sábado, 4 de julho de 2026

 POEMAS POR TEMAS

CORPO


Tema: Corpo


Olhar e Sentir

Olhar e sentir
por dentro do corpo a massa de que é feito o avesso dele.
Ossos músculos nervos veias
tudo o que está no corpo e mundo é
a pintura contém e depõe na tela e
se acaso aí o pintor deixou reservas
nesse sem nada o avesso do mundo se
recolhe e mostra a face.

Júlio Pomar





        Julio Pomar nasceu em Lisboa em 10 de janeiro de 1926 e faleceu na mesma cidade em 
22 de maio de 2018.
        Tem uma obra multifacetada na pintura, desenho, cerâmica e gravura. Também se evidenciou 
como poeta.
        Foi galardoado nas diferentes áreas em que trabalhou.

terça-feira, 30 de junho de 2026

 BALANÇO FINAL

5ª HOMENAGEM AOS SANTOS POPULARES

UMA QUADRA PARA UM SANTO





Termina hoje o prazo para a participação na iniciativa proposta.
Quero deixar a todos os amigos escritores o meu agradecimento pela boa vontade na colaboração prestada, cujos trabalhos a abrilhantaram e contribuíram para o seu sucesso.
Muito obrigado a todos.
O selo de participação poderá ser guardado no blog de cada um como recordação da sua participação.

Saudações poéticas 
Juvenal Nunes





sexta-feira, 26 de junho de 2026

                                                                                                                                                                       


Participação na iniciativa do Blog de Nuria


Navegar é preciso

À espera da maré
 Para poder navegar,
Desde a proa até à ré
Tanto mar para sulcar.

Também no mar desta vida
Se espera a ocasião
De viagem prometida
Feita com animação.

Importa buscar o rumo,
Que nos conduza a bom porto,
Vogando sempre com prumo,
Com segurança e conforto.

Juvenal Nunes





quarta-feira, 24 de junho de 2026

 SANTOS FESTEIROS

5ª HOMENAGEM AOS SANTOS POPULARES

UMA QUADRA PARA UM SANTO





Santos Festeiros

Santo António abre a festa
Vivida com emoção,
Não há festa como esta
Para grande reinação.

Nas voltas do bailarico,
Na festa do S. João,
Cheira a cravo e a manjerico,
É grande a animação.

S. Pedro fecha os festejos
Celebrados com honor,
Os namorados aos beijos
Provam todo o seu amor.

Juvenal Nunes





quarta-feira, 10 de junho de 2026

 5ª HOMENAGEM AOS SANTOS POPULARES

UMA QUADRA PARA UM SANTO





        O mês de junho consagra e celebra os Santos Populares.
        A exemplo dos anos anteriores convido todos os amigos leitores e escritores a participarem nesta iniciativa.

        Quem quiser participar deverá:

       -- postar o texto no seu blog, antecedido do distintivo pictográfico apresentado.

       Saudações poéticas.
 
       Juvenal Nunes


        Participantes:

                               Rosélia Bezerra - Mês Junino

                                Chica - Chegando São João

                               Veronica Lee - St. Anthony and the Fish Congregation

                                Edite - Vamos lá Minha Gente

                                Maria Luiza - Se Milagres Desejais

                                Emília Simões - Santo António de Lisboa

                                 Cergie - Saint Antoine de Padoue

                                Maria Rodrigues - Santos Populares

                                São - Alegre Dia de Santo António de Lisboa e de Pádua

                                Juvenal Nunes - Santos Festeiros




                       

sábado, 6 de junho de 2026

 POEMAS POR TEMAS

AFEIÇÃO




Tema: Afeição


A um Amigo

Fiel ao costume antigo,
Trago ao meu jovem amigo
Versos próprios deste dia.
E que de os ver tão singelos,
Tão simples como eu, não ria:
Qualquer os fará mais belos,
Ninguém tão d´alma os faria.

Que sobre a flor de seus anos
Soprem tarde os desenganos;
Que em torno os bafeje amor,
Amor da esposa querida,
Prolongando a doce vida
Fruto que sucede à flor.

Recebe este voto, amigo,
Que eu, fiel ao uso antigo,
Quis trazer-te neste dia
Em poucos versos singelos.
Qualquer os fará mais belos,
Ninguém tão d´alma os faria.

Almeida Garrett





        Almeida Garrett nasceu no Porto, em 4 de fevereiro de 1799 e
faleceu em Lisboa, em 9 de dezembro de 1854 .
        Combateu na guerra civil portuguesa de 1828-1834, pelos liberais.
        Foi orador e exerceu cargos políticos. Foi romancista histórico,
dramaturgo e poeta. É uma figura cimeira da Literatura Portuguesa com grande expressividade 
no Romantismo.

sábado, 30 de maio de 2026

 O MODERNISMO

JUDITH TEIXEIRA






Mais Beijos

Devagar...
outro beijo... ou ainda...
O teu olhar, misterioso e lento,
veio desgrenhar
a cálida tempestade
que me desvaira o pensamento!

Mais beijos!...
Deixa que eu, endoidecida,
incendeie a tua boca
e domine a tua vida!

Sim, amor..
deixa que se alongue mais
este momento breve!...
— que o meu desejo subindo
solte a rubra asa
e nos leve!

Judith Teixeira







        Judith Teixeira nasceu em Viseu, em 25 de janeiro de 1880 e faleceu em Lisboa,
em 17 de maio de 1959.
        A temática da obra de Judith Teixeira fez dela uma escritora maldita e proscrita,
na sua época.
        Em 1923 envolveram-na na polémica "Literatura de Sodoma" e o seu livro
 Decadência foi apreendido.
        Nunca é por demais recordá-la considerando a qualidade da sua obra poética.

sábado, 23 de maio de 2026

 POETAS DE PARABÉNS

ABADE DE JAZENTE








Amor é um Arder

Amor é um arder que se não sente;
É ferida que dói, e não tem cura;
É febre, que no peito faz secura;
É mal, que as forças tira de repente.

É fogo, que consome ocultamente;
É dor, que mortifica a Criatura;
É ânsia, a mais cruel e a mais impura;
É frágoa, que devora o fogo ardente.

É um triste penar entre lamentos;
É um não acabar sempre penando;
É um andar metido em mil tormentos.

É suspiros lançar de quando em quando;
É quem me causa eternos sentimentos.
É quem me mata e vida me está dando.

Abade de Jazente






        De seu nome completo Paulino António Cabral de Vasconcelos viu a luz do dia em Anarante aos 20 de novembro de 1719 e faleceu a 20 de novembro de 1789.
        Tornou-se conhecido na qualidade de poeta, embora tenha exercido como abade na igreja paroquial de Santa-Maria-de-Jazente, perto de Amarante.
        Apesar de clérigo viveu os amores clandestinos com Inês da Cunha, imortalizada como Nise, na sua obra.
        Revelou ser um grande sonetista. 

quarta-feira, 13 de maio de 2026

 União





União

Na caminhada da vida,
Num campo rubro de flores,
Somos dois numa só voz;
Sendo a meta atingida
Conferimos os valores
Indo ao encontro de nós.

Juvenal Nunes





quarta-feira, 6 de maio de 2026

 POEMAS POR TEMAS

CAMPO




Tema: Campo

Desce em Folhedos Tenros a Colina

Desce em folhedos tenros a colina:
Em glaucos, frouxos tons adormecidos,
Que saram, frescos, meus olhos ardidos,
Noa quais a chama do furor declina…
Oh vem, de branco, do imo da folhagem!
Os ramos, leve, tua mão aparte.
Oh vem! Meus olhos querem desposar-te,
Refletir virgem a serena imagem.
De silva doida uma haste esquiva.
Quão delicada te osculou num dedo
Com um aljôfar cor de rosa viva!...
Ligeira a saia… Doce brisa impele-a…
Oh vem! De branco! Do imo do arvoredo!
Alma de silfo, carne de camélia…

Camilo Pessanha







        De seu nome completo Camilo de Almeida Pessanha, nasceu em Coimbra aos 7 de setembro 
de 1867 e veio a falecer em Macau, a 1 de março de 1926.
        Camilo Pessanha representa o expoente máximo do simbolismo em língua portuguesa.
        Alcançou a imortalidade com o livro Clepsidra.
        A 8 de março de 1919 viu o seu talento ser reconhecido com a atribuição do grau de Comendador da Ordem Militar de Sant`Iago da Espada.

terça-feira, 28 de abril de 2026

 O MODERNISMO

FLORBELA ESPANCA






Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!..."

Florbela Espanca







 Alentejana de Vila Viçosa, Florbela de Alma da Conceição Espanca, de seu nome
completo, nasceu a 8 de dezembro de 1894 e despediu-se do mundo dos vivos, em Matosinhos, 
em 8 de dezembro de 1930.
        Florbela Espanca é uma poeta portuguesa consagrada pela superior qualidade dos seus sonetos.
       O seu talento espraiou-se também, na prosa, como contista.

terça-feira, 21 de abril de 2026

 POETAS DE PARABÉNS

SEBASTIÃO DA GAMA






Pelo sonho é que vamos

Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.

Chegamos? Não chegamos?
– Partimos. Vamos. Somos.
 

Sebastião da Gama









          Sebastião Artur Cardoso da Gama de seu nome completo nasceu em Vila Nogueira de Azeitão, em 10 de abril de 1924 e faleceu em Lisboa, em 7 de fevereiro de 1952.
Deixou marca na arte da poesia. Colaborou nas revistas Mundo Literário e Távola Redonda.
         Preocupou-se com a defesa da serra da Arrábida e da sua ação resultou a criação da Liga para a Proteção da Natureza (LPN).                                                                                                                                 Foi agraciado, a título póstumo, com o grau de Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. Nas mesmas circunstâncias e pelo seu trabalho de docente foi-lhe atribuído o grau de Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública.


sábado, 11 de abril de 2026

 O Cortejo das Tochas Floridas





O Cortejo das Tochas Floridas

Mote

Festa da Tocha Florida

Neste domingo sagrado

Prova o milagre da vida

Em Cristo ressuscitado.

( José Manuel Pereira Gonçalves )


Tochas Floridas

Nas ruas engalanadas

Reina a fé e a alegria,

Há janelas enfeitadas

Com bom gosto e fantasia

Delas pendem colgaduras,

Que as tornam bem mais belas,

São autênticas molduras

Todas aquelas janelas,

É tradição duma vida

Festa da Tocha Florida.


Com fervor e devoção

A Procissão da Aleluia

Cumpre a sua tradição

Na festa, ao longo do dia,

E o chão é um tapete

De pétalas de mil cores,

Cada tocha um ramalhete

Feito das mais belas flores,

Num percurso encaminhado

Neste domingo sagrado


E em cada geração

Subsiste o desejo

De manter a tradição,

De manter vivo o cortejo,

Por isso vão em romagem

Com muita fé, devoção,

Prestando assim homenagem

Ao senhor da criação,

Cada festa conseguida

Prova o milagre da vida.


A vida que desabrocha,

Enfeitando os andores,

Faz parecer cada tocha

Imenso jardim de flores,

Que espalham por todo o ar

Sinais de renovação,

Que se podem aspirar

Pela sua emanação,

Pulsa a vida em todo o lado

Em Cristo ressuscitado


Juvenal Nunes






terça-feira, 7 de abril de 2026

 De regresso ao Palavras Aladas e ao convívio de todos os amigos visitantes, leitores e comentadores, aproveito para partilhar algumas imagens do tempo em que estive ausente.



Monumento às Tochas Floridas em S. Brás de Alportel, enfeitado com flores naturais.



Monumento que perpetua os romeiros do cortejo das Tochas Floridas.



Monumento que homenageia o poeta Bernardo Passos, natural de S. Brás de Alportel.



Representação, com pétalas de flores, de uma igreja de S. Brás de Alportel.


Motivos florais religiosos para a Procissão de Aleluia.



Uma mensagem, mais do que nunca justificada, nos tempos que correm.



Um abraço para todos

Juvenal Nunes

sexta-feira, 3 de abril de 2026

 Informação

Informo todos os amigos visitantes, leitores e comentadores que o Palavras Aladas vai estar em pausa por alguns dias.

Voltarei a dar notícias assim que estiver de volta.

Muito obrigado pela atenção.

Juvenal Nunes



segunda-feira, 30 de março de 2026

 POESIA TRADUZIDA

MIGUEL UNAMUNO






PORTUGAL

Do atlântico mar na praia areosa
uma matrona descalça e desgrenhada
senta-se ao pé de uma serra coroada
por triste pinheiral. Nos joelhos pousa

os cotovelos e nas mãos a ansiosa
face, e olhos de leoa desconfiada
crava no poente; o mar dá a toada
trágica, de altos feitos sonorosa.

Fala de vastas terras e de azares
enquanto ela, seus pés nessas espumas
banhando, sonha no fatal império

que se sumiu nos tenebrosos mares,
e olha como entre agoureiras brumas
se ergue D. Sebastião, rei do mistério.

Miguel Unamuno





Miguel Unamuno nasceu em Bilbau em 29 de setembro de 1864 e faleceu em 31 de dezembro de 1936, em Salamanca. 
Talento multifcetado foi também poeta de nomeada. É o principal representante espanhol do existencialismo cristão.
Foi amigo pessoal de Teixeira de Pascoaes com quem trocava correspondência, estando também unidos pelo projeto comum de iberismo espiritual.


segunda-feira, 23 de março de 2026

 POEMAS POR TEMAS

BELEZA




Tema: Beleza


Menina

Menina de olhar sereno
Raiando pela manhã
De seio duro e pequeno
Num coletinho de lã
Menina cheirando a feno
Casado com hortelã.

Menina que no caminho
Vais pisando formosura
Levas nos olhos um ninho
Todo em penas de ternura.
Menina de andar de linho
Com um ribeiro à cintura.

Menina de saia aos folhos
quem te vê fica lavado
água da sede dos olhos
pão que não foi amassado.

Menina de riso aos molhos
minha seiva de pinheiro
menina de saia aos folhos
alfazema sem canteiro.

Menina de corpo inteiro
com tranças de madrugada
que se levanta primeiro
do que a terra alvoroçada.

Menina de fato novo
ave-maria da terra
rosa brava rosa povo
brisa do alto da serra.

José Carlos Ary dos Santos







        José Carlos Ary dos Santos, de seu nome completo, nasceu em Lisboa em 7 de dezembro 
de 1936, tendo falecido na mesma cidade, em 18 de janeiro de 1984.
        Consagrou-se como declamador e, nas letras portuguesas, como poeta.
        Como letrista de canções colaborou com grandes cantores portugueses, com especial realce 
para Fernando Tordo.
        Foi nessa qualidade que venceu 4 festivais da canção portuguesa, que apuraram Portugal 
para o Festival da Eurovisão.

segunda-feira, 16 de março de 2026

 O MODERNISMO

ALMADA NEGREIROS






O Eco

Tão tarde. Adão não vem ? Aonde iria Adão?
Talvez que fosse à caça; quer fazer surpresas com alguma corça branca lá da
floresta.
Era pelo entardecer, e Eva sentia cuidados por tantas demoras.
Foi chamar ao cimo dos rochedos, e uma voz de mulher também, também chamou
Adão.
Teve medo: Mas julgando fantasia chamou de novo: Adão? E uma voz de mulher
também, também chamou Adão.
Foi-se triste para a tenda.
Adão já tinha vindo e trouxera as setas todas, e a caça era nenhuma!
E ele a saudá-la ameaçou-lhe um beijo e ela fugiu-lhe.

__ Outra que não ela chamara também por ele.

Almada Negreiros





        Artista de vibrante fulgor, Almada Negreiros nasceu em S. Tomé e Príncipe,
em 7 de abril de 1893 e faleceu em Lisboa, em 15 de junho de 1970. Cedo se
revelou precoce, pelo que foi um autodidata.
        O seu génio multifacetado espraiou-se pelas artes plásticas, pontificando
no desenho e na pintura e pela escrita, sobressaindo no romance,
poesia, dramaturgia e ensaio.
        Colaborou ativamente nas revistas Presença e Orpheu.
        É um dos principais representantes do modernismo português.

sexta-feira, 6 de março de 2026

 

AS CORES DO MEU REAL (JUEVES)




Paleta de Cores


Vasta paleta de cores
Não há noutra estação
A não ser na primavera,
Num tempo em que as flores,
Em completa redenção,
Não têm tempo de espera
Para pintarem a tela
Da paisagem a mais bela.

Cada qual no seu matiz
Dão ao mundo um ar feliz,
Não permitindo a quem olha
Decidir qualquer escolha.

Juvenal Nunes






                Aqui publico a minha participação ao desafio proposto pela amiga Rosélia.

segunda-feira, 2 de março de 2026

 POETAS DE PARABÉNS

CARLOS FARIA





Mapa-mundo

Aprendo, nas ilhas pequenas, que o mundo é exatamente do seu tamanho:
Sem filosofia nem cálculos matemáticos.
Golegã ou Nova Iorque?
São Jorge ou Madrid?
Espaço onde caiba um homem, e a sua geografia será história…
A ilha é pequena?
A ilha é pequena, sim? E depois?
O espaço que falta a uma ilha, seria se houvesse mais espaço, o espaço que sobejaria!

Carlos Faria





        Carlos Faria, de seu nome completo Carlos Patrício Barata Faria, nasceu na Golegã,
em 2 de março de 1929 e faleceu en Cascais em 16 de janeiro de 2010.
        Notabilizou-se como poeta tornando-se um apaixonado pelos Açores, em especial pela 
ilha de S. Jorge. Foi nos Açores que fundou, nos jornais locais, algumas páginas literárias que alcançaram gtande notoriedade.