sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

 POETAS DE PARABÉNS

EDUARDO OLÍMPIO





Natal

Perguntei pelo Natal,
indicaram-me os rochedos.
Subi a altas montanhas,
só trouxe sustos e medos.

Um mendigo, previdente,
avisou-me: o Natal
fica na quilha de um barco
que ainda nem é pinhal.

E minha avó, mondadeira
do trigal que eu nunca tive,
dizia desta maneira:
— É dentro desta ribeira,
tecendo os bunhos da esteira,
que o Natal, em brasas, vive.

O vento nada sabia
e a noite, irada, afirmava
que o Natal é o meio-dia
de uma noite inacabada.

Li poemas, li romances,
mondei sonetos na horta:
Do Natal, só as nuances
da fome a rondar a porta.

Até que um dia, ó milagre,
levado pelo coração,
toquei teus seios redondos
- brancas rolas, róseos pombos -
e tive o Natal na mão!

Eduardo Olímpio




   Alentejano de Alvalade do Sado, onde nasceu a 24 de janeiro de 1933, Eduardo Olímpioé um prosador e poeta português.
     Cedo manifestou a sua veia poética, tendo sido bastante acarinhado e apoiado, logo a partir dos
bancos de escola, pelo seu professor.
Apesar da idade continua ativo.

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