sexta-feira, 26 de novembro de 2021

 POETAS DE PARABÉNS






Humanidade

Na tarde calma e fria que circula
por entre os eucaliptos e a distância,
olhando as nuvens quase nada rubras
e a névoa consentida pelos montes,
névoa não subindo por não ser
fumo da vida que trabalha e teima,
e olhando uma verdura fugitiva
que a noite no céu queima tão depressa,
esqueço-me que há gente em cada parte,
gente que, de sempre, sofre e morre,
e agora morre mais ou sofre mais,
esqueço-me que a esperança abandonada,
a não ser de ninguém, é sempre minha,
esqueço-me que os homens a renovam,
que o fumo de seus lares sobe nos ares.
Esqueço-me de ouvir cheirar a Terra,
esqueço-me que vivo… E anoitece.

          Jorge de Sena






        Jorge de Sena nasceu em Lisboa, em 2 de novembro de 1919 e faleceu em Santa Bárbara, Califórnia, em 4 de junho de 1978.
        Desenvolveu uma vasta obra no domínio do ensaio, drama, ficção e poesia.
        Depois de ter fracassado na sua carreira, como oficial da marinha, cursou engenharia civil na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.
        Começou a escrever e a publicar em simultâneo com o exercício da sua profissão de engenheiro.
A discordância com a situação política vigente em Portugal e o crescente aumento da sua numerosa família levaram-no até ao Brasil. Ensinou Literatura Portuguesa em Araraquara e fez uma tese de doutoramento em Letras.
        A instauração da ditadura militar no Brasil, em 1964, levou-o para os Estados Unidos, onde foi catedrático de Literatura Comparada na Universidade da Califórnia.
        A Revolução de 25 de Abril de 1974 despertou-lhe a vontade de regressar à Pátria, mas não tendo recebido mostras de interesse pelo seu trabalho preferiu continuar nos Estados Unidos da América.
Faleceu em Santa Bárbara, na Califórnia e os seus restos mortais foram trasladados para Lisboa, em 2009.
        Escreveu o romance Sinais de Fogo e diversos livros de poemas: Perseguição, Coroa da Terra, Pedra Filosofal, Quarenta Anos de Servidão, etc.

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

 VERÃO DE S. MARTINHO





Verão de S. Martinho

Dentro do mês de novembro
Há festa de tradição,
Que com gosto eu relembro
Com seu santo de eleição.

Dos soutos lá das montanhas
É costume bem vetusto
Serem trazidas castanhas
Para a festa do magusto.

O S. Martinho apadrinha
Esta bela tradição
Que toda a gente acarinha
E vive com emoção.

O seu passado revela
Essa lenda que é tão bela:
Numa curva da estrada,
O cavaleiro Martinho
Viu com frio um mendigo;
Cortou a capa com a espada
E num gesto de carinho
Deu metade ao sem-abrigo.

Esse gesto solidário
Feito ao pobre solitário
Fez que o tempo da estação
Fosse de novo verão!

Juvenal Nunes


                                          



sexta-feira, 12 de novembro de 2021

 POEMAS POR TEMAS



Tema - Desejo

Desejo Contido

Meu desejo está preso.
Não sai na voz,
não sai na escrita...
mas está aqui,
ileso,
faminto
pra sussurrar-te aos ouvidos,
escrever-te tremido,
de tanto desejo contido.

Marco Paschoal






                  Marco Paschoal é um poeta de nacionalidade brasileira, tendo
          nascido no Rio de Janeiro, em 03 de março de 1983.
                  Para além da escrita é DJ de música eletrónica e ritmista
          de escola de samba.

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

 CINTILAÇÕES



        Aproveito este espaço para noticiar sobre a publicação do livro CINTILAÇÕES,
da autoria de João Bragança Santos.
        Trata-se da sua primeira obra poética impressa em livro, depois de ter
publicado, em edição de autor, um conjunto de pequenas narrativas históricas,
em prosa, sob a designação de Escrever no Pó - Histórias da História.
        Cintilações depuram, nos trilhos da vida, o resultado da associação entre a sensibilidade
e a estética.

sexta-feira, 5 de novembro de 2021


O CLASSICISMO

     O fim da Idade Média, na sua evolução cultural, trouxe consigo o Renascimento.
     Este movimento de renovação científica, artística e cultural, originou, no seu pendor
literário, o Classicismo. Os grandes representantes do Classicismo português, na arte das letras, 
são Luís de Camões, António Ferreira e Fernão Mendes Pinto. Este na prosa, através da literatura de viagens e, aqueles, na poesia.
     Luís de Camões variou o seu talento de poeta entre a poesia lírica, a poesia épica e o teatro.




Verdes são os Campos

Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.

Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

Luís de Camões





     Luís de Camões nasceu e viveu em Lisboa tendo vivido sempre no Séc. XVI.
     Foi cortesão, fidalgo aventureiro, militar e poeta.
     A sua obra Os Lusíadas, poema épico sobre a odisseia dos portugueses, alcandorou-o a uma 
posição cimeira das letras pátrias e lusófonas.