sábado, 11 de setembro de 2021

 POESIA PALACIANA




Comigo me desavim


Comigo me desavim,
Sou posto em todo perigo;
Não posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.

 

Com dor da gente fugia,
Antes que esta assi crecesse:
Agora já fugiria
De mim , se de mim pudesse.
Que meo espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo,
Pois que trago a mim comigo
Tamanho imigo de mim?

 

            Sá de Miranda



       Sá de Miranda é outro consagrado poeta do Cancioneiro Geral.
        No séc. XVI, é o poeta mais lido depois de Camões.
        Homem muito viajado e culto, a ele se deve a introdução do soneto, 
em Portugal.

61 comentários :

  1. Saborosa Poesia de Sá de Miranda.
    É sempre agradável ver/ler estes Poemas de arte palaciana.
    Obrigado pela mostra.


    Abraço
    SOL da Esteva

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    1. Agradeço a sua visita e o comentário de apoio.
      Abraço amigo.
      Juvenal Nunes

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  2. Poema muito interessante de ler. Gostei muito.
    .
    Feliz fim-de-semana
    .
    Pensamentos e Devaneios Poéticos
    .

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    1. Obrigado pela presença e simpático comentário.
      Abraço amigo.
      Juvenal Nunes

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  3. Muito interessante esta poesia palaciana.
    Gostei muito deste poema de Sá de Miranda.

    Excelente partilha, amigo Juvenal!

    Bom fim de semana!
    Abraço amigo.

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com

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    1. Sempre grato com a sua presença e apreciação crítica.-
      Abraço amigo.
      Juvenal Nunes

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  4. Bom dia de sábado, amigo Juvenal!
    Um poema que retrata a falta de amor próprio.
    Por outro lado, sinto que o autor tem autoconhecimento suficiente... Todos temos algo de "inimigo" em nossas entranhas.
    Tenha um final de semana abençoado!
    Abraços fraternos de paz e bem

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  5. Gostei demais. Por supuesto nao conhecía o Poeta. Existimos no mundo e tambem em nois. E cada vez somos mais.

    Abraco grande.

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    1. Trata-se de um dos mais significativos poetas do séc. XVI português.
      Seja sempre bem-vindo.
      Abraço amigo.
      Juvenal Nunes

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  6. Um poema bonito, mas triste!
    Tinha tudo perante a sociedade, mas na vida lhe faltava algo muito importante para ser feliz.

    Um feliz fim de semana, Juvenal!

    Um abraço amigo

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    1. Obrigado pela presença e assertivo comentário.
      Continuação de bom fim de semana.
      Abraço amigo.
      Juvenal Nunes

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  7. Lindo compartilhamento!Bela poesia! abraços, chica

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    1. Fico grato com a sua simpática visita e apoio demonstrado.
      Abraço de amizade.
      Juvenal Nunes

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  8. Es una belleza este poema. El escrutinio interno, con lo que no gusta de la ptopia personalidad. Gracias por traerlo.
    Un abrazo.

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    1. Muito me apraz a sua presença e o apropriado comentário.
      Abraço forte.
      Juvenal Nunes

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  9. Linda poesia de Sá de Miranda que o poeta Juvenal nos presenteia. Grata pela partilha, amigo!
    Feliz final se semana
    Abraços

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    1. Agradeço à Maria Lúcia a sua visita e o comentário de apreciação.
      Continuação de bom fim de semana.
      Abraço de amizade.
      Juvenal Nunes

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  10. E a razão que tem o poeta. Tanta vez somos os maiores inimigos de nós mesmos. Mas também isso faz falta e não apenas existe.
    Dizê-lo como Sá de Miranda é que não conseguimos. Lê-lo já nos basta.

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    1. Obrigado pela presença e pelas considerações expostas.
      Abraço amigo.
      Juvenal Nunes

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  11. Ah, meu amigo, agora relembrei as aulas de Literatura Portuguesa de 30 anos atrás na Universidade! Grande poeta. Até hoje gosto muito da literatura de Portugal, os poetas atuais são muito talentosos. Um grande abraço

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    1. Apraz-me a sua visita e a evocação feita no comentário.
      Seja sempre bem-vinda.
      Abraço amigo.
      Juvenal Nunes

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  12. Thank you for commenting on my blog! Best wishes.

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    1. É um gosto recebê-la e visitá-la, pelo que não tem nada que agradecer.
      Best wishes.
      Abraço amigo.
      Juvenal Nunes

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  13. Oi Juvenal, gostei muito!
    Desde sempre somos seres em aprendizado. Quando não se suporta a si mesmo o tempo todo é sinal de que devemos nos empenhar em nos conhecermos melhor e mudar o que se reconhece de negativo.
    Adorei a reflexão, bom domingo e um abraço!

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    1. Obrigado pela sua visita e assertivo comentário.
      Abraço amigo.
      Juvenal Nunes

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  14. Sou de letras, Amigo e por isso fui obrigada a estudar a fundo os nossos grandes da literatura e, como era obrigatório, não fazia essa leitura com tanto gosto como a faço hoje; e aqui está o grande Sá de Miranda com um poema que tanto diz sobre a complexidade da alma humana. Quantas vezes não nos zangamos com o nosso eu? Desavindos com certas atitudes tomadas dá-nos vontade de fugir de nós mesmos, mas, na impossibilidade de o fazermos, temos de aceitar que é connosco que temos de conviver e que não adianta fugir; podemos afastar-nos dos outros, se nos causam dor, mas de nós, nunca! Temos de nos aceitar como somos, tentando, claro, corrigir aquilo que perturba a nossa serenidade interior, tornando-nos assim melhores para nós e para os outros. Este mundo tão perturbador, Juvenal, acaba por nos inquietar, mas ele sempre foi assim, o mundo, por isso não é estranho que Sá de Miranda também se sentisse inquieto, amargurado e quisesse fugir desse seu "Eu " inimigo que o fazia sofrer. Foi o que senti ao ler este poema, Amigo, mas cada um que a ler, vai, com certeza , ter outra interpretação. Só o poeta sabia o que lhe ia na alam ao escrever este " desabafo " Obrigada, Amigo, por me recordares Sá de Miranda, poeta que há muito estava, por mim, esquecido. Um abraço e SAÚDE para todos aí em casa
    Emilia

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    1. Faço minhas as suas palavras. De facto, sem o peso da obrigatoriedade apreciamos melhor aquilo de que verdadeiramente gostamos.
      É sempre um gosto recebê-la.
      Seja sempre bem-vinda.
      Abraço amigo.
      Juvenal Nunes

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  15. Sinto o mesmo muita vez - desavença comigo próprio.
    Abraço, boa semana

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    1. Mesmo que isso aconteça, não deixa de ser bom sinal, pois significa que temos consciência de nós próprios.
      Abraço e continuação de boa semana.
      Juvenal Nunes

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  16. Olá, amigo Juvenal.
    Passando por aqui, relendo este excelente de Sá de Miranda, que muito apreciei, e desejar uma feliz semana!
    Abraço amigo.

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com

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    1. Obrigado pela presença e comentário de apoio.
      Abraço amigo.
      Juvenal Nunes

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  17. Um poema muito belo de Sá de Miranda, o organizador do Cancioneiro Geral. Não podemos esquecê-lo.
    Uma boa semana com muita saúde.
    Um beijo.

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    1. Agradeço a visita e o apreço pelo poema de Sá de Miranda.
      Abraço amigo e continuação de boa semana.
      Juvenal Nunes

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  18. Gostei muito do poema, eu mesma por vezes me sinto assim!
    Boa semana!

    marisasclosetblog.com

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    1. É sempre um gosto recebê-la. A sua observação remete-nos para a angústia da existencialidade da pessoa humana.
      Abraço de amizade.
      Juvenal Nunes

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  19. Respostas
    1. Agradeço a sua visita e apreço demonstrados.
      Volte sempre.
      Abraço de amizade.
      Juvenal Nunes

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  20. "Não posso viver comigo
    Nem posso fugir de mim."
    entre os nosssos poetas "modernistas". quem diria melhor?
    abraço poéticos


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    1. Obrigado pela presença e pertinente destaque.
      Abraço amigo.
      Juvenal Nunes

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  21. Riquíssima, Poesia Palaciana de Sá de Miranda!!! Gostei muito de conhecer!
    Destas, que mostram tanto as aflições humanas, dos contraditórios, que nos tangem a alma, vezes ou outra na vida.
    Doce dia, Juvenal, um abraço
    Valéria

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    1. Agradeço a sua presença e o conclusão que reflete a preocupação do autor.
      Abraço amigo.
      Juvenal Nunes

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  22. Olá, amigo Juvenal.
    Passando por aqui, relendo este excelente poema palaciano, de Sá de Miranda, e desejar um feliz dia.
    Abraço amigo.

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com

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  23. Seja sempre bem-vindo.
    Abraço amigo.
    Juvenal Nunes

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  24. "Comigo me desavim"
    Quantas vezes não nos sentimos assim!
    Sá de Miranda belíssimo representante da Poesia Palaciana.
    Muito aprecio as suas publicações, trazendo até nós este género
    grandemente esquecido entre nós.
    Obrigada, meu amigo.
    Abraço
    Olinda

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    1. Obrigado pela sua presença e palas palavras de elogio que funcionam como um bom incentivo.
      Abraço de amizade.
      Juvenal Nunes

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  25. Olá, Juvenal, vim falar sobre o comentário que fez no blog Manoel de Barros, que "o tempo nos desgasta e envelhece". Pode ser, mas e a alma? Se existe, pode ser imortal... Um abraço e bom fim de semana.

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  26. Mesmo que imortal a alma não está isenta de sofrimento, também ele desgastante.
    É sempre bom recebê-la e à sua interessada intervenção.
    Volte sempre.
    Abraço de amizade.
    Juvenal Nunes
    Juvenal Nunes

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  27. A guerra dos contrários dentro do mesmo homem.

    Abraço

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    1. Agradeço a presença e assertivo comentário.
      Volte sempre.
      Abraço amigo.
      Juvenal Nunes

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  28. Também aprecio muito Sá de Miranda.

    Abraço, bom fim de semana

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    1. Obrigado pela visita e apoio demonstrado.
      Abraço e continuação de bom fim de semana.
      Juvenal Nunes

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  29. Olá, amigo Juvenal.
    Passando por aqui, relendo este excelente de Sá de Miranda, e desejar um feliz fim de semana.
    Abraço amigo.

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com

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    1. Seja sempre bem-vindo.
      Continuação de bom fim de semana.
      Abraço poético.
      Juvenal Nunes

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  30. That is intriguing. Have a good weekend.

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    1. Intriguing, but well thought, I guess.
      Continuation of a good weekend.
      Poetic greetings.
      Juvenal Nunes

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  31. Um nome a sublinhar na história da literatura portuguesa.
    Boa recordação, Juvenal

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  32. Relendo reafirmo as opiniões manifestas.

    Abraço
    SOL da Esteva

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  33. Obrigado pela presença.
    Nada a objetar.
    Abraço de poética amizade.
    Juvenal Nunes

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  34. Inquietudes da alma... que atravessam os tempos...
    Um poema... com uma assombrosa actualidade!
    Grata por mais uma formidável partilha, deste género de poesia, que é sempre um gosto imenso, descobrir por aqui!
    Um grande abraço!
    Ana

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  35. Não conhecia e achei muito interessante e bem urdido...

    Glória eterna a Sá de Miranda, o pai do soneto em Língua Portuguesa!...

    Foi um prazer passear pelos seus canteiros. Abraço, Juvenal.
    ~~~~

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