quinta-feira, 1 de julho de 2021

 HOMENAGEM A MACHADO DE ASSIS

DESAFIO LITERÁRIO

UM SONETO PARA MACHADO DE ASSIS





     Terminou o prazo para a participação no desafio literário Um Soneto para Machado de Assis.
     Tal como Bentinho se sentiu malogrado por não ter conseguido escrever um soneto
para a sua amada, também eu me senti tomado por igual sentimento, face ao reduzido
número de participantes.
     Houve inúmeras manifestações de apoio à iniciativa, mas que não se traduziram, na prática,
no envio dos sonetos solicitados. O reduzido número de participantes tornou inviável a votação
prevista, para o escalonamento de um pódio.
     Assim sendo, endereço os meus parabéns ao Santos Oliveira e ao Manuel Bragança dos Santos
por terem encarado e respondido ao desafio, duma forma que o valorizou.
     Deixo-lhes um testemunho de participação, caso o pretendam usar no vosso blog.
     Muito obrigado a todos.

                                                                                                         Juvenal Nunes



segunda-feira, 21 de junho de 2021

 HOMENAGEM A MACHADO DE ASSIS

DESAFIO LITERÁRIO

UM SONETO PARA MACHADO DE ASSIS





Destino

Oh! Flor do Céu! Oh! Flor cândida e pura!
A pespontar no mais vasto jardim,
A tua ausência é a noite escura,
Que me enleia num tormento sem fim.

Minha alma ardente sempre te procura
Guiada  pelo aroma de jasmim,
Cujo hausto se eleva com doçura
E do teu céu me faz seu querubim.

Fico vogando nesse espaço etéreo,
Sem sentir em teu corpo aquele abraço,
De que fica apenas leve poalha.

Reverto desse virtual sidéreo
À realidade de cada passo... 
Ganha-se a vida, perde-se a batalha!

Juvenal Nunes






     Caso fosse vivo, Machado de Assis completaria, hoje, mais um aniversário de nascimento.


quinta-feira, 10 de junho de 2021

                   DIA DE PORTUGAL, DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS                                                                                                                                                         





Dia de Portugal

É no dia 10 de junho
O dia de Portugal,
Sendo desse testemunho
Feriado nacional.

Celebramos a Camões:
Foi cortesão e guerreiro,
Entre outras recordações
É das letras o primeiro.

Correndo riscos mil vezes,
Ao longo doutras idades,
Criaram os portugueses,
No mundo, comunidades.

Dentre «as brumas da memória»,
Neste dia, uma nação,
De passado com história
Cerra laços de união.

        Juvenal Nunes




sábado, 5 de junho de 2021

 POEMAS POR TEMAS




Tema: Erotismo


Teu corpo claro e perfeito

Teu corpo claro e perfeito,
-- Teu corpo de maravilha,
Quero possuí-lo no leito
Estreito da redondilha…

Teu corpo é tudo o que cheira…
Rosa… flor de laranjeira…

Teu corpo, branco e macio,
É como um véu de noivado…

Teu corpo é pomo doirado…

Rosal queimado do estio,
Desfalecido em perfume…

Teu corpo é a brasa do lume…

Teu corpo é chama e flameja
Como à tarde os horizontes…

É puro como nas fontes
A água clara que serpeja,
Quem em antigas se derrama…

Volúpia da água e da chama…

A todo o momento o vejo…
Teu corpo… a única ilha
No oceano do meu desejo…

Teu corpo é tudo o que brilha,
Teu corpo é tudo o que cheira…
Rosa, flor de laranjeira…

Manuel Bandeira






     Manuel Bandeira é um escritor brasileiro, que se notabilizou na área da poesia.
     Fez parte da geração do modernismo do Brasil.
     A sua reputação permitiu-lhe ser eleito para a Academia Brasileira de Letras.

     

     A pintura representada é um óleo sobre tela de 1888, de Albert Aublet, intitulada
Une Beauté Orientale.


terça-feira, 1 de junho de 2021

HOMENAGEM A MACHADO DE ASSIS

DESAFIO LITERÁRIO 

UM SONETO PARA MACHADO DE ASSIS




Machado de Assis é o expoente máximo da literatura brasileira. Dividiu com Eça de Queiroz a hegemonia das letras lusófonas, no séc. XIX e é considerado um dos grandes génios da história da literatura, ao lado de autores como Dante, Shakespeare e Camões.

Nascido a 21 de junho de 1839, o Palavras Aladas tomou a iniciativa de o homenagear, ao longo de todo o mês de junho, através de um desafio literário, que  propõe a todos os amigos leitores e poetas que costumam honrar este blog, com a sua visita e comentários.

A iniciativa não é inédita, mas é uma novidade aqui, no Palavras Aladas.

No capítulo LV do romance Dom Casmurro, o personagem Bentinho tem uma noite de insónia levado pela preocupação de escrever um soneto para a sua amada Capitu. Apesar de todos os seus esforços não consegue passar do primeiro verso, que aqui se dá a conhecer:

 

“Oh! Flor do Céu! Oh! Flor cândida e pura!”

 

Abrasado pela paixão, continuou a debater-se pelo desenvolvimento do texto, mas não conseguiu avançar com mais palavras tendo, no entanto, conseguido forjar o último verso, que imaginou ser a chave de ouro:

 

“Perde-se a vida, ganha-se a batalha!”

 

Apesar de já ter um princípio e uma conclusão, baldaram-se todos os seus esforços para produzir o soneto completo e, num último assomo, considerou que a alteração do último verso para:

 

“Ganha-se a vida, perde-se a batalha!”

 

podia contribuir para trazer a inspiração, que não chegou ,e por isso, não escreveu o soneto.

A partir daqui é proposto ao leitor que tome  a iniciativa de escrever o soneto com o 1º verso sugerido e o conclua com uma, das duas propostas apresentadas.

A todos os interessados em participar, nesta iniciativa,  ficam os pressupostos:

 

1º - Deixar o seu comentário nesta publicação, comunicando a sua participação para se poder adicionar o link da participação.

2º -  Escrever um poema respeitando a estrutura formal do soneto, incluindo métrica e rima.

3º - Respeitar a sugestão sugerida para o 1º verso e uma das duas para o último.

4º - Dar um título ao soneto.

5º - Postar o texto no seu blog, antecedido do selo apresentado.

6º - Deixar o link da sua postagem, nos comentários do blog Palavras Aladas.

 

No final, a votação, com a participação de todos os intervenientes, escalonará um pódio de três posições.

Bom trabalho e mãos à obra. 

           

                                                    

                                                                                               Juvenal Nunes



Participantes:


Santos Oliveira: https://acordarsonhando.blogspot.com/>UM SONETO PARA MACHADO DE ASSIS<


Juvenal Nunes:https://palavrasaladas1952.blogspot.com>Destino<


Manuel Bragança dos Santos: http://maranduvaline.blogspot.com>Bentinho e Capitu>



quinta-feira, 27 de maio de 2021

POETAS DE PARABÉNS

MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO 







Além-Tédio

Nada me expira já, nada me vive -
Nem a tristeza nem as horas belas.
De as não ter e de nunca vir a tê-las,
Fartam-me até as coisas que não tive.

Como eu quisera, enfim de alma esquecida,
Dormir em paz num leito de hospital...
Cansei dentro de mim, cansei a vida
De tanto divagar em paz irreal.

Outrora imaginei escalar os céus
À força de ambição e nostalgia,
E doente de novo, fui-me a Deus
No grande rastro fulvo que me ardia.

Parti, mas logo regressei à dor,
Pois tudo me ruiu... Tudo era igual:
A quimera, cingida, era real,
A própria maravilha tinha cor!

Ecoando-me em silêncio, a noite escura
Baixou assim na queda sem remédio;
Eu próprio me traguei na profundura,
Me sequei todo, endureci de tédio.

E só me resta hoje uma alegria:
É que, de tão iguais e tão vazios,
Os instantes me esvoam dia a dia
Cada vez mais velozes e esguios.

Mário de Sá-Carneiro







   Mário de Sá-Carneiro nasceu em Lisboa , em 19/05/1890 e faleceu em Paris, em 26/04/1916.
   Enquanto poeta, teve uma fugaz mas brilhante carreira literária porquanto, por ser socialmente
inadaptado e instável psicologicamente, viria a cometer suicídio num hotel, em Paris.
   É um dos responsáveis pela introdução do Modernismo, em Portugal, tendo feito parte da
Geração d`Orpheu.
   Notabilizou-se, também, como contista e ficcionista.

segunda-feira, 17 de maio de 2021

 



Dias de Maio

Desaparece a neblina,
Ao brilho do sol nascente,
Luz em fundo de opalina,
Na ramagem mais virente.

Esvoaçam borboletas
Em um bailado de cor,
Sempre leves, inquietas,
Das flores sempre em redor.

Num constante voejar,
Na cadência dos zumbidos,
As abelhas vão libar
No gozo dos seus sentidos.

As formigas no carreiro,
Na sua marcha ordenada,
Levam para o formigueiro 
Toda a comida encontrada.

Nos céus há belos trinados,
Que ecoam sobre os trigais,
São pássaros namorados
Em seus cantos nupciais.

Ao longo do mês de maio,
No seu voo elegante,
Canta no bosque o gaio
Ouvindo-se a cada instante.

Sobre tudo o sol pesponta
Nesta natureza viva
Que a todos bem importa,
Tem a força de criar,
Já que a todos nos motiva
Com os produtos da horta 
E os frutos do pomar.

Juvenal Nunes



terça-feira, 11 de maio de 2021

 POEMAS POR TEMAS




Tema: Mãe


Vem Ver a Minha Mãe

Está junto das coisas que bordaram
com ela os dias que supôs mais belos
e são a fonte de onde lhe começa
o branco tempo dos cabelos.

Mal pousa a vida nos seus dedos gastos
do sonho que pousou na minha mão
e no sangue tão frágil que sustenta
tanta ternura e tanta solidão.

        Vítor Matos e Sá






        Vítor Matos e Sá é um poeta português natural de Lourenço Marques, 
atual cidade de Maputo.
        É licenciado e doutorado em Filosofia pela Universidade de Coimbra,
onde também foi docente.
        A sua poesia reveste-se de uma preocupação especulativa de base filosófica, 
em que são patentes as marcas sobre a experiência existencial.


quarta-feira, 5 de maio de 2021

 POESIA PALACIANA





De Fernão Lobato a ua senhora que servia

 

A vós a que por meu mal

meu serviço obriguei,

que por morte acabarei

de vos ser sempre leal.

Tanto sam vosso, senhora,

quanto eu de mim conheço,

que nam quisera ser agora

Polo mal que já padeço.


Ca em mim nam estaa poder,

senhora, de me partir

nem vontade de servir

nunca m`haa- de falecer.

 

Ca raiva meu coraçam,

onde jaz na parte esquerda,

por temer que sem rezam

há-d`haver mui grande perda.

 

E que perda tanto seja

quanta vos dizer nam posso,

a vontade de ser vosso

é, senhora, mais sobeja.

Ca segundo meus sentidos

vos fazem, senhora, de mim

os meus males conhecidos

vos faram ver minha fim.

 

Vossa fala graciosa

me tem posto tal cuidado

que per mim nam sam ousado

dizer sem licença vossa.

Mas peroo que tal desejo

algum homem ter quisesse

em amar a tam sobejo

nam creo que ser podesse.

 

A vós per quem tribulança

o meu mal é a tam grande

que me faz vos nam demande

a verdadeira esperança.

E vós, senhora poderosa,

farês bem satisfazer,

com vontade piadosa,

a quem vive sem prazer.

 

 

De mim se poderaa dizer

que vos amo lealmente,

sem poder de vós saber,

senhora, se sôes contente.


        Fernão Lobato






      A imagem apresentada pode muito bem representar a dama a quem 
Fernão Lobato dedica seu poema.

sexta-feira, 30 de abril de 2021

POETAS DE PARABÉNS

ALMADA NEGREIROS





A Sombra Sou Eu

A minha sombra sou eu,
ela não me segue,
eu estou na minha sombra
e não vou em mim.
Sombra de mim que recebo a luz,
sombra atrelada ao que eu nasci,
distância imutável de minha sombra a mim,
toco-me e não me atinjo,
só sei do que seria
se de minha sombra chegasse a mim.
Passa-se tudo em seguir-me
e finjo que sou eu que sigo,
finjo que sou eu que vou
e não que me persigo.
Faço por confundir a minha sombra comigo:
estou sempre às portas da vida,
sempre lá, sempre às portas de mim!

Almada Negreiros








          Artista de vibrante fulgor, Almada Negreiros nasceu em S. Tomé e Príncipe,
  em 7 de abril de 1893 e faleceu em Lisboa, em 15 de junho de 1970. Cedo se
  revelou precoce, pelo que foi um autodidata.
          O seu génio multifacetado espraiou-se pelas artes plásticas, pontificando
  no desenho e na pintura e pela escrita, sobressaindo no romance,
  poesia, dramaturgia e ensaio.
         Colaborou ativamente nas revistas Presença e Orpheu.
         É um dos principais representantes do modernismo português.
 

terça-feira, 20 de abril de 2021

 



Prece

São ignotos os caminhos,
Que percorro nos meus versos;
Não há rosas sem espinhos
Nesses rumos tão dispersos.

Nesse meu desassossego,
De versos soltos ao vento,
Fica no meu pensamento
Um sulco de desapego.

Sinto um último alento
Na fé em que me obstino,
Elevo aos céus uma prece,
Em que minha alma adormece,
Num bálsamo com que tento
Contrariar o destino.

          Juvenal Nunes





        A imagem apresentada inicialmente representa um quadro do pintor impressionista
 francês Claude Monet, intitulado Um caminho no Jardim de Monet.

terça-feira, 13 de abril de 2021

 POEMAS POR TEMAS


Vida

Três votos fará aquele
que não ser tolo decida
e venha deles primeiro
o de obediência à vida

será o segundo a vir
o de não querer ser rico
o muito passe de largo
o pouco lhe apure o bico

não violar-se a si próprio
como principal o veja
alto ou baixo gordo ou magro
assim nasceu assim seja.

          Agostinho da Silva


           Tema: Vida






         Para além de poeta Agostinho da Silva foi também filósofo, pedagogo, filólogo,
 ensaísta e tradutor.
         Licenciou-se em Filologia Clássica, no Porto, tendo concluído a sua formação em Paris,
 na Sorbonne.
        Trabalhou longos anos no Brasil, tendo regressado a Portugal, após a morte de Salazar.
        Foi agraciado com o grau da Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant`Iago da Espada.

terça-feira, 6 de abril de 2021

 POESIA PALACIANA



Pergunta de Fernão da Silveira a Álvaro Barreto

Quem bem sabe, em tudo sabe,
e porem d'aquy concrudo,
que a vos, que sabes tudo,
a solver as questões cabe.
E porem muy de verdade
peço que esta rrespondaes,
pera ver, se conçertaes
com mynha negra vontade.

Ca eu ja me vy partyr
e tambem despoys cheguar.
e senty todo o sentyr
do prazer e do pesar.
Mas com tudo he de saber,
quall he vossa concrusam:
se partir da mays paxam,
ou chegar mayor prazer.

        Fernão da Silveira




        Fernão da Silveira, aqui representado pelo seu brasão de armas, é um dos mais 
afamados poetas palacianos do séc. XV.

terça-feira, 30 de março de 2021

 POETAS DE PARABÉNS

EUGÉNIO DE CASTRO




                                                                                                   
 


Três Rosas

Sempre, mas sobretudo nas brumosas
Horas da tarde, quando acaba o dia,
Quando se estrela o céu, tenho a mania
De descobrir, de ver almas nas cousas.

Pendem deste gomil três lindas rosas;
Uma é rosada, a outra branca e fria,
Rubra a terceira; e a minha fantasia
Torna-as humanas, vivas, amorosas.

Sei que são rosas, rosas só! mas nada
Impede, enquanto cai lá fora a chuva,
Que a minha mente a fantasiar se ponha:

Por ser noiva a primeira, é que é rosada;
Branca a segunda está, por ser viúva;
A vermelha pecou ... e tem vergonha!


                  Eugénio de Castro



  

        Natural de Coimbra, onde nasceu em 4 de março de 1869, faleceu na mesma cidade em 17 de agosto de 1944.
        O seu livro de poemas Oaristos credibilizou-o como grande poeta e representante do Simbolismo  em Portugal. Já no século XX enveredou por uma faceta neoclássica.
        Ao longo de toda a sua vida colaborou em inúmeras publicações periódicas.
        Foi agraciado com o grau de Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant`Iago da Espada.


sábado, 20 de março de 2021




Andorinha

Chego com a primavera,
Encho o ar com os meus gorjeios,
Percorro todo o espaço,
Em liberdade esvoaço,
Faço mais de mil volteios.
Sou o sonho e a quimera
De um tem tempo remoçado,
Que em cada ano de espera
Cada ano é renovado.

        Juvenal Nunes







        Às 9 horas e 37 minutos de hoje, chegou a Primavera.

sábado, 13 de março de 2021

POESIA PALACIANA



Cantiga de Nuno Pereira quando casou com D. Isabel


Somos ũa cousa nós,

em ambos ũa soo fim,

eu nam sam em mim sem vós,

nem vós nam estais sem mim.

 

Em ambos ũa soo vida

a como cahir em soorte,

que nam pode ser partida

antre nós vida nem morte.

Todo o ser que for de nós

de qualquer cousa em fim,

eu nam sam em mi sem vós,

nem vós nunca soo sem mim.


            Nuno Pereira






        Nuno Pereira foi um poeta palaciano português, que nasceu por volta de 1455.
        Quando jovem, foi íntimo do futuro rei D. João II, com quem conviveu na corte.
        A sua obra encontra-se incluída no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende.



sábado, 6 de março de 2021

 CORRENTES d`ESCRITAS 2021



        Com o nome em epígrafe realizou-se, nos dias 26 e 27 de fevereiro passado, um festival
 literário na Póvoa de Varzim, pelo 22º ano consecutivo. Devido às condições impostas pela
 pandemia o evento decorreu online.
        O festival deste ano homenageou o escritor chileno Luís Sepúlveda, pelo legado da sua
 oba. O autor, que estivera presente no festival do ano transato, viria a falecer algum tempo 
depois vítima do Covid-19.
        Este ano, o Prémio Literário Casino da Póvoa, foi atribuído à poetisa portuguesa Maria
 Teresa Horta, pela obra Estranhezas.



Os Silêncios da Fala

São tantos
os silêncios da fala
De sede
De saliva
De suor

Silêncios de sílex
no corpo do silêncio
Silêncios de vento
de mar
e de torpor
De amor

Depois, há as jarras
com rosas de silêncio
Os gemidos
nas camas
As ancas
O sabor

O silêncio que posto
em cima do silêncio
usurpa do silêncio o seu magro labor.

Maria Teresa Horta






        Maria Teresa Horta é natural de Lisboa, onde nasceu em 29 de maio de 1937.
É uma consagrada poetisa portuguesa, largamente homenageada e premiada.
Nos seus antepassados conta-se a também célebre poetisa Marquesa de Alorna (sécs.
17 e 18).
        Para além da sua obra literária, a sua vida destacou-se, também, como membro
ativo de um projeto feminista, enquanto chefe de redação da revista Mulheres.