domingo, 26 de outubro de 2025

 POEMAS POR TEMAS

DESTINO




Tema: Destino

A Nau Catrineta

Lá vem a Nau Catrineta,
que tem muito que contar!
Ouvide, agora, senhores,
Uma história de pasmar."

Passava mais de ano e dia,
que iam na volta do mar.
Já não tinham que comer,
nem tão pouco que manjar.

Deitaram sola de molho,
para o outro dia jantar.
Mas a sola era tão rija,
que a não puderam tragar."

"Deitaram sortes à ventura
qual se havia de matar.
Logo a sorte foi cair
no capitão general".

- "Sobe, sobe, marujinho,
àquele mastro real,
vê se vês terras de Espanha,
ou praias de Portugal."

- "Não vejo terras de Espanha,
nem praias de Portugal.
Vejo sete espadas nuas,
que estão para te matar."

- "Acima, acima, gajeiro,
acima ao tope real!
Olha se enxergas Espanha,
Areias de Portugal."

- "Alvíssaras, senhor alvíssaras,
meu capitão general!
Que eu já vejo tuas terras,
e reinos de Portugal.
Também vejo três meninas,
debaixo de um laranjal.
Uma sentada a coser,
outra na roca a fiar,
A mais formosa de todas,
está no meio a chorar."

- "Todas três são minhas filhas,
Oh! quem mas dera abraçar!
A mais formosa de todas
Contigo a hei-de casar"
- "A vossa filha não quero,
Que vos custou a criar.

- "Dou-te o meu cavalo branco,
Que nunca houve outro igual."
- "Guardai o vosso cavalo,
Que vos custou a ensinar."

- "Dar-te-ei tanto dinheiro
Que o não possas contar".
- "Não quero o vosso dinheiro
Pois vos custou a ganhar.-Dar-te-ei a Catrineta
Para nela navegares.”
Não quero a Nau Catrineta,
Que a não sei navegar.”

-“Que queres tu meu gajeiro,
Que alvíssaras te hei-de dar?
-“ Capitão, quero a tua alma,
Para comigo a levar!”

-“ Renego de ti, demónio,
Que me estavas a tentar!
A minha alma é só de Deus,
O corpo dou eu ao mar.”

Tomou-o um anjo nos braços,
Não no deixou afogar.
Deu um estouro o demónio.
Acalmaram vento e mar;

E à noite a Nau Catrineta
Estava em terra a varar.

Almeida Garrett





        Almeida Garrett nasceu no Porto, em 4 de fevereiro de 1799 e faleceu em Lisboa, em 9 de 
dezembro de 1854 .
        Combateu na guerra civil portuguesa de 1828-1834, pelos liberais.
        Foi orador e exerceu cargos políticos. Foi romancista histórico, dramaturgo e poeta. É uma 
figura cimeira da Literatura Portuguesa com grande expressividade no Romantismo.
        A Nau Catrineta faz parte do Romanceiro e Cancioneiro Geral, publicado por Garrett em 1843.

quinta-feira, 23 de outubro de 2025


 Tendo regressado é-me possível agora partihar algumas imagens da minha saída.



Já com os pés assentes na terra.


                                                                             Praia da Vitória



Manta de retalhos: verdejantes pastagens



                                                                     Uma de duas lagoas.
                                                  A água ocupa a cratera dos vulcões extintos.



                                                                               Vacas felizes



Cascata do Poço do Bacalhau



                                                                        Na Fábrica da Baleia.



             Um abraço para todos.

             Juvenal Nunes

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

 PALAVRAS ALADAS


Informo todos os amigos visitantes, leitores e colaboradores que o Palavras Aladas está de volta.

Por razões de ordem técnica não me é possível, de momento, deixar mais do que a canção do vídeo.




Abraço de amizade para todos.

Juvenal Nunes

segunda-feira, 13 de outubro de 2025



 O Palavras Aladas vai entrar num período de pausa.





Volto em breve.

            Juvenal Nunes


segunda-feira, 6 de outubro de 2025

 

TERTÚLIA DO AMOR 3




Leitura a Dois

Lendo um livro em conjunto
Ao ar livre na montanha
Mostra bem a sintonia
Do teu corpo ao meu bem junto,
Numa só alma tamanha
Duma vida em harmonia.

Juvenal Nunes





  A convite da amiga Rosélia aqui fica a minha participação ao desafio proposto.


segunda-feira, 29 de setembro de 2025



O SIMBOLISMO

CRUZ E SOUSA





Alma solitária

Ó Alma doce e triste e palpitante!
que cítaras soluçam solitárias
pelas Regiões longínquas, visionárias
do teu Sonho secreto e fascinante!

Quantas zonas de luz purificante,
quantos silêncios, quantas sombras várias
de esferas imortais, imaginárias,
falam contigo, ó Alma cativante!

que chama acende os teus faróis noturnos
e veste os teus mistérios taciturnos
dos esplendores do arco de aliança?

Por que és assim, melancolicamente,
como um arcanjo infante, adolescente,
esquecido nos vales da Esperança?!

Cruz e Sousa




        João da Cruz e Sousa é um poeta brasileiro nascido em 24 de novembro de 1861 e falecido
em 19 de março de 1898.
        Falecido embora prematuramente, o seu talento poético reconhece-o como o primeiro e
principal expoente do simbolismo no Brasil.

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

 POETAS DE PARABÉNS

NICOLAU TOLENTINO




Cegueira de Amor

Fiei-me nas promessas que afetavas
Nas lágrimas fingidas que vertias,
Nas ternas expressões que me fazias,
Nessas mãos que as minhas apertavas.

Talvez, cruel, que, quando as animavas,
Que eram doutrem na ideia fingirias,
E que os olhos banhados mostrarias
De pranto, que por outrem derramavas.

Mas eu sou tal, ingrata, que, inda vendo
Os meus tristes amores mal seguros,
De amar-te nunca, nunca me arrependo.

Ainda adoro os olhos teus perjuros,
Ainda amo a quem me mata, ainda acendo
Em aras falsas, holocaustos puros.

Nicolau Tolentino









De seu nome completo Nicolau Tolentino de Almeida, nasceu em Lisboa, em 10 de 
setembro de1740 e faleceu, na mesma cidade, em 23 de junho de 1811.
        Foi uma figura de relevo da Nova Arcádia. Bom metrificador e grande sonetista apresenta 
                       um estilo simples e coloquial. É tido como um dos maiores satíricos do século XVIII.