Vila Nogueira de Azeitão, em 10 de abril de 1924 e faleceu em Lisboa, em 7 de fevereiro de 1952.
Deixou marca na arte da poesia. Colaborou nas revistas Mundo Literário e Távola Redonda.
         Preocupou-se com a defesa da serra da Arrábida e da sua ação resultou a criação da Liga para a Proteção da Natureza (LPN).                                                                                                                                 Foi agraciado, a título póstumo, com o grau de Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. Nas mesmas circunstâncias e pelo seu trabalho de docente foi-lhe atribuído o grau de Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública.