quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

 2ª CELEBRAÇÃO DE S. VALENTIM

A SETA DE CUPIDO


        O Dia dos Namorados comemora-se no dia 14 de fevereiro e tem como padroeiro S. Valentim.
        Gostaria de propor, a todos os interessados, a escrita de um poema sobre a referida efeméride.

        Quem quiser participar deverá:

       -- postar o texto no seu blog, antecedido do distintivo pictográfico apresentado.

       Saudações poéticas.

 

Juvenal Nunes


Participantes:

1 - Olinda Melo - A primeira carta de amor

2 - Chica - º Sempre o amor... º 

3 - Rosélia Bezerra - No Compasso da Espera


5 - Juvenal Nunes - Passear a Dois

6 - Manuela Barroso - Saber-te

7 - Teresa Almeida Subtil - A Seta de Cupido



                                                                            16/02/2023
Reconhecimento

        O amor é sempre uma celebração festiva. O amor aqui celebrado não foge à regra e, por isso, é com gratidão que reconheço o valor da participação de todos aqueles que quiseram colaborar na iniciativa do Palavras Aladas.
        A todos o meu muito obrigado.
        Para quem quiser recordar a sua participação, aqui fica um distintivo alusivo:




quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

 A NOVA ARCÁDIA

FRANCISCO JOAQUIM BINGRE




O Caracol e a Lesma

 

Um caracol retorcido

Com a lesma era casado:

Que negra vida com ela

Não padecia o coitado!

 

Ele dormia na casca,

Ela pegada à parede;

Um aranhão lhe chupava

A reima, se tinha sede.

 

Nestes encontros noturnos

Gozavam prazeres mornos:

Ao enroscado marido

Nasceram dois lindos cornos.

 

Ele escondia-os no búzio,

Envergonhado do sol.

Quantos não conheço eu,

Com frontes de caracol?!

 

Francisco Joaquim Bingre










         
        Francisco Joaquim Bingre nasceu em Canelas, Estarreja, a 9 de junho de 1763 e faleceu
em Mira, a 26 de março de 1856.
        Foi um poeta pré-romântico e um dos principais cultores da Nova Arcádia.
        Costumava assinar sob o pseudónimo de Francélio Vouguense. Acamaradou com Bocage
de quem era amigo e tertuliano.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

 POETAS DE PARABÉNS

ANTÓNIO MANUEL COUTO VIANA



Segredo

Fiz uma estátua de neve
(Mas há sol no meu pais!)
A mentira que se escreve
É a verdade com que a fiz.

Pus-lhe uma flor entre os dedos,
Para ver se os aquecia
— Não sei revelar segredos
Sem que floresças, poesia!

Para seres casto, sê breve
— Aonde a estátua de neve?

António Manuel Couto Viana








        António Manuel Couto Viana é natural de Viana do Castelo, cidade onde nasceu
em 24 de janeiro de 1923, vindo a falecer, em Lisboa, em 8 de junho de 2010.
        Começou por ser ator, atividade a que esteve longamente ligado também como empresário, 
diretor e orientador artístico de várias companhias e teatros.
        Poeta largamente consagrado recebeu, nesta qualidade, vários galardões, nomeadamente 
o de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

 POEMAS POR TEMAS

AMOR




Tema: Amor

Estrela da Tarde

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca tardando-lhe o beijo morria.
Quando à boca da noite surgiste na tarde qual rosa tardia
Quando nós nos olhámos, tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos, unidos, ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia.

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça
E o meu corpo te guarde.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria
Ou se és a tristeza.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza!

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram.
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite se deram
E entre os braços da noite, de tanto se amarem, vivendo morreram.

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça
E o meu corpo te guarde.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria
Ou se és a tristeza.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza!

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso se é pranto
É por ti que adormeço e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!

José Carlos Ary dos Santos







        José Carlos Ary dos Santos, de seu nome completo, nasceu em Lisboa em 7 de dezembro 
de 1936, tendo falecido na mesma cidade, em 18 de janeiro de 1984.
        Consagrou-se como declamador e, nas letras portuguesas, como poeta.
        Como letrista de canções colaborou com grandes cantores portugueses, com especial realce 
para Fernando Tordo.
        Foi nessa qualidade que venceu 4 festivais da canção portuguesa, que apuraram Portugal 
para o Festival da Eurovisão.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023



A NOVA ARCÁDIA

        Com o decorrer do tempo a Arcádia foi-se extinguindo ao longo de todo o último quartel do séc. XVIII.
        Em 1790, Domingos Caldas Barbosa faz renascer um novo movimento com o nome de Nova Arcádia. Tal como o movimento anterior pretendia voltar à simplicidade e ao estilo bucólico.
        Aderiram novos cultores, entre os quais Boacage, Francisco Joaquim Bingre, Curvo Semedo, Nicolau Tolentino e Marquesa de Alorna, entre outros. A Nova Arcádia, porém, iria ter uma duração efémera.








Desejo Amante

Elmano, de teus mimos anelante,
Elmano em te admirar, meu bem, não erra;
Incomparáveis dons tua alma encerra,
Ornam mil perfeições o teu semblante:

Granjeias sem vontade a cada instante
Claros triunfos na amorosa guerra:
Tesouro que do Céu vieste à Terra,
Não precisas dos olhos de um amante.

Oh!, se eu pudesse, Amor, oh!, se eu pudesse
Cumprir meu gosto! Se em altar sublime
Os incensos de Jove a Lília desse!

Folgara o coração quanto se oprime;
E a Razão, que os excessos aborrece,
Notando a causa, revelara o crime.

             Bocage






        De seu nome completo Manuel Maria Barbosa L´Hedois du Bocage nasceu em Setúbal, em 15 de setembro de 1765 e faleceu em Lisboa, em 21 de dezembro de 1805.
        Como poeta, distinguiu-se como o mais lídimo representante do arcadismo português.

domingo, 1 de janeiro de 2023

 ANO NOVO 2023

Pela Paz


Pela Paz

Entra agora o novo ano
Em que se espera mudança;
Cada um constrói seu plano,
Alimentando a esperança
Duma vida renovada
Nos quatro cantos da terra
Para tornar eficaz,
Ao longo da caminhada,
Uma vivência sem guerra,
Um mundo em que haja Paz.

Juvenal Nunes



domingo, 25 de dezembro de 2022

 ECOS DO 2º ENCONTRO TEMÁTICO

UM POEMA DE NATAL





       
        Hoje é dia de Natal.
        Neste dia, encerra-se o 2º Encontro Temático cuja iniciativa proporcionou a escrita de um texto acerca do tema proposto Um Poema de Natal..
        Aqui deste canto, no meu lar, entre a lareira e o presépio, agradeço a todos os participantes
que abrilhantaram esta iniciativa tornando-a um sucesso. Agradeço também a todos os visitantes, leitores e comentadores.
        Espero que os propósitos definidos para a comemoração natalícia possam perdurar no tempo, animando-nos e acompanhando-nos ao longo de todo o ano.
        A todos os que quiserem utilizar aqui fica também um demonstrativo da sua participação.
        Um grande bem haja a todos.
        Continuação de Boas Festas.

                    Juvenal Nunes




sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

 2º ENCONTRO TEMÁTICO

UM POEMA DE NATAL





Natal de Esperança

Há uma estrela especial,
Que cintila com mais brilho
Sempre que chega o Natal
Por ter nascido Deus-Filho.
.
No mais humilde curral
E de riquezas despido,
Sob um frio glacial
Foi o Deus-Jesus nascido.

Foram muitos peregrinos, 
Que vieram à chamada
Dos augúrios divinos,
Desde o romper da alvorada.

Viram da estrela o fulgor,
Vieram num corrupio
Envolvidos no amor
Por Deus dado em desafio.

Sinal do mundo em mudança,
É no fulgor dessa luz
Que acalentam nova esperança
Por ter nascido Jesus.

Juvenal Nunes





domingo, 11 de dezembro de 2022

 XIII Interação Fraterna de Natal


Companhia de Natal



Companhia de Natal


Em Belém, lá num curral,
Foram Jesus e Maria
Que velaram, no Natal,
A Jesus até ser dia.

Nessa noite escura e fria
De neve, finos cristais,
Jesus também recebia
O calor dos animais.

A manjedoura foi ninho
Dum belo ato de amor,
Foi mensagem de carinho
Que nos deu o Salvador.

Ao seguir o seu caminho
Num percurso de alegria
Dado pela sua luz,
Não irei passar sozinho,
Fico em boa companhia,
Passo o Natal com Jesus.

Juvenal Nunes




O vídeo sugere que se incluam, atualmente, novos palcos de guerra.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

 2º ENCONTRO TEMÁTICO

POEMA DE NATAL



        Estamos já na contagem decrescente para a celebração do Natal.
        Gostaria de propor, a todos os interessados, a escrita de uma poema sobre a referida         efeméride.

        Quem quiser participar deverá:

        -- postar o texto no seu blog, antecedido do distintivo pictográfico apresentado.

        Saudações natalícias,



        Juvenal Nunes  


Participantes:

        1 - Chica -  http://chicabrincadepoesia.blogspot.com/2022/12/pensando-o-natal.html#comment-form  

        2 - Janita - https://francis-janita.blogspot.com/2022/12/naquele-tempo-distante.html  

        3 - Sari - https://vocedivento.blogspot.com/2022/12/2-incontro-tematico-di-poesia-di-natale.html?sc=1670769454316#c3623942573102987973

        4 - Larissa - https://minhaliteraturinhaeu.blogspot.com/2022/12/segundo-encontro-tematico-blog-do.html?sc=1670769974360#c1733647438928584271

        5 - Gracita - http://socordell.blogspot.com/2022/12/2-encontro-tematico-poema-de-natal.html

        6 - Verena - http://bichinhosamados.blogspot.com/2022/12/bichinhos-encontro-tematico.html

        7 - Rosélia - https://www.escritosdalma.com.br/2022/12/pensando-o-natal.html

        8 - Manuela Barroso - http://reflexoesfloridas.blogspot.com/2022/12/encontro-tematico-de-natal.html

        9 - Ivaneide - http://profetizandotudoposso.blogspot.com/2022/12/2-encontro-tematico.html

        10 - Juvenal Nunes - Natal de Esperança

        11 - Marta Vinhais - http://escrevercomamor.blogspot.com/2022/12/2-encontro-tematico-blog-palavras-aladas.html

        12 - Maria Rodrigues - https://divargarempoesiaepensamentos.blogspot.com/2022/12/participacao-no-2-encontro-tematico-do.html

        13 - Olinda Melo - http://xailedeseda.blogspot.com/2022/12/2-encontro-tematico.html#comment-form

        14 - Ingrid - https://cantosespiritualesdeingridzetterberg.blogspot.com/2022/12/las-manos-de-mi-jesus.html


sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

 POEMAS POR TEMAS

VINICIUS DE MORAES




Tema: Paz



Tomara

Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz

E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais...

Vinicius de Moraes






        Vinicius de Moraes é um poeta e cantor brasileiro, já falecido.
        Deixou obra relevante nas letras brasileiras e na música do mesmo país, sendo 
um dos responsáveis pelo movimento da Bossa Nova.


sexta-feira, 25 de novembro de 2022

 POETAS DE PARABÉNS

TEIXEIRA DE PASCOAES




De noite

Quando me deito ao pé da minha dor,
Minha Noiva-fantasma; e em derredor
Do meu leito, a penumbra se condensa,
E já não vejo mais que a noite imensa,
Ante os meus olhos íntimos, acesos,
Estáticos, surpresos,
Aparece-me o Reino Espiritual…
E ali, despido o habito carnal,
Tu brincas e passeias; não comigo,
Mas com a minha dor… o amor antigo.

A minha dor está contigo ali,
Como, outrora, eu estava ao pé de ti…
Se fosse a minha dor, com que alegria,
De novo, a tua face beijaria!

Mas eu não sou a dor, a dor etérea…
Sou a Carne que sofre; esta miséria
Que no silencio clama!

A Sombra, o Corpo doloroso, o Drama…

Teixeira de Pascoaes






        Teixeira de Pascoaes é o pseudónimo literário adotado por Joaquim Pereira Teixeira
de Vasconcelos, nascido em Amarante em 2 de novembro de 1877 e falecido em Gatão, Amarante,
 em 14 de dezembro de 1952.
        Nascido no seio de uma família da aristocracia rural, foi poeta, prosador e filósofo,
sendo a principal figura da corrente do saudosismo português.
        Mário Cesariny considerou-o superior a Fernando Pessoa. Chegou a ser várias vezes nomeado
 para o prémio Nobel da Literatura.
        Tive o grato prazer de conhecer o solar de família onde viveu e faleceu, numa
visita guiada por uma sobrinha.


domingo, 20 de novembro de 2022

 APRESENTAÇÃO DE LIVRO

        Decorreu no Centro Cultural de Rio Tinto a sessão de lançamento do livro de João Bragança Santos Na Clareira do Bosque.
        A apresentação decorreu num ambiente de são convívio e amizade.
        Deixo aqui duas imagens ilustrativas do acontecimento.




        Aqui fica um vídeo possível da apresentação.
        Por motivos imponderáveis não foi possível incluir momentos do Power Point, interação e convívio final.



                                       Juvenal Nunes

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

 CONVITE

APRESENTAÇÃO DE LIVRO





 

        Convidam-se todos os amigos autores e leitores do Palavras Aladas a estarem presentes nesta        sessão.
        Aos interessados, a residência de proximidade poderá facilitar a presença.
Muito obrigado.

Juvenal Nunes

Na Clareira do Bosque

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

 OS ÁRCADES

REIS QUITA




Idílio 

Praias, que banha o Tejo caudaloso:
Ondas, que sobre a areia estais quebrando:
Ninfas, que ides escumas levantando:
Escutai os suspiros dum saudoso.

E vós também, ó côncavos rochedos,
Que dos ventos em vão sois combatidos,
Ouvi o triste som dos meus gemidos,
Já que de Amor calais tantos segredos.

Ai, amada Tirceia, se eu pudera
Os teus formosos olhos ver agora,
Que depressa o pesar, que esta alma chora,
No gosto mais feliz se convertera!

Oh!, como então ficaras conhecendo
Quanto te amo, se visses a violência
Com que estão de meus olhos nesta ausência
Estas saudosas lágrimas correndo!

Tanto que neste pesar, que estou sentindo,
O triste coração se desfalece,
E tanto me atormenta, que parece
Que ao sofrimento a alma vai fugindo.

Mas oh, qual há de ser a crueldade
Deste terrível mal, em que ando envolto,
Se a qualquer parte, enfim, que os olhos volto,
Imagens estou vendo de saudade.

Reis Quita







        Domingos dos Reis Quita nasceu em Lisboa, em 6 de janeiro de 1728 e faleceu na mesma
 cidade, em 26 de agosto de 1770.
        Foi autodidata e ativo participante da Arcádia Lusitana, tendo-se notabilizado como poeta e representado o bucolismo.
        Teve uma paixão avassaladora por uma mulher de uma família amiga. De seu nome Teresa, 
essa mulher aparece imortalizada, nas suas poesias, como Tirceia.

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

 POETAS DE PARABÉNS

MANUEL DA FONSECA









Noite de Sonhos Voada

Noite de sonhos voada
cingida por músculos de aço,
profunda distância rouca
da palavra estrangulada
pela boca amordaçada
noutra boca,
ondas do ondear revolto
das ondas do corpo dela
tão dominado e tão solto
tão vencedor, tão vencido
e tão rebelde ao breve espaço
consentido
nesta angústia renovada
de encerrar
fechar
esmagar
o reluzir de uma estrela
num abraço
e a ternura deslumbrada
a doce, funda alegria
noite de sonhos voada
que pelos seus olhos sorria
ao romper de madrugada:
— Ó meu amor, já é dia!...

Manuel da Fonseca








        Manuel da Fonseca é natural de Santiago do Cacém, onde nasceu em 15 de outubro de 1911.   Faleceu em Lisboa, em 11 de março de 1993
        Além de poeta, é também um reconhecido contista, romancista e cronista português.
        O seu lugar nas letras valeu-lhe ser agraciado com o grau de Comendador de Ordem de
 Sant`iago da Espada.
        É considerado um dos melhores escritores do Neorrealismo português.

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

 HORA DE OUTONO



Hora de Outono

Pela tarde, ao fim do dia,
Nem uma folha bulia
Nessa hora vesperal;
O verão foi de viagem,
Havia uma outra aragem
Dum tempo mais outonal.

A folhagem perde o viço
Por ser o tempo outoniço,
Fica rubra ou amarela;
Plantas na sua nudez
Dão voz à sua mudez,
Pintam de outra cor a tela.

Voam folhas a espaços,
Volteiam nos seus abraços
Em danças de fantasia;
Pelas lonjuras dos montes,
Aos confins dos horizontes
Leva-as a ventania.

Às folhas que a toda a hora
A natureza colora
Por ser tempo do outono,
Em carpete colorida
No chão encontram guarida
Para dormir o seu sono.

Juvenal Nunes



segunda-feira, 10 de outubro de 2022

 POEMAS POR TEMAS

MÚSICA




     Tema: Música


Fuga

O músico procura
Fixar em cada verso
O cântico disperso
Na luz, na água e no vento.

Porém, luz, vento e água
Variam riso e mágoa,
De momento a momento.

E em vão a área dos dedos
Se eleva! Não traduz
Os súbitos segredos
Escondidos no vento,
Nas águas e na luz…

Pedro Homem de Melo


                                            







        Pedro Homem de Mello nasceu no Porto, em 6 de setembro de 1904 e faleceu na
mesma cidade, em 5 de março de 1984.
        É um conceituado poeta e folclorista português.
        Foi colaborador das revistas Presença, Altura e Prisma entre outras.
        A ele se deve a criação e patrocínio de alguns ranchos folclóricos, no Minho.
        Foi agraciado, a título póstumo, com o grau de Comendador da Ordem do
Infante D. Henrique.

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

 NA CLAREIRA DO BOSQUE





        João Bragança Santos volta ao domínio da prosa e publica Na Clareira do Bosque.
        O trabalho pode inserir-se no campo da literatura infanto-juvenil.
        Trata-se de um fabulário de cuja leitura é possível extrair uma conclusão educativa.


        Os interessados na aquisição deste livro poderão fazê-lo, por encomenda postal,
    através deste blog.

        
        Também disponível, em suporte de papel, em Edições Flamingo, e, em formato
    digital, no E- Book.


Perfil Biográfico


        João Bragança Santos nasceu no ano de 1952, no mês de março, na freguesia de 
Sta. Maria de Sardoura, concelho de Castelo de Paiva, distrito de Aveiro, num lugar 
chamado Freixo, situado na margem esquerda do rio Douro.
        Na terra natal, concluiu os quatro primeiros anos de escolaridade, tendo rumado 
ao Porto para prosseguir os estudos.
        Cumpriu o serviço militar obrigatório e chegou a frequentar o ensino universitário.
        Ocupou-se, ao longo da vida, no mister do ensino, situação da qual se encontra aposentado.
        Publicou, em prosa, o livro Escrever no Pó – Histórias da História, em edição de autor. 
        São pequenas narrativas históricas com personagens duplamente reais, movendo-se 
entre a realidade, a ficção e o sobrenatural.
        Publicou, também, o livro Cintilações, em poesia, na Artelogy. Cintilações é o reflexo da 
caminhada, nos trilhos da vida, em que a estética e a sensibilidade dão as mãos, no 
firmamento da mente.

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

 POETAS DE PARABÉNS

JOSÉ LUÍS PEIXOTO





Não é um Gato

Não é um gato, é uma gata.
Compreendo que seja mais fácil
reduzir todos os gatos a gatos,
mas peço-lhe que, por fineza,
abra uma exceção. É uma gata,
não amamentou gatinhos,
ou porque não teve escolha,
ou, mais provavelmente,
porque não quis. É uma gata,
aluada em certas noites,
a lamber-se sem vergonha,
a desfrutar do seu próprio cio.
Compreendo que seja mais fácil,
sei que não fez por mal, nunca
ninguém faz por mal, já reparou?
Mas peço-lhe que preste atenção
e, no futuro, não volte a cometer
esse erro tão comum. É uma gata,
não é um gato, é uma gata.

José Luís Peixoto









        José Luís Peixoto é um autor português multifacetado, com obra largamente premiada 
quer na poesia quer na prosa.
        Nasceu em 4 de setembro de 1974, em Galveias.
        Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas começou por  exercer a carreira docente 
até se dedicar profissionalmente à escrita, a partir de 2001.

terça-feira, 20 de setembro de 2022

 CENTELHA





Centelha

A sombra do arvoredo
É dossel do nosso amor,
Que partilha esse segredo
Vivido com todo o ardor.

Tal como as aves nos ninhos,
No alfombre de verdura
Há juras de amor, carinhos,
Livres laços de ternura.

O amor assim vivido
Tem uma luz que espelha 
O que na alma mais brilha;
Por ser livre e consentido
Brilha mais essa centelha,
Que por tanto amor fervilha.

Juvenal Nunes



sábado, 10 de setembro de 2022

 A ARCÁDIA LUSITANA

OS ÁRCADES

CRUZ E SILVA







Vem, oh Noite Sombria

Vem, oh noite sombria, e revolvendo
O longo açoite, que à carreira acende
As fuscas Éguas, sobre a terra estende
De sombras carregado o manto horrendo:

Vem: e as brancas papoilas espremendo,
Em letárgico sono os mortais prende;
Que a minha bela Aglaia hoje me atende,
A meu amor mil glórias prometendo.

Se às minhas vozes dás benigno ouvido,
Encobrindo com teu escuro manto
Os suaves delírios de amor cego;

Imolar-te prometo agradecido
Um negro galo, que em contínuo canto
Se atreve a perturbar o teu sossego.

Cruz e Silva






        António Dinis da Cruz e Silva, de seu nome completo, viu a luz do dia em 4 de julho de 1731, em Lisboa e faleceu no Rio de Janeiro, em 5 de outubro de 1799.
        Notabilizou-se como poeta, sendo um dos fundadores da Arcádia Lusitana, também chamada Academia Olissiponense.
        Desempenhou vários cargos na magistratura, razão pela qual esteve emigrado no Brasil.
        Dentre as obras publicadas destaca-se O Hissope, a sua obra-prima.

sábado, 3 de setembro de 2022

 POEMAS POR TEMAS

ANTÓNIO ALEIXO



Tema: Mulher



A Gentil Camponesa

MOTE

Tu és pura e imaculada,
Cheia de graça e beleza;
Tu és a flor minha amada,
És a gentil camponesa.

GLOSAS

És tu que não tens maldade,
És tu que tudo mereces,
És, sim, porque desconheces
As podridões da cidade.
Vives aí nessa herdade,
Onde tu foste criada,
Aí vives desviada
Deste viver de ilusão:
És como a rosa em botão,
Tu és pura e imaculada.

És tu que ao romper da aurora
Ouves o cantor alado…
Vestes-te, tratas do gado
Que há-de ir tirar água à nora;
Depois, pelos campos fora,
É grande a tua pureza,
Cantando com singeleza,
O que ainda mais te realça,
Exposta ao sol e descalça,
Cheia de graça e beleza.

Teus lábios nunca pintaste,
És linda sem tal veneno;
Toda tu cheiras a feno
Do campo onde trabalhaste;
És verdadeiro contraste
Com a tal flor delicada
Que só por muito pintada
Nos poderá parecer bela;
Mas tu brilhas mais do que ela,
Tu és a flor minha amada.

Pois se te tenho na mão,
Inda assim acho tão pouco,
Que sinto um desejo louco:
Guardar-te no coração!…
As coisas mais belas são
Como as cria a Natureza,
E tu tens toda a grandeza
Dessa beleza que almejo,
Tens tudo quanto desejo,
És a gentil camponesa.

António Aleixo







 
       António Aleixo é um poeta popular português, nascido em Vila Real de Santo António, 
em 18 de fevereiro de 1899. Faleceu em Loulé, em 16 de novembro de 1949.
        Percorreu os caminhos da emigração, era humilde e nunca se libertou de um nível de vida
 próximo da pobreza.
       A sua obra apresenta um sentido filosófico da vida, em que está presente a ironia e a crítica
 social.
       O seu talento literário foi reconhecido em vida e o seu nome faz parte da história da literatura
 de língua portuguesa.