POETAS DE PARABÉNS
MANUEL RUI
Quissange
Serenata
Caem à noite pedras
sobre o templo
do silêncio
de espaço
um ruído de automóvel
um toque de sinos de uma igreja
monotonia diurna que não quebra
a queda das pedras
no silêncio
De dia o templo é
noite
e à noite há o silêncio
o esgaravatar de uma gaivota em fogo
o estalar de folhas novas
numa árvore
sabendo a vício este cigarro
de cheira a seiva dos pinheiros
E as pedras caem
como chuva ou neve
todas as noites que noites
já são poucas
E a seiva pedra sobre o templo
e a gaivota
o vício
a folha
quebrando este silêncio
Onde as guitarras?
Os quissanges acontecem longe
Manuel Rui
De seu nome completo Manuel Rui Alves Monteiro, nasceu no Huambo, a 4 de novembro
de 1941.
Estudou na universidade de Coimbra, onde se formou em Direito.
Após o 25 de abril regressou a Angola onde assumiu diversos cargos académicos e políticos.
Estudou na universidade de Coimbra, onde se formou em Direito.
Após o 25 de abril regressou a Angola onde assumiu diversos cargos académicos e políticos.
A letra do hino nacional de Angola é de sua autoria.
É autor de vasta obra em prosa e em poesia.
É autor de vasta obra em prosa e em poesia.
Quissange, de que apresentamos uma imagem, é o nome de um instrumento musical, que
faz parte do espólio tradicional de Angola.


Linda poesia e gostei de conhecer o poeta homenageado!
ResponderEliminarLindo dia!
abraços, chica
Obrigado, Chica, pela visita e pelo comentário de apoio e apreço.
EliminarContinuação de boa semana.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
La vida son esas piedras que caen en la noche y esas gaviotas en llamas.. ¿traerán un mensaje?
ResponderEliminarEm tudo é possível ver uma diferente forma de comunicar.
EliminarTodas as interpretações são possíveis.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
Bom dia de paz, amigo Juvenal!
ResponderEliminarUm poeta que não conhecia.
Há muita coisa quebrando o silêncio do universo e pessoal.
Tenha dias abençoados!
Abraços fraternos
Obrigado, Rosélia, pela gentil presença e comentário de positiva apreciação.
EliminarContinuação de boa semana.
Abraço de fraterna amizade.
Juvenal Nunes
Visione onirica e inquieta, dove il silenzio diventa materia e le immagini si scontrano in un ritmo sospeso tra mistero e malinconia.
ResponderEliminarOttima condivisione d'autore.
Buona giornata
Fico grato com a sua visita, Silvia e com o comentário de apreço.
EliminarEspero que a semana continue a decorrer à medida dos seus desejos.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
El poema es un abrazo entre lo cotidiano y lo sagrado, entre el ruido del coche y el eco del quissange. Gracias por recordarnos que la poesía angolana late con la misma fuerza que su himno nacional.
ResponderEliminarUn abrazo.
Miguel
Sim, a divulgação feita é uma forma de homenagear não apenas o autor em causa mas também as letras angolanas.
ResponderEliminarContinuação de boa semana.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
la vie nous donne l'occasion de croiser de braves gens.
ResponderEliminarObrigado pela presença e comentário expresso.
EliminarContinuação de boa semana.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
El poema compartido revela con gran fuerza la tensión entre lo cotidiano y lo trascendente: las piedras que caen, el silencio que se quiebra, la gaivota en fuego… todo ello configura una atmósfera donde la vida se expresa en símbolos de fragilidad y resistencia. Manuel Rui, además de ser figura clave en la literatura angolana y autor de la letra del himno nacional, nos recuerda que la poesía es también memoria colectiva y raíz cultural. La presencia del quissange como instrumento tradicional enlaza la palabra con la música, y la música con la identidad de un pueblo. Este homenaje no solo celebra al poeta, sino que nos invita a reconocer la riqueza de las letras angolanas y su capacidad de dialogar con lo universal.
ResponderEliminarUn abrazo de amistad.
Fico muito grato com a sua visita e com o bem fundamentado comentário de apreciação.
EliminarContinuação de boa semana com muita saúde.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
Un bello poema de este poeta del que entiendo hoy con nacionalidad angoleña. El instrumento musical me parece que puede ser un antecesor de los pianos, no se aprecia bien.
ResponderEliminarSaludos.
Obrigado pela sua visita e pela globalidade do comentário expresso.
EliminarO instrumento musical tem teclas metálicas e é portátil.
Continuação de boa semana.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
Olá, Juvenal, gostei muito de ler esse belo poema de
ResponderEliminarManuel Rui, poeta que não conhecia, como também
gostei de ver o instrumento Quissange!
Uma feliz semana, amigo.
Abraço.
Apraz-me a sua visita, a divulgação feita e todo o comentário de positiva apreciação.
EliminarContinuação de boa semana.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
Lindo poema. Me gusto saber más de su autor. Te mando un beso.
ResponderEliminarObrigado pela visita e comentário de apreço e apoio.
EliminarAbraço de amizade.
Juvenal Nunes
Estudou Direito em Coimbra = craque.
ResponderEliminarAbraço
Obrigado pela visita e comentário de académica empatia.
EliminarAbraço de amizade.
Juvenal Nunes
It's a very nice poem.
ResponderEliminarUm poema que obriga a refletirmos sobre ele.
EliminarContinuação de boa semana.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
É sempre bom homenagear gente de outras culturas, ainda mais quando falam a nossa língua ; Angola, país tão rico e que ainda não encontrou o seu caminho; apesar da independência, continuam a cair pedras no silencio da noite, continua o esforço do povo por uma vida melhor, continua a exploração das suas riquezas, nunca repartidas pelos que mais necessitam. E onde estão as guitarras ? Os quissanges " acontecem longe....as serenatas também
ResponderEliminarObrigada, Juvenal, por me dares a conhecer este escritor Angolano que não conhecia. É sempre bom vir aqui. Um abraço, Amigo e fica bem, com saúde, acima de tudo
Emília 🌻 🌻
Agradeço a visita, Emília. O seu comentário explicita, de forma clara, aquilo que é a realidade social da sociedade angolana.
EliminarVolte sempre que queira.
Abraço de amizade,
Juvenal Nunes
Beautiful poem. Have a nice day.
ResponderEliminarObrigado pela presença e comentário de apreciação.
EliminarBom fim de semana.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
Hola Juvenal. Agradecida por tu paso en mi casita de letras, vengo a saludarte y me encuentro con un bello poema.
ResponderEliminarTambién estoy aprendiendo aquí. No tenía idea de este poeta angoleño, que tiene seguramente mucho de portugués pues nos cuentas que ha estudiado en universidad de Coimbra.
Tampoco sabía sobe ese instrumento musical "Quissange"
¡Me encantó el video! Todo, imágenes y canción (tan rítmica que me han dado ganas de bailar).
¡Gracias por esta publicación!
Abrazo y ten un buen fin de semana
Obrigado pela simpática visita e pelo bem explicitado e elogioso comentário.
EliminarSeja sempre bem vinda.
Retribuo os votos de bom fim de semana.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
Boa noite, Juvenal.
ResponderEliminarAdorei o poema e ler a palavra "quissange" que desde que regressei de Luanda , não a ouvia.
Obrigada por este momento.
Beijinho e ótima noite com paz e saúde.😘
Muito agardeço a sua amável presença e globalidade do comentário expresso.
EliminarVolte sempre que queira.
Bom fim de semana com muita saúde.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
Flores e beijos neste lindo dia, estimado amigo Juvenal 🌷🌿🌺🌸🌷🌿🌺🌸
ResponderEliminarAgradeço a sua visita e as palavras de simpatia.
ResponderEliminarBom fim de semana.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
Olá! Muito bom, obrigada por partilhar. Bom fim de semana.
ResponderEliminarObrigado pela gentil visita e pela manifestação de apreço.
EliminarBom fim de semana.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
Un poema con mucha fuerza en esas imágenes tan poderosas. Me ha gustado mucho conocerlo. Te deseo un estupendo fin de semana
ResponderEliminarFico grato com a sua visita e com a elogiosa apreciação.
ResponderEliminarBom fim de semana.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
Belo poema de Manuel Rui. Eu não conhecia o homem Poeta. É uma Homenagem que ilustra uma vida.
ResponderEliminarObrigado pelo relevo, Juvenal Nunes.
Abraço amigo,
SOL da Esteva
Obrigado pela viista e palavras de reconhecimento.
EliminarBom fim de semana.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
Juvenal:
ResponderEliminarhay piedras que parecen hojas y hojas que parecen piedras.
Abraço.
Agradeço a sua visita, Dyhego, bem como o comentário de apreciação.
ResponderEliminarBom fim de semana.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
Un escritor interesante, me gustó saber de el. Besos.
ResponderEliminarObrigado pela simpática presença, Teresa e comentário de apoio e apreço.
ResponderEliminarDesejo uma semana muito feliz e com muita saúde.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
Esas piedras amenazan nuestras conciencias.
ResponderEliminarSaludos.
Fico grato com a sua presença e com o comentário de apreciação.
EliminarContinuação de boa semana.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
Gostei do poema, muito interessante.
ResponderEliminarObrigado pela partilha.
Boa semana.
Um abraço.
Obrigado, Jaime, pela simpática visita e comentário de positiva apreciação.
EliminarContinuação de boa semana.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
Belíssimo poema. Não sabia que era o autor do hino de Angola.
ResponderEliminarUma boa semana.
Um beijo.
Obrigado, Graça pala amável visita e por todo o comentário de apreço.
EliminarContinuação de boa semana.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
Maravilhosa poesia, parabéns merecido para o poeta, Juvenal feliz semana bjs.
ResponderEliminarObrigado, Lucinar, pela simpática visita e pelo comentário de apreciação.
EliminarContinuação de boa semana.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
Muito obrigada pelo belíssimo poema de Manuel Rui, Juvenal, e por esta música fantástica... Estou tão emocionada e encantada. Muitas saudações calorosas para si.
ResponderEliminarViola
This is very beautiful poetry.
ResponderEliminarIt is a nice post.
Greetings.
Feliz inicio de semana querido Juvenal.
ResponderEliminarNo lo conocía. Gracias por compartir.
ResponderEliminarAbrazos
ResponderEliminarAo ler *Quissange*, sinto como se a noite tivesse um corpo próprio — feito de pedras que caem, de silêncios que ecoam, de pequenos ruídos que vão costurando a paisagem interior. É curioso como Manuel Rui consegue transformar cada detalhe — um carro ao longe, um toque de sinos, o estalar de folhas — em fragmentos de uma serenata quase invisível, mas profundamente sentida.
Há no poema um silêncio que não é vazio, mas cheio de coisas que se repelem e se atraem ao mesmo tempo: a gaivota em fogo, a seiva, o vício, a folha nova, a noite que vira templo e o templo que vira noite. É como se tudo estivesse vivo, mesmo no mais profundo recolhimento.
E me toca especialmente esse verso final que fica pairando:
**“Onde as guitarras?
Os quissanges acontecem longe.”**
É uma pergunta que guarda saudade.
É como se a música estivesse distante — talvez fisicamente, talvez dentro da própria alma — mas, ainda assim, presente o suficiente para ser lembrada. Os quissanges, tão ligados à tradição angolana, parecem aqui mais símbolo do que som: memória, cultura, raiz.
Saber que Manuel Rui escreveu o hino de Angola, que atravessou história, política, literatura… tudo isso dá ainda mais densidade a este poema tão delicado. Há nele o Huambo, há Angola inteira, mas também há um humano universal: esse de sentir no silêncio uma espécie de melodia quebrada, porém viva.
E o quissange — esse instrumento que carrega a alma de um povo — faz o poema vibrar por dentro, mesmo que “longe”.
Que texto bonito…
Que serenidade forte…
E que privilégio poder tocar nesses versos com o coração aberto.
SAUDAÇÕES POÉTICAS
Caro amigo Juvenal,
ResponderEliminarO silêncio da noite contrasta com diferentes sons que podem ser dos pássaros cantando, da música que toca distante, dos carros passando na rua ou das conversas sob a luz do luar. Uma bela construção poética de Manuel Rui, não conhecia o instrumento "quissange", achei interessante representar Angola.
Um abraço!