sexta-feira, 25 de setembro de 2026

 O SURREALISMO

ARTUR CRUZEIRO SEIXAS





Era um Pássaro Alto

Era um pássaro alto como um mapa
e que devorava o azul
como nós devoramos o nosso amor.

Era a sombra de uma mão sozinha
num espaço impossivelmente vasto
perdido na sua própria extensão.

Era a chegada de uma muito longa viagem
diante de uma porta de sal
dentro de um pequeno diamante.

Era um arranha-céus
regressado do fundo do mar.

Era um mar em forma de serpente
dentro da sombra de um lírio.

Era a areia e o vento
como escravos
atados por dentro ao azul do luar.

Artur Cruzeiro Seixas





        Cruzeiro Seixas, Artur Manuel Rodrigues do Cruzeiro Seixas de seu nome completo viu a luz
do dia na Amadora em 3de dezembro de 1929 e faleceu em Lisboa em 8 de novembro de 2020.
        Fez amizade com outros vultos do surrealsmo português como Mário Cesariny e Júlio Pomar.
        Viajou bastante e foi agraciado, em vida, com o grau de Grande-Oficial da Antiga, Nobilíssima e Esclarecida Ordem Militar de Sant´Iago da Espada, do Mérito Científico, Literário e Artístico.
        Começou a sua carreira próximo do neorrealismo, mas aderiu, definitivamente, aos princípios do surrealismo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

 POETAS DE PARABÉNS

LUÍS MIGUEL NAVA






Paisagem Citadina

A pele por fulgurantes
instantes muitas vezes abre-se até onde
seria impensável que exercesse
com tão grande rigor o seu domínio.

Não temos então dela senão rápidas
visões, onde os reclames
do coração se cruzam, solitários
e agrestes, refletidos

por trás nos ossos empedrados.
Em certas posições vêem-se as cordas
do nosso espírito esticadas num terraço.

A roupa dói-nos porque, embora
nos cubra a pele, é dentro
do espírito que estão os tecidos amarrados.

Luís Miguel Nava





        Luís Miguel Nava foi um poeta português que nasceu em Viseu, em 29 de setembro de 1957, 
tendo morrido em Bruxelas, assassinado, em 9 de maio de 1995.
        Foi agraciado, em vida, com o Prémio Revelação da Associação Portuguesa de Escritores.

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

 POEMAS POR TEMAS

CAMPO



Tema: Campo


Olha, Marília, as Flautas dos Pastores

Olha, Marília, as flautas dos pastores
Que bem que soam, com estão cadentes!
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes
Os Zéfiros brincar por entre as flores?

Vê como ali beijando-se os Amores
Incitam nossos ósculos ardentes!
Ei-las de planta em planta as inocentes,
As vagas borboletas de mil cores.

Naquele arbusto o rouxinol suspira,
Ora nas folhas a abelhinha para,
Ora nos ares sussurrando gira.

Que alegre campo! Que manhã tão clara!
Mas ah! Tudo o que vês, se eu não te vira,
Mais tristeza que a noite me causara.

Bocage







        De seu nome completo Manuel Maria Barbosa L´Hedois du Bocage nasceu em Setúbal,
em 15 de setembro de 1765 e faleceu em Lisboa, em 21 de dezembro de 1805.
        Poeta irreverente levou  uma vida de boémia, que lhe causou alguns dissabores, tendo chegado a estar preso.
        Foi um grande sonetista.


terça-feira, 1 de setembro de 2026

 SETEMBRO





Setembro

O mês de setembro encerra
A estação do verão,
Há menos calor na terra,,
Vive-se outra condição.

Setembro traz a frescura
Com que esse mês nos brinda
Da fruta cuja doçura
Nos conforta mais ainda.

As folhas mudam de cor
É o outono que desperta,
Na paisagem em redor
O bosque as folhas liberta.

Por este tempo relembro
Minha alma assim desfolhada
Por ter vivido em setembro
Relação apaixonada.


Juvenal Nunes