sábado, 23 de maio de 2026

 POETAS DE PARABÉNS

ABADE DE JAZENTE








Amor é um Arder

Amor é um arder que se não sente;
É ferida que dói, e não tem cura;
É febre, que no peito faz secura;
É mal, que as forças tira de repente.

É fogo, que consome ocultamente;
É dor, que mortifica a Criatura;
É ânsia, a mais cruel e a mais impura;
É frágoa, que devora o fogo ardente.

É um triste penar entre lamentos;
É um não acabar sempre penando;
É um andar metido em mil tormentos.

É suspiros lançar de quando em quando;
É quem me causa eternos sentimentos.
É quem me mata e vida me está dando.

Abade de Jazente






        De seu nome completo Paulino António Cabral de Vasconcelos viu a luz do dia em Anarante aos 20 de novembro de 1719 e faleceu a 20 de novembro de 1789.
        Tornou-se conhecido na qualidade de poeta, embora tenha exercido como abade na igreja paroquial de Santa-Maria-de-Jazente, perto de Amarante.
        Apesar de clérigo viveu os amores clandestinos com Inês da Cunha, imortalizada como Nise, na sua obra.
        Revelou ser um grande sonetista. 

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