domingo, 20 de março de 2022

 POEMAS POR TEMAS






Tema: Saudade

Ausência

 

Meu amor, como eu sofro este tormento

da tua ausência!... Ando magoada

como a folha arrancada pelo vento

ao carinhoso anseio da ramada…


Procuro desviar o pensamento…

mas oiço ao longe a tua voz molhada

em lágrimas, vibrando o sofrimento

da nossa vida assim, tão separada!


os meus beijos escutam os teus beijos

exigentes – perdidos de saudade…

crispando amargamente os meus desejos!

 

e dia a dia essa canção de dor,

ritornelo sombrio de ansiedade,

exalta ainda mais o meu amor!

 

Judith Teixeira








         Judith Teixeira nasceu em Viseu, em 25 de janeiro de 1880 e faleceu em Lisboa,
em 17 de maio de 1959.
        A temática da obra de Judith Teixeira fez dela uma escritora maldita e proscrita,
na sua época.
        Em 1923 envolveram-na na polémica "Literatura de Sodoma" e o seu livro
 Decadência foi apreendido.
        Nunca é por demais recordá-la considerando a qualidade da sua obra poética.

domingo, 13 de março de 2022


O BARROCO

        A morte de Camões, em 1580, coincide com o início do Barroco, que vai vigorar, em Portugal,
até 1756. Este estilo floresceu na arte da pintura, arquitetura, música e literatura.
        Em Portugal, o Barroco Literário teve, no padre António Vieira, o seu maior representante.
Como falamos de poesia destacamos D. Francisco Manuel de Melo.




Saudades

 

Serei eu alguma hora tão ditoso,

Que os cabelos que amor laços fazia,

Por prémio de o esperar, veja algum dia

Soltos ao brando vento buliçoso?

 

Verei os olhos donde o sol fermoso

As portas da manhã mais cedo abria,

Mas em chegando a vê-los se partia,

Ou cego, ou lisonjeiro, ou temeroso?

 

Verei a limpa testa a quem a aurora

Graça sempre pediu? E os brancos dentes,

Por quem trocara as pérolas que chora?

 

Mas, que espero de ver dias contentes,

Se para se pagar de gosto uma hora,

Não bastam mil idades diferentes?

 

D. Francisco Manuel de Melo









        D. Francisco Manuel de Melo é um lídimo representante do Barroco português. Dispersou
o seu talento pela epistolografia, história, poesia e teatro.
        Viveu em liberdade durante o período filipino. Após a Restauração, em 1644, recebeu a
comenda da Ordem de Cristo, mas o seu envolvimento amoroso com uma senhora, que também
era cortejada por D. João IV, valeu-lhe a inimizade do rei. Acabou preso e degredado, primeiro em África, depois no Brasil. Quando D. João IV morreu, pôde regressar a Portugal, em 1658.


quinta-feira, 3 de março de 2022

 AS CORES DA PAZ




As Cores da Paz

A pomba branca da paz
Que a guerra amordaça,
Nesse contexto minaz
Já pouco ou nada esvoaça.

Na sua alva brancura
Há rubros pingos de sangue,
Sinais certos porventura
Que a fez tornar exangue.

Homens de boa vontade,
Numa luta sem quartel,
Dão asas à liberdade
Sem baixar o seu broquel.

E todos em união
Podem deixar redimidas
As penas da submissão
Tornando livres as vidas,
Que da união avisadas,
Dão às penas salpicadas
As cores mais delicadas,
Tão de pronto irisadas
Pelas nações irmanadas.

Juvenal Nunes




quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

 POETAS DE PARABÉNS

ANTÓNIO SALVADO




AMANHECER EM TI

Amanhecer em ti    bem junto a ti
quando as aves despertam o caminho
pousadas no calor das oliveiras
 
Ter-te em meus braços como a flor o fruto
deixar meu sangue esvoaçar nas dunas
do anseio receio do teu corpo
 
Discreto como a urze    o rosmaninho
o teu silêncio flui à superfície
dos olhos e dos seios devagar
 
Deitar-te sobre um chão de espigas louras
e confundir com o grito das sementes
os teus lábios mordidos sem perfil
 
Amo-te tanto    meu amor    e tanto
que não saber onde começa a morte
é repousar nas mãos da tua vida

António Salvado






         Natural de Castelo Branco, onde nasceu a 20 de fevereiro de 1936,
António Salvado distingue-se como poeta de vasta obra e autor de 
vários ensaios e antologias.
         O seu trabalho mereceu-lhe vários prémios internacionais e nacionais,
entre os quais o de Comendador da Ordem Militar de Sant`Iago da Espada.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

 ESCREVER NO PÓ

HISTÓRIAS DA HISTÓRIA


        

        Embora o Palavras Aladas seja um blog de Poesia publicito, neste espaço, o livro em prosa
Escrever no Pó - Histórias da História, da autoria de João Bragança Santos.
        São pequenas narrativas históricas, em que as personagens, duplamente reais, se movem
num ambiente em que a realidade, a ficção e o sobrenatural, caminham de mãos dadas.

        Preço de cada livro: 8,00 €.

        Os interessados na aquisição do livro deverão fazê-lo neste blog. O envio, pelo correio,
não tem custos para o comprador. Caso manifestem intenção de compra receberão aqui o IBAN.
        Aguardo as vossas encomendas.

                                   Juvenal Nunes


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

 1ª CELEBRAÇÃO DE S. VALENTIM

A SETA DE CUPIDO



        O Palavras Aladas dá hoje por encerrada esta celebração, no que ao envio de textos poéticos diz respeito.
        O amor, esse continua em aberto e os que têm a felicidade de o vivenciarem, no dia a dia, continuarão, certamente, a pôr em prática os seus sonhos e fantasias.
        Sinceramente, agradeço a todos os participantes todo o empenho colocado nos textos escritos, valorizando a iniciativa.
        Agradeço também, a todos os leitores e comentadores, pois a sua intervenção contribuiu para o dinamismo da celebração.
        Muto obrigado a todos.

        Aqui fica um testemunho de participação, para todos os participantes que quiserem usar no seu blog.



        Que todos sejam muito felizes.

                                 Juvenal Nunes


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

 1ª CELEBRAÇÃO DE S. VALENTIM

A SETA DE CUPIDO





A Seta de Cupido

Os casais de namorados,
Nas noites enluaradas,
Vivem mais belos momentos,
Pois os segredos guardados
Exalçam os sentimentos.
Das almas apaixonadas.

E as carícias trocadas
São fundos arroubamentos:
Caminhando de mãos dadas
Sussurram junto ao ouvido
Juras de almas enlaçadas
Pela seta de Cupido.

Juvenal Nunes







terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

 1ª CELEBRAÇÃO DE S. VALENTIM

A SETA DE CUPIDO


                                         
        O Dia dos Namorados comemora-se no dia 14 de fevereiro e tem como padroeiro S. Valentim.
        Gostaria de propor, a todos os interessados, a escrita de um poema sobre a referida efeméride.

        Quem quiser participar deverá:

       -- postar o texto no seu blog, antecedido do distintivo pictográfico apresentado.

       Saudações poéticas.
                                                                                    

        Juvenal Nunes

              Participantes:

1ª - Rosélia Bezerra: Castelo Encantado

2ª - São: Poema de Amor

3ª - Humberto Maranduva: A Seta de Cupido

4ª - Sem Fronteira "FATIMA": Valentine`s Day

5ª - Fatyma Silva: Feliz Dia de S. Valentim

6ª - Micaela Santos: A Magia do Amor

7º - Juvenal Nunes: A Seta de Cupido 






sábado, 5 de fevereiro de 2022

O CLASSICISMO 

POESIA LÍRICA

                 


Amor é...

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

               Luís de Camões








        Camões é o maior poeta português de todos os tempos e o maior das letras lusófonas.
        Ocupa, também, um lugar cimeiro nas letras mundiais.

domingo, 30 de janeiro de 2022

 POEMAS POR TEMAS


Vergílio Ferreira

Tema: Melancolia


Fímbria de Melancolia

Fímbria de melancolia,
memória incerta da dor,
ouço-a no gravador,
no fado que não se ouvia
quando ouvia o seu clamor.

Porque era já no passado
o presente dessa hora
e que me ressoa agora
a um outro mais alongado.

Assim a dor que se sente
no outro obscuro de nós
nunca fala a nossa voz
mas de quem de nós ausente,
só a nós próprios consente
quando não estamos nós
mas mais sós do que ao estar sós.

Onde então estamos nós?

Vergílio Ferreira 







        Vergílio Ferreira nasceu em Melo, serra da Estrela, no dia 28 de janeiro de 1916 e faleceu em Lisboa, em 1 de março de 1996.
        A sua obra insere-se em dois períodos literários: o Neo-Realismo e o Existencialismo.
        A sua obra principal em prosa, Manhã Submersa, foi adaptada para o cinema, tendo Vergílio Ferreira desempenhado um dos principais papeis, o de Reitor do Seminário.
        Galardoado com diversos prémios literários foi eleito, em 1992, para  a Academia das Ciências 
de Lisboa, ano em que também lhe foi atribuído o Prémio Camões.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

 POETAS DE PARABÉNS

AFONSO LOPES VIEIRA





Leve, Leve, o Luar

Leve, leve, o luar de neve
goteja em perlas leitosas,
o luar de neve e tão leve
que ameiga o seio das rosas.

E as gotas finas da etérea
chuva, caindo do ar,
matam a sede sidéria
das coisas que embebe o luar.

A luz, oh sol, com que alagas,
abre feridas, e a lua
vem pôr no lume das chagas
o beijo da pele nua.

Afonso Lopes Vieira






        Afonso Lopes Vieira nasceu em Leiria, em 26 de janeiro de 1878 
e faleceu em Lisboa, em 25 de janeiro de 1946.
        Alcançou notoriedade tanto no campo do verso como na prosa, sendo
 também importante o seu contributo no domínio da Literatura Infantil.
        Implementou fortemente a corrente da chamada Renascença 
Portuguesa e é um dos primeiros representantes do Neogarretismo.
        Colaborou em revistas de nomeada do seu tempo e é autor de uma 
vastíssima obra em verso.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

 SOLIDÃO




Solidão

Momentos de solidão
Na vida quem os não tem,
A dor dessa punição
A nossa alma contém.

Um ser assim limitado
Pelo pungir da ausência
Fica só e magoado,
Ferido pela carência.

De noite o brilho da lua
No fundo da alma ecoa
Corpo inerte, estátua nua,
Escuridão que magoa.

Há nos traços da lembrança
Uma imagem que persiste,
Um sentir que não se cansa,
Uma dor que não resiste.

Do sentimento ferido
Essa dor agora levo-a,
Do caminho percorrido
Fica apenas uma névoa.

Juvenal Nunes





sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

 O CLASSICISMO




Se Meu Desejo Só é Sempre Ver-vos

Se meu desejo só é sempre ver-vos,
Que causará, senhora, que em vos vendo
Assi me encolho logo, e arrependo,
Que folgaria então poder esquecer-vos?

Se minha glória só é sempre ter-vos
No pensamento meu, porque em querendo
Cuidar em vós, se vai entristecendo?
Nem ousa meu esprito em si deter-vos?

Se por vós só a vida estimo, e quero,
Como por vós a morte só desejo?
Quem achará em tais contrários meio?

Não sei entender o que em mim mesmo vejo.
Mas que tudo é amor, entendo, e creio,
E no que entendo, e creio, nisso espero.

        António Ferreira







          António Ferreira nasceu em Lisboa no ano de 1528, tendo falecido
   na mesma cidade, em 29 de novembro de 1569.
          O seu estro colocou-o no patamar mais elevado dos poetas
   do classicismo renascentista de língua portuguesa, o que lhe
   valeu o epíteto de Horácio Português.
          Por ter sido discípulo de Sá de Miranda aparece aqui representado
   por um soneto.
          A sua principal obra, contudo, é a tragédia Castro escrita em verso
   polimétrico e branco.


sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

 ANO NOVO 2022

        Faltam poucas horas para a viragem da última folha do último dia do calendário.
        Faltam poucas horas para a entrada do novo ano 2022.
        Todos desejamos um novo ano cheio de prosperidades e todos queremos concretizar os projetos que todos e cada um se propõem realizar.
        É com esse espírito que desejo a todos um ano novo



que corresponda aos objetivos de paz, concórdia e felicidade,  que todos pretendem alcançar.
         A vida é um desafio que temos que enfrentar, porque a caminhada continua.





Ano Novo

Ficção de que começa alguma coisa!
Nada começa tudo continua.
Na fluida e incerta essência misteriosa
Da vida, flui em sombra a água nua.
Curvas do rio escondem só o movimento.
O mesmo rio flui só onde se vê.
Começar só começa em pensamento.

Fernando Pessoa






                           

                                    


                               Juvenal Nunes

sábado, 25 de dezembro de 2021

 1º ENCONTRO TEMÁTICO

UM POEMA DE NATAL



        Realizada a Consoada, comemora-se, hoje, o Natal.
        Terminado o Encontro Temático Um Poema de Natal é tempo de fazer balanço.
        Quero expressar, aqui, a minha gratidão a todos os que valorizaram a
iniciativa com as suas prestimosas participações.
        Agradeço, também, a todos os leitores e comentadores que visitaram o espaço,
valorizando-o com a sua visita e positiva interação.
        Para todos os participantes que quiserem usar no seu blog aqui fica um testemunho
de participação.




        Muito obrigado a todos.
        Continuação de Boas Festas

                                Juvenal Nunes

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

 POETAS DE PARABÉNS

OLAVO BILAC




               Um Beijo

Foste o beijo melhor da minha vida,
ou talvez o pior...Glória e tormento,
contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!

Morreste, e o meu desejo não te olvida:
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
e do teu gosto amargo me alimento,
e rolo-te na boca malferida.

Beijo extremo, meu prémio e meu castigo,
batismo e extrema-unção, naquele instante
por que, feliz, eu não morri contigo?

Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
beijo divino! e anseio delirante,
na perpétua saudade de um minuto…

                               Olavo Bilac

                                                     
                                                   





        Olavo Bilac nasceu no Rio de Janeiro, em 18 de dezembro de 1865 e faleceu na mesma 
cidade, em 28 de dezembro de 1918.
        Eleito príncipe dos poetas brasileiros, em 1907, notabilizou-se, também, como
jornalista, cronista e contista. Foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras.
        Autor de uma obra vasta, deu expressão e liderou o Parnasianismo no Brasil.


sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

 1º ENCONTRO TEMÁTICO

UM POEMA DE NATAL






Poema de Natal

Na lapa feita curral
Nasceu Jesus, o Messias,
Nele teve o seu Natal
Conforme as profecias.

Visitaram-no pastores
Com prestimosas ofertas,
Os Magos adoradores
Vieram de almas despertas.

No céu brilha uma luz
Da mais cintilante estrela,
Que esparge e reluz
Com a vibração mais bela
Tal e qual o fez Jesus
Tornando clara a doutrina,
Que aos homens de bem seduz
Pela mensagem divina.

Juvenal Nunes


quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

 XII INTERAÇÃO FRATERNA DE NATAL


CONVERSANDO COM O MENINO DEUS


Conversando com o Menino Deus

A estrela que alumia,
Sobre o teto do curral,
É um farol que nos guia,
Que nos une no Natal.

A contemplar-Te no berço
De Rei feito humildade,
Com confiança converso,
Peço pela Humanidade.

Teu exemplo é melodia
Que conforta corações,
Livra-nos da pandemia,
Ouve as nossas orações.

Juvenal Nunes



sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

 O CLASSICISMO

 POESIA ÉPICA


Os Lusíadas

Canto I

1ª Estrofe

As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana
Por mares nunca dantes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

Luís de Camões



A título de exemplo publicamos a 1º estrofe do poema épico Os Lusíadas.
A poesia épica, também designada epopeia, é um texto poético narrativo, em que se contam ações grandiosas de um povo, evidenciando um herói.


quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

1º ENCONTRO TEMÁTICO

POEMA DE NATAL 



        Começa hoje o mês de dezembro, no qual se celebra o Natal.
        Gostaria de propor, a todos os interessados, a escrita de uma poema sobre a referida efeméride.
        Quem quiser participar deverá:

    -- postar o texto no seu blog, antecedido do distintivo pictográfico apresentado.

        Saudações natalícias,                
        Juvenal Nunes


                                                               Participantes:




         4 - Micaela - http://oficinadakaela.blogspot.com/


          6 - Fatyma - https://raios-do-soll.blogspot.com/