segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

We Three Kings - Clamavi De Profundis


   OS REIS MAGOS


OS REIS MAGOS


A quadra de Natal encerra as festividades natalícias com a Epifania. Trata-se de uma comemoração, consagrada pela Igreja Católica, que celebra a chegada dos reis magos ao estábulo de Belém, no dia 6 de janeiro.
A Bíblia refere a adoração dos reis pelo testemunho de São Mateus, no capítulo 2.9-12 do seu evangelho. São Mateus é, aliás, o único que se lhes refere sem contudo lhes atribuir nome. Do que escreve se depreende que foi a tradição popular que os considerou reis. Não há certezas a esse respeito julgando-se mais acertado considera-los sábios, astrónomos ou astrólogos, mas que, face às oferendas feitas, eram pessoas abastadas e de posses.
Ao seguirem a estrela diz o evangelista referido que foi pelo efeito de uma revelação interior que descobriram a relação entre o astro e o Messias.
Deve-se também à tradição o saber-se que eram três, em função das dádivas efetuadas, sendo os seus nomes referidos nos Evangelhos Apócrifos da Infância de Jesus. Chegaram a Belém montados em camelos e depararam com o Deus-Menino nascido em humilde manjedoura, rodeado pelos seus pais, na companhia de um burro de sage postura e de uma paciente vaca meditativa. Em função da sua aparição, assim expresso o meu canto poético:

Os magos do Oriente
Abrem ao Rei seu tesouro,
Cada qual com o seu presente
De mirra, incenso e ouro,
Pois um caminho de Luz
À manjedoura os conduz.

Adiantou-se Gaspar com a sua oferenda de incenso, cuja utilização nos templos simbolizava a espiritualidade. Seguidamente Belchior ofereceu mirra, dádiva de grande valor na época, porque era usada em embalsamentos e representava a imortalidade. Finalmente Baltasar ofereceu ouro, presente próprio da dignidade devida a um rei.
Diz-nos São Mateus que os magos haviam indagado, junto de Herodes, em Jerusalém, pelo rei dos judeus, que acabara de nascer. Aturdido, Herodes convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo que o esclareceram acerca do assunto, baseados no escrito do profeta. Herodes, então, informou os magos de que deviam continuar viajem até Belém. Apenas lhes solicitou que o fizessem sabedor, assim que o encontrassem, para que também pudesse acorrer a adorá-lo. Os magos, avisados em sonhos para não tornarem a Herodes, regressaram às suas terras por outro caminho.
A festividade natalícia dos reis está na origem de algumas tradições que as pessoas foram cumprindo ao longo dos tempos.
Há em Portugal o costume de se cantarem as Janeiras e os Reis, usança que há décadas atrás também pude vivenciar. As diferentes designações não são aleatórias e devem explicar- se.
As Janeiras começam a um de janeiro e vão até ao dia 6 (dia de Reis). Saúdam a entrada do novo ano e os cantadores, designados janeireiros, recebem dádivas em géneros.
Os Reis são cantados entre o dia 5 e o dia 20 de janeiro. Comunicam o nascimento de Jesus, regalando-se os cantadores, designados reiseiros, com produtos do fumeiro, frutos secos, bebidas e doces. Ambas as situações podiam ser, também, contempladas com óbolos de natureza pecuniária.
Há zonas do país em que grupos organizados de pessoas vão cantando, de porta em porta, fazendo-se acompanhar de instrumentos musicais populares. Para além da alegria proporcionada por essa função confraternizam, entre si, com os produtos obtidos.
O escritor Aquilino Ribeiro, nos seus escritos, refere algumas quadras populares, cantadas em função desta popular tradição. Num dos seus livros, que justifica como o «… despetalar outonal de saudades,…», aborda o assunto desta tradição da seguinte forma: «Na alba do Ano Novo, ainda as árvores de caroço pela folha e os carvalhos pelos cerros pareciam rocas, grandes rocas carregadas de lã ruça, romperam os ranchos a pedir as janeiras.» --  …… -- «Estava um frio de rachar, dos beirais pendiam candeias de caramelo, e os rapazes, de pata ao léu, batiam o dente e sopravam às mãos encalidas.»
O retrato, revelado por estes excertos, transmite-nos o aticismo próprio do autor, verdadeiro mestre de língua.
Nos tempos que correm os rapazes já não andam de pata ao léu, embora o frio da época possa levar à reação de soprar às mãos entanguidas.
São outras as dificuldades que agora atravessamos mas a evocação da aparição dos reis magos, com o seu manancial de riquezas, faz-nos sonhar, perante o aumento do custo de vida, que sempre se agudiza no início de cada ano.

                                                                           Juvenal Nunes                          











7 comentários :

  1. Olá, Juvenal!
    Um video que não conhecia e lindíssimo, por sinal.
    O texto não fica atrás, naturalmente, mas devo lhe confessar que creio em revelações internas, Sopros do Espírito e acontece no cotidiano até hoje em circunstâncias especiais.
    Tenha dias abençoados!
    Abraços fraternos de paz e bem

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  2. Grato pela visita e apreço revelados.
    Felicidades e abraço fraterno.
    Juvenal Nunes

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  3. Gostei do texto e do vídeo tão espiritual.
    Um beijo.

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  4. Obrigado, querida Graça. O seu apreço deixa-me sempre lisonjeado.
    Espero que tenha um novo ano com tudo de bom.
    Juvenal Nunes

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  5. Agradeço a visita, retribuindo o abraço e os votos de bom fim de semana.
    Juvenal Nunes

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