quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

 A NOVA ARCÁDIA

FRANCISCO JOAQUIM BINGRE




O Caracol e a Lesma

 

Um caracol retorcido

Com a lesma era casado:

Que negra vida com ela

Não padecia o coitado!

 

Ele dormia na casca,

Ela pegada à parede;

Um aranhão lhe chupava

A reima, se tinha sede.

 

Nestes encontros noturnos

Gozavam prazeres mornos:

Ao enroscado marido

Nasceram dois lindos cornos.

 

Ele escondia-os no búzio,

Envergonhado do sol.

Quantos não conheço eu,

Com frontes de caracol?!

 

Francisco Joaquim Bingre










          Francisco Joaquim Bingre nasceu em Canelas, Estarreja, a 9 de junho de 1763 e faleceu 

em Mira, a 26 de março de 1856.

        Foi um poeta pré-romântico e um dos principais cultores da Nova Arcádia.
        Costumava assinar sob o pseudónimo de Francélio Vouguense. Acamaradou com Bocage 

de quem era amigo e tertuliano.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

 POETAS DE PARABÉNS

ANTÓNIO MANUEL COUTO VIANA



Segredo

Fiz uma estátua de neve
(Mas há sol no meu pais!)
A mentira que se escreve
É a verdade com que a fiz.

Pus-lhe uma flor entre os dedos,
Para ver se os aquecia
— Não sei revelar segredos
Sem que floresças, poesia!

Para seres casto, sê breve
— Aonde a estátua de neve?

António Manuel Couto Viana








        António Manuel Couto Viana é natural de Viana do Castelo, cidade onde nasceu
em 24 de janeiro de 1923, vindo a falecer, em Lisboa, em 8 de junho de 2010.
        Começou por ser ator, atividade a que esteve longamente ligado também como empresário, 
diretor e orientador artístico de várias companhias e teatros.
        Poeta largamente consagrado recebeu, nesta qualidade, vários galardões, nomeadamente 
o de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

 POEMAS POR TEMAS

AMOR




Tema: Amor

Estrela da Tarde

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca tardando-lhe o beijo morria.
Quando à boca da noite surgiste na tarde qual rosa tardia
Quando nós nos olhámos, tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos, unidos, ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia.

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça
E o meu corpo te guarde.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria
Ou se és a tristeza.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza!

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram.
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite se deram
E entre os braços da noite, de tanto se amarem, vivendo morreram.

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça
E o meu corpo te guarde.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria
Ou se és a tristeza.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza!

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso se é pranto
É por ti que adormeço e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!

José Carlos Ary dos Santos







        José Carlos Ary dos Santos, de seu nome completo, nasceu em Lisboa em 7 de dezembro 
de 1936, tendo falecido na mesma cidade, em 18 de janeiro de 1984.
        Consagrou-se como declamador e, nas letras portuguesas, como poeta.
        Como letrista de canções colaborou com grandes cantores portugueses, com especial realce 
para Fernando Tordo.
        Foi nessa qualidade que venceu 4 festivais da canção portuguesa, que apuraram Portugal 
para o Festival da Eurovisão.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023



A NOVA ARCÁDIA

        Com o decorrer do tempo a Arcádia foi-se extinguindo ao longo de todo o último quartel do séc. XVIII.
        Em 1790, Domingos Caldas Barbosa faz renascer um novo movimento com o nome de Nova Arcádia. Tal como o movimento anterior pretendia voltar à simplicidade e ao estilo bucólico.
        Aderiram novos cultores, entre os quais Boacage, Francisco Joaquim Bingre, Curvo Semedo, Nicolau Tolentino e Marquesa de Alorna, entre outros. A Nova Arcádia, porém, iria ter uma duração efémera.








Desejo Amante

Elmano, de teus mimos anelante,
Elmano em te admirar, meu bem, não erra;
Incomparáveis dons tua alma encerra,
Ornam mil perfeições o teu semblante:

Granjeias sem vontade a cada instante
Claros triunfos na amorosa guerra:
Tesouro que do Céu vieste à Terra,
Não precisas dos olhos de um amante.

Oh!, se eu pudesse, Amor, oh!, se eu pudesse
Cumprir meu gosto! Se em altar sublime
Os incensos de Jove a Lília desse!

Folgara o coração quanto se oprime;
E a Razão, que os excessos aborrece,
Notando a causa, revelara o crime.

             Bocage






        De seu nome completo Manuel Maria Barbosa L´Hedois du Bocage nasceu em Setúbal, em 15 de setembro de 1765 e faleceu em Lisboa, em 21 de dezembro de 1805.
        Como poeta, distinguiu-se como o mais lídimo representante do arcadismo português.

domingo, 1 de janeiro de 2023

 ANO NOVO 2023

Pela Paz


Pela Paz

Entra agora o novo ano
Em que se espera mudança;
Cada um constrói seu plano,
Alimentando a esperança
Duma vida renovada
Nos quatro cantos da terra
Para tornar eficaz,
Ao longo da caminhada,
Uma vivência sem guerra,
Um mundo em que haja Paz.

Juvenal Nunes



domingo, 25 de dezembro de 2022

 ECOS DO 2º ENCONTRO TEMÁTICO

UM POEMA DE NATAL





       
        Hoje é dia de Natal.
        Neste dia, encerra-se o 2º Encontro Temático cuja iniciativa proporcionou a escrita de um texto acerca do tema proposto Um Poema de Natal..
        Aqui deste canto, no meu lar, entre a lareira e o presépio, agradeço a todos os participantes
que abrilhantaram esta iniciativa tornando-a um sucesso. Agradeço também a todos os visitantes, leitores e comentadores.
        Espero que os propósitos definidos para a comemoração natalícia possam perdurar no tempo, animando-nos e acompanhando-nos ao longo de todo o ano.
        A todos os que quiserem utilizar aqui fica também um demonstrativo da sua participação.
        Um grande bem haja a todos.
        Continuação de Boas Festas.

                    Juvenal Nunes




sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

 2º ENCONTRO TEMÁTICO

UM POEMA DE NATAL





Natal de Esperança

Há uma estrela especial,
Que cintila com mais brilho
Sempre que chega o Natal
Por ter nascido Deus-Filho.
.
No mais humilde curral
E de riquezas despido,
Sob um frio glacial
Foi o Deus-Jesus nascido.

Foram muitos peregrinos, 
Que vieram à chamada
Dos augúrios divinos,
Desde o romper da alvorada.

Viram da estrela o fulgor,
Vieram num corrupio
Envolvidos no amor
Por Deus dado em desafio.

Sinal do mundo em mudança,
É no fulgor dessa luz
Que acalentam nova esperança
Por ter nascido Jesus.

Juvenal Nunes