O SURREALISMO
O Surrealismo português surge nos anos 40 e é a continuidade lógica e radical do Modernismo.
ALEXANDRE O´NEIL
Gaivota
Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse.
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa.
esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração
no meu peito bateria.
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se um português marinheiro.
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de nova brilho
no meu olhar se enlaçasse.
Que perfeito coração
no meu peito bateria.
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu.
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro.
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.
Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse.
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa.
esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração
no meu peito bateria.
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se um português marinheiro.
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de nova brilho
no meu olhar se enlaçasse.
Que perfeito coração
no meu peito bateria.
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu.
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro.
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.
Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.
Alexandre
O'Neill
Alexandre O´Neill nasceu em Lisboa em 19 de dezembro de 1924 e faleceu na mesma cidade em 21 de agosto de 1986.
Integrou o movimento surrealista português e assumiu posições contra o governo de então tendo sido preso pela PIDE.
Postumamente, a sua obra foi reconhecida com a atribuição do título de Grande-Oficial da Antiga, Nobilíssima e Esclarecida Ordem Militar de Sant´Iago da Espada, do Mérito Científico, Literário e Artístico.


Art, God, and love have few letters. We need little to know beauty.
ResponderEliminar(ꈍᴗꈍ) Poetic and cinematic greetings.
O amor tudo completa.
EliminarAbraço de amizade.
Juvenall Nunes
Boa tarde Juvenal,
ResponderEliminarUma bela e sentida a homenagem a este grande Poeta!
O poema é magnífico. Não consegui lê-lo sem que a belíssima música composta por Alain Oulman me tivesse acompanhado do principio ao fim do poema.
Uma excelente combinação na voz da Grande Amália!
Beijinhos e uma boa semana.
Emília
Concordo com a totalidade do seu comentário.
EliminarVotos de uma boa semana.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
Juvenal, qué interesante esta mirada al surrealismo portugués y a su raíz modernista. Me ha gustado especialmente cómo enlazas esa evolución con la figura de Alexandre O’Neill, cuya poesía siempre parece abrir una ventana distinta al mundo, llena de imágenes que se quedan en la memoria. Gracias por compartir un trabajo tan cuidado y tan lleno de sensibilidad literaria.
ResponderEliminarUn fuerte abrazo, Juvenal.
Obrigado pela sua visita e pelo cudidado e elogioso comentário de apreciação.
ResponderEliminarBoa semana.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
Surrealismo y un hermoso poema el que compartes Juvenal. Me encantó leerlo. Un abrazo y feliz semana
ResponderEliminarI love surrealism and this is beautiful.
ResponderEliminarHermoso, simplemente hermoso!! Un abrazo, Juvenal.
ResponderEliminarSublime homenagem prestada a Alexandre O'Neill , poeta que muito aprecio, sendo o belíssimo poema "Gaivota" imortalizado pela voz inconfundível de Amália Rodrigues , musicada por Alain Oulman .
ResponderEliminarUm post De luxo.
P.S.
Adoro a minha solitude, gostando de estar só, pois nunca o estou , sendo sempre duas: eu e eu.
Beijinho e ótima tarde .😘
Um grande surrealista, um poeta surpreendente!!
ResponderEliminarEntre mares, gaivotas e marinheiros é um tema que sempre surpreende e encanta, principalmente em linhas poéticas...
Perfeito Juvenal!! Tenha uma ótima semana!! :)))
This poem hits quite beautifully, especially the imagery of the Lisbon sky and that sea connection. Alexandre O'Neill had such a unique way of capturing that deep, romantic longing that feels so distinctly Portuguese. I always find myself drawn to art that mixes nature with intense personal feeling like this, because it makes you pause to appreciate those quiet, emotional moments in life. You picked a wonderful piece to share.
ResponderEliminarQué lindo sería, si cuando me muera, las aves del cielo, las gaviotas o las golondrinas, qué más da, acompañen mi féretro hasta donde sea depositado mi féretro.
ResponderEliminarMe gustó el poema.
Un abrazo a la distancia.
Sempre muito bom ler Alexandre O´Neill , poema onde as gaivotas esvoaçam na nossa imaginação.
ResponderEliminarObrigada, Juvenal. E tenha bons dias da semana, Abraços
Lindo poema. Me gusto conocer al autor. Te mando un beso.
ResponderEliminarThis is a lovely poem!
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