OS REIS MAGOS
As palavras são a matéria-prima da arte poética.
O voo da imaginação transforma-as em palavras aladas.
domingo, 3 de janeiro de 2021
sábado, 26 de dezembro de 2020
POETAS DE PARABÉNS
ALEXANDRE O´NEILL
Que fazes por aqui, ó gato?
Que ambiguidade vens explorar?
Senhor de ti, avanças, cauto,
meio agastado e sempre a disfarçar
o que afinal não tens e eu te empresto,
ó gato, pesadelo lento e lesto,
fofo no pêlo, frio no olhar!
De que obscura força és a morada?
Qual crime de que foste testemunha?
Que deus te deu a repentina unha
que rubrica esta mão, aquela cara?
Gato, cúmplice de um medo
ainda sem palavras, sem enredos,
quem somos nós, teus donos ou teus servos?
Alexandre O` Neill
domingo, 20 de dezembro de 2020
XI INTERAÇÃO FRATERNA DE NATAL
quarta-feira, 16 de dezembro de 2020
POEMA DE NATAL
Numa gruta,
em Belém,
Viu a luz o
Deus-Menino,
Nascido da
Virgem Mãe
Para cumprir
seu destino.
Logo aos
vagidos primeiros
Maria muda
os cueiros
Humanizando
o divino.
Arrimado ao
seu bordão,
Em atitude
zelante,
S. José
cumpre a missão
Sempre calmo
e vigilante.
Olha a vaca
paciente
E o burro que
o ambiente
Aquecem com
a respiração.
Nessa aurora
de Natal,
Entoando
melodias
Na ordenha
matinal,
Pastores das
cercanias
Dão das
ovelhas o leite,
Que por bem
é logo aceite
Guardado nas
almofias.
Moleiros
vindos do rio
Trazem sacos
de farinha
Lidando num
corrupio
Logo pela
manhãzinha,
Para terem
pronto o pão
Da primeira
refeição,
Lá no forno da cozinha.
Acorrem num
alvoroço,
Acodem à Boa
Nova,
A Jesus
menino e moço.
Dos camelos,
na corcova,
Chegam mais
tarde os Reis Magos
Guiados
pelos oragos,
Que na lapa
fazem prova.
A estrela
que foi guia
Para dar, de
noite, a luz,
Ainda hoje
irradia
Da pessoa de
Jesus.
Juvenal Nunes
quinta-feira, 10 de dezembro de 2020
POESIA PALACIANA
quinta-feira, 3 de dezembro de 2020
POEMAS POR TEMAS
Vaidade, Tudo Vaidade!
Vaidade,
meu amor, tudo vaidade!
Ouve:
quando eu, um dia, for alguém,
Tuas
amigas ter-te-ão amizade,
(Se
isso é amizade) mais do que, hoje têm.
Vaidade
é o luxo, a glória, a caridade,
Tudo
vaidade! E, se pensares bem,
Verás,
perdoa-me esta crueldade,
Que
é uma vaidade o amor de tua mãe…
Vaidade!
Um dia, foi-se-me a Fortuna
E
eu vi-me só no mar com minha escuna,
E
ninguém me valeu na tempestade!
Hoje,
já voltam com seu ar composto,
Mas
eu, vê lá! Eu volto-lhes o rosto…
E
isto em mim não será uma vaidade?
António Nobre
Em vida, publicou apenas um livro intitulado Só.
quinta-feira, 26 de novembro de 2020
POETAS DE PARABÉNS
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN
MAR
Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.
E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen é uma poetisa natural do Porto, onde nasceu
Foi tradutora e o seu talento manifestou-se também na prosa, tendo escrito livros
Foi a primeira mulher portuguesa a receber, em 1999, o Prémio Camões.
Encontra-se sepultada no Panteão Nacional.










